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domingo, 5 de julho de 2015

Sugestão Legislativa para a Bancada Evangélica


E então Jesus lhes disse: "vou colocar silicone e sair na parada gay", e todos os discípulos ficaram furibundos.

http://imguol.com/c/noticias/2015/06/08/7jun2015---a-modelo-transexual-viviany-beleboni-participa-da-19-parada-do-orgulho-lgbt-lesbicas-gays-bissexuais-travestis-e-transexuais-de-sao-paulo-neste-domingo-caracterizada-como-jesus-cristo-1433798663456_956x500.jpg

Francamente, eu não entendo muito a idéia do povo evangélico de ficar chateado com essa imagem. Isso por quatro motivos principais, três deles já tendo sido bem articulados pelo ultimo sábio inominado dos tempos modernos:

"Em primeiro lugar, um ícone, seja um símbolo, uma bandeira etc, só é tão digno de respeito quanto os valores das pessoas que dele se apropriam. Em segundo lugar, se um símbolo chega a lugares do mundo em que ele não é desejado, querido ou valorizado, você não deveria ficar perturbado caso ele adquira uma forma que você não reconheça como sua. E, em terceiro, se você tentar limitar a liberdade de expressão, por legislação, intimidação ou ameaças, o que irá acontecer é que gente razoável, geralmente contra seu melhor juízo, vai se sentir pressionada a testar esses limites."

Em quarto lugar, porque me causa extrema estranheza a idéia de que a adição de seios possa tornar qualquer coisa menos desejável. Eu gostaria que tudo tivesse uma versão com seios disponível. Quem sabe eu não estivesse mais saudável se aparelhos de ginástica tivessem seios instalados? Ou mais culto caso eles figurassem em livros? Tudo se beneficia da adição de seios. Caso um engraçadinho esteja a pensar "tudo, é? E seios? Podem se beneficiar da adição de seios?", eu retruco: sim. Você pode colocar seios em seios. Chamam de "silicone" e é um comprovado sucesso de vendas. Você também pode pensar em três seios, como no Vingador do Futuro, o que também pode ficar muito bom, mas acredito que seja limitado em formas de interação pela quantidade de mãos do parceiro (muito embora certamente alguém tenha argumentos bem criativos a respeito, motivo pelo qual não vou me posicionar categórica e definitivamente). Mas estamos tergiversando em demasia.

(Teria um quinto, histórico, que consistiria, em primeiro lugar, nos fatos de os evangélicos serem protestantes e do protestantismo ter surgido num movimento de insurreição questionadora da legitimidade da igreja católica como porta-voz do divino, ou seja, numa negação do poderio político da Igreja, marcando a fé como comunhão pessoal - vide os chamados solas - e não como algo a ser experimentado por intermédio interpretativo de terceiros, potenciais exploradores, e em segundo, de a comunidade evangélica brasileira representar com razoável exatidão o catolicismo do século XV, entranhando suas raízes no poder estatal e tomando dinheiro da população com base na fé. Mas não se qualifica como um motivo de confusão por ser algo bastante natural: ou você morre jovem ou vive o suficiente para se transoformar naquilo que você odeia. Ocorre com instituições tanto quanto com pessoas.)

A questão é que o povo ficou chateadíssimo, já que, aparentemente, encenar a crucificação é uma afronta a Cristo e a seus ensinamentos, e pregaram a propositura de ações judiciais e violência física e verbal, conforme o ensinado pelo profeta em Mateus 13:15. Contudo, isso me parece um mau uso de recursos, visto que a bancada evangélica está a pleno vapor no legislativo. Por que não dela usufruir e propor o seguinte projeto de lei, que eu acredito ser o bastante para resolver essa questão de uma vez por todas, a contento dos fiéis?

"Art. 1° - A interação Jesus-tetas é restrita à utilização de pingentes por católicas gordas ou gostosinhas.

Art. 2° - Em caso de violação do disposto do art. 1°, o infrator terá sua alma torturada no inferno por toda a eternidade.

Parágrafo único. A aplicação da pena prevista no caput incumbe privativamente ao Espírito Santo, devidamente desencarnado.

Art. 3° - Qualquer cidadão temente ao Senhor poderá representar um infrator ao Espírito Santo.

§ 1° - O prazo para representação é de quinze dias, iniciando-se na data do arrebatamento e excluídos os sabás.

§ 2° - As representações deverão trazer provas documentais ou testemunhais do ato cometido pelo infrator.

§ 3° - As testemunhas aceitas serão exclusivamente:
I - de Jeová
II - Jesus Cristo

§ 4° - Testemunhas de Jeová serão ouvidas em audiência agendada com dez dias de antecedência. Jesus Cristo será ouvido em apenso.

Art. 4° - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação e três dias após sua revogação."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Jornada Histórica - Chat do UOL, 17 Anos Depois

Por volta de 1995, eu tinha acesso a conexão discada e, volta e meia, ganhava alguns CDs que me davam direito a três horas grátis de acesso pelo UOL. Eventualmente, impressionado com essas demonstrações e ansioso por mais, cheguei a obrigar mamãe a assinar um plano de dez horas mensais. Pulsos telefônicos pagos à parte. Para comparação, o plano custava R$29,90, e isso numa época em que a promoção do McDonald's custava R$4,90. De acordo com meu índice altamente científico de normalização por Big Mac, hoje o custo desse plano seria de R$109,23. Dez horas mensais, 33.6kpbs, pulsos telefônicos à parte e linha ocupada durante a utilização. Eu me sinto ancião. E você deve se sentir também.

De qualquer forma, a internet era altamente impressionante, muito embora não houvesse muita coisa a ser feita nela. Eu só me lembro de duas opções: mIRC ou chat do UOL. Esse último era particularmente divertido porque envolvia o conceito de anonimidade, tão maravilhoso e cobiçado por pentelhos de dez anos de idade. De repente, você podia dizer qualquer coisa que quisesse, por mais ofensiva que fosse. Podia se passar por qualquer pessoa, ser um camaleão. Enganar pessoas, ciar e destruir esperanças. Falar de putarias grosseiras. E o melhor: fazer isso tudo sem nenhuma conseqüência punitiva. Aliás, sem nenhuma conseqüência, porque não havia inocentes no chat do UOL. Todo usuário, independentemente de ter como apelido gatinho25, PAU_ERETO, fogozinha14, Gozo_do_Bozo, madura55F ou qualquer outro, era um moleque de dez anos querendo esculhambar. Ou seja: uma diversão sem vítimas.

Mas hoje a coisa é diferente. O Facebook é uma pataforma fantástica para chocar pessoas anonimamente, porque todo mundo está lá. Muito embora esse esfoço não se faça necessário por conta de o lugar já estar superopovoado de gente aparentemente empenhada em ser perturbadora e desagradável (seja proposital e anonimamente ou não). Da mesma forma, a ânsia natural de um moleque por depravação e putaria pode ser muito melhor atendida por um dos N sites de vídeos disponíveis na rede. Para enganação, mentira, perfídia, criação de vínculos afetivos falsos a serem cruelmente destroçados, o MSN é um veículo muito melhor por ser mais duradouro. Então o que resta, para um pentelho de dez anos, no chat do UOL? Nada, aparentemente. Existem veículos melhores para todas as atividades que eram lá conduzidas por eles (ou nós, no caso). E ficou a dúvida: o que restaria, então, dos chats do UOL? Ainda existem? Agora são sérios? Existe gente lá tentando ter conversas divertidas ou significativas?

Ei, ainda existem! Que coisa. Francamente, eu esperava que fosse uma relíquia comunicacional, algo extinto por novas e mais específicas tecnologias, como Orkuts e Chatroulettes. Então vamos dar uma olhada aqui no que as pessoas estão dizendo. Como não quero que essa primeira seleção filtre o conteúdo de nenhuma forma, porque quero investigar o âmago do chat do UOL em si, resolvo checar a sala "Tema Livre". Escolho o apelido "Fred" porque o ambiente deve estar civilizado demais para "pauduro_pontagrossa". Sinto-me ansioso. O que será que me espera nessa sala?


Ah. A mesma merda de dezessete anos atrás. Clique para ampliar, se esse peso de alguma esperança na nova geração que você carrega estiver te incomodando. Bom... eu digo "nova geração" e estou insistindo que são crianças tirando sarro porque a alternativa é muito mais sombria. Podem ser adultos sendo sinceros. Pare e considere o quão assustador esse quadro é, antes de continuar seguindo meus passos. Seja como for, talvez "tema livre" seja só pra quem não tem foco nem objetivo pelo chat do UOL, o que resulta em putaria porque... bom, porque tudo que é necessário para a soberania da putaria é a presença de pessoas sem outro assunto se fazendo óbvio. Então decidi visitar a sala mais cerebral do chat: literatura brasileira. Eu esperava encontrar alguém tentando falar sobre Quincas Borba e sua relação com o neoconsumerismo em meio a pivetes xingando todo mundo.


E foi mais ou menos o que eu encontrei. Exceto pelo cara falando sobre Quincas Borba e neoconsumerismo. Vai ver o filtro não foi certo. Talvez eu tenha outros modos de selecionar pessoas. Partindo do princípio de que a pivetada que freqüenta esse chat é de classe socioeconomica baixa, de pouca idade e provavelmente não muito empenhada nos estudos, é possível que eu tenha mais sorte numa sala que se propõe a ter diálogos em inglês. Mesmo sendo um idioma carne de vaca hoje em dia, pelo menos para manter longe aqueles que não têm alguma proficiência nele, deve servir como filtro rudimentar, não?


Tá. Não, aparentemente. Sabe... a essa altura, eu estou ficando incomodado com mulheres usando apelidos em rosa. Isso claramente indica que ela tem uns treze anos e muitas Barbies ou que tem uns dez anos e pinto. Então vamos tentar algo diferente. Vamos especificar aidade. Vamos ver o que achamos "de 20 a 30 anos".


Spam. E de dois jeitos diferentes: um bot, aparentemente, e um nego que soa desesperado. Aparentemente um espírito irmão, também decepcionado por encontrar só crianças. Pensando bem, eu deveria ter puxado papo com ele, mas fui muito estartréquico na minha política não-intervencionista. A única diferença entre nós, afinal, é que eu estava num experimento sociológico e ele, aparentemente, numa busca por amor e sexo. Não pude deixar de pensar que, no lugar dele, eu teria tomado atitudes bem diferentes da que presenciei. Prosseguindo: e por localização geográfica? O que eu poderia encontrar?


Aqui meu mundo ruiu. "carinhoso..!" deixa bem claro, com sua foto, que não são só crianças aqui. Tem gente grande tão estúpida assim. Eu sei, eu sei. Claro que eu já sabia disso. Como eu mesmo citei, o Facebook cumpre bem esse propósito de retirada da fé na humanidade, mas toda vez que encontro indivíduos desse calibre, me surpreendo. Ou, melhor dizendo, me amedronto. E continuo impressionado por uma métrica: não importa para que sala você vá, os nomes continuam curiosamente homogêneos. Repare, sim? Enquanto isso, eu vou preparando a próxima sala dos horrores. E vai ser Namoro Virtual. Afinal, se toda sala tem se comportado como se seu tema fosse sexo ou namoro virtual, o que eu poderia esperar de uma que tivesse esses temas expressos? A mesma coisa?


Uau. Errado de novo. Os apelidos continuam os mesmos, mas aqui existe uma diferença sutil: geralmente são os homens dizendo porcarias e chamando mulheres para conversa em chat aberto, mas aqui nós temos as mulheres iniciando conversas. Isso é uma mudança que gera reflexões quase infinitas. Seria este canal o único realmente sério e verdadeiro, onde mulheres desesperadas (provavelmente feias e/ou gordas) vêm para agarrar qualquer homem que queira bater um papo? Serão essas meninas mais pivetes? E, se o comportamento aqui é tão diferente, elas sendo pivetes, será que as outras também são? Muitas possibilidades, mas claramente nenhuma delas é de aquecer o coração. Agora, vamos à sala de sexo virtual?


Decepcionante. Nenhuma cyberorgia. A única pessoa dizendo baixarias é obviamente um bot mal escrito que acha que um "cuzinho" pode ser "rosadinha". No geral, uma sala relativamente pudica. Só um usuário com apelido do nível de "MOSTRANDOOPAUNACAM", por exemplo, menos que Tema Livre e Literatura Brasileira. Esse mundo é um poço de ironias. Estou muito desgostoso e, para fechar, vou passar pelo canal de 70 anos ou mais. Antigamente era ótimo, juntava verborragia putárica pré-adolescente comum com excrescências atribuíveis aos septuagenários. Acidentes envolvendo boquetes e Corega, por exemplo. Então espero, pelo menos, achar algo que me faça rir.


Mas, para minha mais nova surpresa, eu encontro verdade no chat do UOL. Esses são obviamente septuagenários. Vejam como só entram e saem de salas, a esmo, sem dizer uma palavra. Provavelmente nem se lembrem do que foram fazer por lá quando finalmente chegam. O Alzheimer se revela novamente nos apelidos: gente como "MINEIRA 50 ANOS" e "MARCOS 49" já nem se lembram da própria idade e devem achar que ainda estamos na década de 70.

Tudo isso foi um experimento... instrutivo. E eu adoraria tecer umas configurações finais, mas depois de olhar de novo, com atenção, os registros dessa empreitada, eu preciso de uma bebida. Urgentemente.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Ponto de Vista

Opa! Ano de fim do mundo! Tudo novo no blog! Anagramas abandonados! O resto continua exatamente igual! Ok, acertado o comunicado das revoluções, vamos sem nenhuma delonga ao assunto do dia: diagramas de como um relacionamento é

IDEALIZADO POR UMA CRIANÇA:


IDEALIZADO POR UM HOMEM:


IDEALIZADO POR UMA MULHER:


TESTEMUNHADO POR ASSISTENTES SOCIAIS:

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Hassles None

Tem coisas que o Seen on Slash nunca vai arquivar e que merecem um certo estudo. Entre elas, eu acho que está todo esse diálogo esquisito.

he's right (Score:2, Insightful)
by FuckingNickName (1362625) Alter Relationship on Wednesday December 22, @05:07AM (#34639294) Journal

Mathematics is the foundation for philosophy, not technocracy. What a better world we'd be in if we were motivated by the former rather than pursuing the latter.

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Re:he's right (Score:5, Insightful)
by ultranova (717540) Alter Relationship on Wednesday December 22, @05:38AM (#34639434)

Mathematics is the foundation for philosophy, not technocracy. What a better world we'd be in if we were motivated by the former rather than pursuing the latter.

Well, we would likely all be malnourished, due to lack of fertilizers, at least those of us who hadn't died at childbirth or soon after. There wouldn't be an Internet to talk on, but that would be okay, since we wouldn't have time to use one due to the lack of engines and the resulting need to do backbreaking labour 16 hours a day. In short, our lives would be miserable, but due to lack of medicine, they would at least be short.

Missing these kinds of little details is why I have very little respect of philosophers. As far as I can tell, most of them chose their field because it doesn't punish sloppy work. And then there's idiocy like the Chinese Room, which assumes that a system cannot have properties its components don't have, yet hasn't been laughed out like it should had been.

Philosophy means you accept the human condition. Technorcacy means you try to do something about it. Hope for a better world in the future lies on the latter, not the former.
--

Forget magic. Any technology distinguishable from divine power is insufficiently advanced.

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Re:he's right (Score:3, Insightful)
by FuckingNickName (1362625) Alter Relationship on Wednesday December 22, @06:05AM (#34639538) Journal

So over the past two millennia we have cut the working day by 1/3rd and doubled the average lifespan at birth (if you ignore infant mortality, our lifespan hasn't increased that impressively).

Meanwhile we have turned the majority of Western humans from independent men into chair-warming consumers singing in lockstep for trinkets. We've made up for the opportunity to live a life of leisure surrounded by virtually infinite resources by blasting our population beyond 6 billion.

Technocracy is for the lazy man who wishes to be controlled and for the fascist who wishes to control others. The technocrat only has to think about one thing. But philosophy regards technology as one of many tools, not as a master. The philosopher-ruler (for philosophy is a basis for living, not an alternative) must not let prejudice cause him to dismiss the possibility that he can do better and for more.

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Re:he's right (Score:5, Insightful)
by ifiwereasculptor (1870574) on Wednesday December 22, @06:39AM (#34639672)

Why are people even debating philosophy vs technocracy? Why should someone have to choose one over the other? How do people get dragged into such nonsense? Here a new subject for you: tomatoes vs rainbows. Go.

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Re:he's right (Score:2)
by CProgrammer98 (240351) Alter Relationship on Wednesday December 22, @06:56AM (#34639774) Homepage

Is that Tom-aaaaah-toes or tom-eh?-toes...??
--
And the people shall be oppressed, every one by another, and every one by his neighbour Isaiah 3:5

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Re:he's right (Score:0)
by Anonymous Coward on Wednesday December 22, @11:21AM (#34642058)

Either way, rainbows are fucking gay.

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Re:he's right (Score:0)
by Anonymous Coward on Wednesday December 22, @07:25AM (#34639906)

Why are people even debating philosophy vs technocracy?

Sorry, that is anthropology or perhaps sociology.

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Re:he's right (Score:2)
by Canazza (1428553) Alter Relationship on Wednesday December 22, @07:41AM (#34639982)

If we continue the way we are, the world will heat up, we'll be seeing more Double Rainbows as it rains more.
If we change our ways and work to solve the worlds problems, we'll solve world hunger with Double Tomatoes!

Double tomatoes for a better tomorrow!
--
It pays to be obvious, especially if you have a reputation for being subtle.

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Re:he's right (Score:3)
by tehcyder (746570) Alter Relationship on Wednesday December 22, @07:49AM (#34640034) Journal

Why are people even debating philosophy vs technocracy? Why should someone have to choose one over the other? How do people get dragged into such nonsense? Here a new subject for you: tomatoes vs rainbows. Go.

The slashdot hivemind divides the world into a series of either/or choices, e.g. emacs/vi, or pro/anti-Windows
--
To have a right to do a thing is not at all the same as to be right in doing it

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Re:he's right (Score:0)
by Anonymous Coward on Wednesday December 22, @08:32AM (#34640320)
Choice? There is no choice. It's obvious that everyone uses vim (or wants to).

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Re:he's right (Score:5, Funny)
by Hognoxious (631665) Alter Relationship on Wednesday December 22, @08:53AM (#34640436) Homepage Journal

The slashdot hivemind divides the world into a series of either/or choices

Well, part of it does and another part doesn't.
--
Ancient sages said, "Do not despise the snake for having no horns; for who is to say it will not turn into a dragon?"

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Re:he's right -oblig Simpsons: (Score:2)
by hguorbray (967940) Alter Relationship on Wednesday December 22, @04:31PM (#34645748)
http://homepage.smc.edu/nestler_andrew/simpsonsmath.htm

Women's educational expert Melanie Upfoot addresses the children at school.
Upfoot: For too long, there's been an anti-woman bias in math. Boys are aggressive, obnoxious, and never let us be heard. From now on, I'm splitting the school in two, separating the boys and the girls forever.

4. Melanie Upfoot begins teaching her first class in the all-girls classroom.
Upfoot: Now, let's buckle down and do some math.
Lisa: Yes!
[The teacher turns on an electronic device that plays soft music and projects colorful mathematical symbols all around the classroom.]
Upfoot: How do numbers make you feel? What does a plus sign smell like? Is the number 7 odd, or just different?
Lisa: Are we gonna do any actual math problems?
Upfoot: "Problems"? That's how men see math, something to be attacked - something to be "figured out."
Lisa: But ... isn't it? I mean, confidence building can't replace real learning.
Upfoot : Uh-oh, Lisa, it sounds like you're trying to derail our self-esteem engine.

5. Lisa peers through the window to the math class in the all-boys classroom.
Teacher: Now boys, who can tell me the volume of this snowman. Anyone?
Martin: Just add the volume of the spheres! We know the radii....
Lisa: He forgot the volume of the carrot nose: one-third base times height! Oh math, I have missed you!
Skinner: No girls allowed! ...
Lisa: Assistant Groundskeeper Skinner, don't you think it's wrong that I can't get the best math education because I'm a girl?
Skinner: [sighs] I don't have any opinions anymore. All I know is that no one is better than anyone else, and everyone is the best at everything.

6. Lisa: Mom, the girls' school is a joke, and I'm not allowed to take the boys' math.
Marge: When I was in school, I loved math. Until....
[flashback to Marge studying with a calculus book on the beach]
Homer: Hey, Professor Von Hubba Hubba - wanna hop in my dune bug and erode some beach?
Marge: I'd love to. But I've got my calculus final tomorrow.
Homer: C'mon, baby, the only math you need is You + Me = Forever.
Marge: Oh, Homie. [She leaves with him.]
[Present day] Marge: Since then, I haven't been able to do any of the calculus I've encountered in my daily life. But that's not going to happen to you!

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Re:he's right (Score:0)
by Anonymous Coward on Wednesday December 22, @08:20AM (#34640204)

tomatoes: high in LYCOPENE!

rainbows: pretty

Hope for a better world in the future lies on the tomatoes, not the rainbows.

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Re:he's right (Score:1)
by Anonymous Coward on Wednesday December 22, @08:32AM (#34640324)

Here a new subject for you: tomatoes vs rainbows. Go.

well, obviously tomatoes are better.

i mean yeah, rainbows are a nice sight, but tomatoes are the *real* things you can touch and even eat!!

so, obviously, tomatoes for t3h win.

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Re:he's right (Score:1)
by Anonymous Coward on Wednesday December 22, @09:32AM (#34640790)

Rainbows have way more colors. There is no way anyone in their right mind would prefer tomatoes over rainbows.

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Re:he's right (Score:0)
by Anonymous Coward on Wednesday December 22, @10:05AM (#34641144)

Why are people even debating philosophy vs technocracy? Why should someone have to choose one over the other?

It probably comes to mind because of the rise of the Chinese economy. The Chinese seem to go for technocracy, while dismissing most of post-enlightenment western thought.

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Re:he's right (Score:1)
by Zephyn (415698) Alter Relationship on Wednesday December 22, @10:20AM (#34641314)

At the end of a rainbow is a pot of gold.

At the end of a tomato is a pot of spaghetti.

That which you prefer speaks volumes about who you are.

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Re:he's right (Score:2)
by bill_mcgonigle (4333) * Alter Relationship on Wednesday December 22, @11:56AM (#34642546) Homepage Journal

The technocrats will breed you some rainbow-colored tomatoes and move on to the next problem.
--
My God, it's Full of Source!
Legal defense for freedom activists when you buy @Newegg: http://tinyurl.com/freenewegg

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Re:he's right (Score:0)
by Anonymous Coward on Wednesday December 22, @12:04PM (#34642648)

Why are people even debating philosophy vs technocracy? Why should someone have to choose one over the other? How do people get dragged into such nonsense? Here a new subject for you: tomatoes vs rainbows. Go.

Excellent point--too bad this whole discussion doesn't take this as a starting point.

I'd also add it's pretty ridiculous to be comparing "philosophy" and "computer science" as if they are (a) both homogeneous fields, and (b) have no overlap.

E.g., Russell and Quine have much more in common with Haskell and type theory in my mind than Nietzsche and Kierkegaard.

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Obligatory (Score:2)
by istartedi (132515) Alter Relationship on Wednesday December 22, @12:23PM (#34642858) Journal

Here a new subject for you: tomatoes vs rainbows. Go

Double Rainbow, what does it mean? [youtube.com]

Surprised nobody has posted this yet.
--
For all intensive purposes, "whom" is no longer a word. That begs the question, "who cares"?

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Re:he's right (Score:2)
by RightwingNutjob (1302813) Alter Relationship on Wednesday December 22, @02:37PM (#34644346)
Clearly tomatoes. Rainbows can't figure out what color they're supposed to be, but tomatoes are resoundingly red. Unless they're green.

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Prefs

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A Jogada, Sr. Demo, É Ser Rapazinho

Tá dando um certo bafafá internacional esse tal de Welton Saldanha, cacique de um dos muitos lares do Senhor (a igreja Paz do Senhor Amado) banir o uso de USB pelos fiéis. Alega-se que é por conta de o símbolo da conexão ser a forma de um tridente. Sei não. Vamos a uma rápida comparação imagética.

Hum.... é, eu acredito. Tem toda a cara de um tridente projetado por alguém cuja cara andava cheia de cachaça. E, como todo mundo sabe, a bebida é coisa do demo, então faz sentido. Sem USB, eu presumo que os fiéis tenham que usar CDs ou DVDs, que lembram auréolas. Dá tudo certinho. Particularmente eu não sou contra esse tipo de proibição, desde que tenha alguma lógica interna. E, pra assegurar essa lógica, as pessoas também não podem usar Windows, já que ele vem com Internet Explorer. Também deve haver alguma restrição quanto às suas opções de chiclete. E nada de acessar nenhum site que esteja hospedado num servidor em BSD, hein, Deus os livre!

Francamente, eu não sei se é uma história real, mesmo. Busquei tantas fontes quanto me foi possível, a fim de encontrar uma referência à existência da igreja, nos quarenta segundos pelos quais me mantive interessado. Depois me dei conta de que não faz diferença se a notícia é real ou não. Basta que ela seja verossímil. Se tem nações/estados/nada travando guerras por um pedaço de terra na qual um cara (que, aliás, já morreu - discute-se se uma ou duas vezes) pode ter nascido ou não há dois mil anos, a proibição do uso de uma tecnologia informacional é o de menos. Eu esperaria guerra aos fabricantes e revendedores de equipamentos USB. Que eu não creio que vá existir, porque esse não é o tipo de coisa que escale. O tipo de coisa que pode escalar é uma lenda antiga popular que vai sendo mais e mais adotada e mais e mais adulterada. Um dia nós poderemos estar lutando pela terra onde nasceu Steve Jobs. Ou por conta de vários outros tipos de entidades mitológicas, como o minotauro, a esfinge, o Papai Noel, o GNU HURD. Aliás, nós já fazemos isso. Não há muito tempo teve eleição e eu ouvi várias pessoas brigando em nome de políticos honestos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Nossa Nova Tese: Abdica!

Acabei de não assistir, agora, a dois eventos bacanas. Debate de candidatos à presidência na Band e jogo do São Paulo na Globo. É bacana mencionar que a Globo chegou a 28 pontos de ibope enquanto o debate ensaiou pegar uns 2,5 e acabou ficando com 4. Eu acho que as duas posições mais demagogas aqui seriam dizer "porra! O país não vai pra frente porque o povo irresponsável só gosta de futebol" ou "porra! Esse bando de corruptos aí só roubam, tem mais é que se divertir em vez de ouvir como eles pretendem te foder". Ambas as afirmações são verdadeiras, eu acho. Não sei, não me importo. A parte que me interessa não é a ideológica, é a conceptual. É ver como as pessoas não acreditam ou não dão importância ao sistema governamental mas, ainda assim, insistem em sustentá-lo. Pelos números do ibope, parece bem claro que esse sistema, se leva a sério a idéia de ser democrático, não está funcionando nem um pouco. A galera está vendo um futebas e tomando umas brejas, não estão interessados no governo. Tenham razão ou não, esse é um indicativo importante. A democracia falhou. Francamente, frente a esses números, a única coisa sensata a se fazer seria esvaziar o congresso, parar as urnas e todo mundo começar a pensar em outro jeito de administrar o país. Por que isso não aconteceu ainda? Ei, e se a gente decidisse as questões políticas em partidas de futebol? Pelo menos teria o interesse do povo. E seria bem menos oneroso aos cofres públicos. Na verdade, seria lucrativo. Olha quanta grana esses times ganham, sem cobrar um mísero imposto da galera. Sei lá. O que eu sei é que votar imaginando que, sendo um mísero indivíduo dos 4 pontos do ibope, você vai ter algum poder de decisão significativo, é provar que você devia estar no outro grupo. Talvez o voto devesse ser opcional. Pelo menos a galera do futebol não ia atrapalhar. E atrapalham, mesmo, caso contrário nós teríamos 70% de votos nulos, no mínimo, e não é o que acontece. Engraçado. Parece que eu devia continuar digitando, desenfreadamente, feito um louco, muito embora eu já tenha sido mais que claro. As pessoas descaradamente chamam de democracia algo que demonstradamente não cativa o mínimo interesse da população. As pessoas sabem. E mesmo assim a gente continua com o teatrinho. O que eu acho ótimo, porque faz com que eu me sinta muito superior a todos vocês. Pelo menos até eu me lembrar que já faz algum tempo desde que eu incitei minha última revolução. Mas é que tem feito muito frio.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Sujeito do Anal Dez

Muito me fascina essa dicotomia datenística "pai de família vs bandido". Um é o maior exemplo de pessoa correta, moral, e outro é a chaga da sociedade. É algo como o zardozianismo, mas ao contrário; no datenismo, o pai de família é o ideal e o bandido é o indesejável. Frases-modelo (ditas sempre com asco e ódio): "um monte de bandido, de vagabundo, de canalhas nojentos"; "ou seja: o sistema atrapalha o pai de família e ajuda o bandido"; "aí vem um bandido desses e mata um pai de família e vem alguém me falar de direitos humanos?"; "eu não, cara, sou de respito, sou pai de família, não sou moleque, não sou bandido".

Eu não sei preciso apontar que não são situações excludentes. Um pai de família pode muito bem ser um bandido. Aliás os piores bandidos que eu conheço são pais de família (e espalham por elas empregos públicos). Pais de família são geralmente os maiores sonegadores de imposto de renda, também. É ridiculamente comum. Isso é crime. Só não sei se se encaixa na definição corrente de "bandido". Aliás, falando em encaixar, vamos pensar no estuprador. Quanto mais ele estupra, mais "bandido", mas também mais "pai de família" ele é, concorda? E aí, como é que faz? Se ele morrer num tiroteio, vai sair "mataram um pai de família" ou "mataram um bandido" da boca do José Luiz Datena? Ou fica o estupro sendo um crime autoabsolvente que não concede privilégios, numa anulação mútua de cargas carismáticas opostas? Aliás mútua, não, porque o cara só vai ficar devidamente balanceado carmicamente contados uns nove meses do crime. Se estuprar sempre mulheres férteis e em períodos favoráveis, claro, o que exige um certo trabalho de pesquisa. Acho que é o preço que se paga por ser correto.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Agir Fino: Pinto na Fralda

Eu sou a favor da pornografia infantil. Antes que consigam erguer as pedras mais pesadas, é importante eu diferenciar: eu disse que sou a favor das imagens/vídeos/CDs e K7s/desenhos/figurinhas autocolantes/pinturas rupestres/quadrinhos, não disse nada quanto aos atos pedófilos propriamente (mas não tenho nada contra eles também, afinal já sou "de maior", então não é problema meu e ninguém é qualificado pra opinar a respeito dos problemas dos outros).

Proibir um mané de bater punheta claramente não deve estar na lista de prioridades do governo, caso contrário bastaria passar uma lei que requisesse todo filme ou ensaio fotográfico ser protagonizado pela Hebe ou algo de similar apelo erótico (Walter Mercado, um bode, um soquete de tomada etc.) e fim do problema. A idéia é coibir a exploração das crianças para criação do conteúdo, já que elas não são consideradas aptas a tomar decisões sobre seus corpos e tudo mais.

Claro que aí não faz tanto sentido assim punir as pessoas pelo repasse, afinal o crime vitimado, mesmo, só ocorre na produção. Seria como fiscalizar leis trabalhistas mas permitir no mercado a entrada de produtos feitos sob condições sub-humanas (foda-se a reforma ortográfica! fight the power! yeah!) de labuta em paisecos. Você não sai por aí prendendo quem vende ou quem compra bugigangas chinesas (nem quando tecnicamente devia, no caso da 25 de Março). Nunca vi ninguém sair algemado depois de comprar um carro que poluísse mais do que o permitido - é a empresa, o produtor, quem deve arcar com os problemas da produção.

De certa forma, é algo como o contrário da droga. O problema principal dela está na exploração, pelo traficante, de um cliente bioquimicamente fidelizado e do que esse cliente faz quando está doidão. Crescer seu matinho ou moer seu pozinho não têm nenhum efeito imediatamente negativo à sociedade, então não deveriam ser punidos. O certo seria cada um crescer sua própria droga e ver meninas bolinadas pelos outros e ninguém ir preso.

Se alguém se der ao trabalho de aplicar testes de QI ou conhecimentos escolares primários às atrizes do rol pornográfico (ok, as que fazem parte dele à frente das câmeras ligadas), vão perceber que elas têm mais ou menos a mesma capacidade mental das crianças. Mas esse raciocínio provavelmente não está correto, porque o fato de elas estarem não só ganhando dinheiro por sexo - e com gente profissional e atraente, numa espécie de seleção inversa à das prostitutas - mostra que elas devem ser bem mais espertas que a maioria do pessoal que busca dinheiro pra ter sexo, preferivelmente com gente bonita, e não tem a idéia de juntar as coisas.

E tudo bem que pornografia infantil seja proibida porque se assume modos de criação perversos - mesmo que voce dê um docinho para a criança em troca das fotos. Mas e imagens gerontófilas? Pessoas muito idosas, especialmente se tiverem alzheimer, têm a mesma capacidade - se não menor - que crianças de consentirem quanto às suas participações em atos de forte índice putárico. E os filmes pornográficos com retardados, com comatosos, bêbados e convulsionantes, como ficam? Por que não têm leis restritivas? Hipocrisia! Hipocrisia!

Eu sigo sem nada contra a trindade drogas (em pó, pílulas, solução e em estado natural, desde que sem agrotóxicos), sexo (e todas as suas subdivisões mais ofensivas) e rock and roll (especialmente o satânico), desde que nada seja feito sem a permissão dos envolvidos. E boa sorte pra ter o consentimento de Satanás pra usar o nome dele nas músicas, porque ele é um cretino.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

E É Coro Dos Capados

O processo de adoção é algo bastante curioso. Vem uma pessoa qualquer à sua casa para julgar se você tem um "bom ambiente", um "lar estável" e realiza uma entrevista a fim de ver se você está apto(a)* a cuidar de uma criança (pelo menos pelo que eu vejo nos filmes da TV, minha fonte de pesquisa). Isso é de horrorizar profundamente os mais igualitários dentre nós, porque esses prováveis filhos de putas cocainadas já chegam à vida com pais criteriosamente selecionados. Você pode até imaginar que talvez seja um tipo de justiça kármica transgeracional, ou seja: a genitora do fetinho hemoptizado se estrepou e por isso o subproduto do caminho até essa estrepice sai pra vida já com uma certa vantagem. Mas, pensando bem, é um tipo de hegemonia matriarcal deeneática da estirpe em questão, afinal mamãe passou a vida cheirando e metendo - e ainda era paga pra isso. Então ela cospe uns bebês, sai do melhor emprego do mundo para entrar para a história ou encaçapa a prole num cesto de lixo e esse bebê já sai com um pé à frente dos outros. Se for uma mulher, então, talvez siga pelo rumo que os genes sugerem, especialmente após descobrir, em plena adolescência, que é adotada, formando um círculo vicioso. É injusto, veja bem. Um modo de amenizar essa diferenciação seria restringir o questionário pré-adotivo a duas questões: "você é fértil?" e "você é atraente ou, pelo menos, não repulsivo, possui uma quantidade significativa de dinheiro e/ou freqüenta lugares onde se consome álcool?", que são as mesmas para as quais a natureza exige respostas afirmativas. Ainda assim, para ser um processo realmente justo, digno de comunas, a criança deveria ser adotada por pais escolhidos aleatoriamente, não por quem se voluntaria pedindo por uma criança. Porque também é injusto que a maquininha de cagar fazendo a transição da guarda estatal para uma guarda privada obtenha seguramente desta segunda o desejo de um relacionamento - afinal não é assim na natureza e eu apresento como prova dessa afirmação a existência de crianças para adoção. E o carnaval.

*Ok, apta. Porque convenhamos que homens só querem adotar menininhas de quinze anos ou mais (e não muito mais).

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Cinematica Do Figo

Este blog está ficando imagético demais pro meu gosto, mas eu preciso comentar duas más idéias vistas no mesmo dia.


A primeira é esse cachorro aí, que deve ser o mais anti-higiênico que eu já vi. De acordo com a plaquinha, ele quer que você não limpe a parte mais introvertida das suas nádegas. Em defesa dele, caso alguém estivesse prestes a me esfregar num cu sabidamente sujo, eu também trataria de me munir de plaquinha semelhante. O que torna o desenho duplamente perturbador, porque eu não quero esfregar cachorros fofinhos no meu cu, salvo no carnaval. Sério, não rabisquem nada do meu papel higiênico. Não tem possibilidade no mundo de um desenho que não vá me perturbar.


Aqui vem outra idéia curiosamente prática, mas que também não deixa ninguém mentalmente confortável. Já é um hospital do SUS, que não é conhecido por aí como o melhor sistema de saúde que se pode conseguir, e os caras resolvem colocar, num táxi estrategicamente posicionado frente à entrada, um anúncio que, se eficiente, é altamente aterrorizante para os pacientes. Eu, pessoalmente, ia a esse hospital na semana passada; mas, depois de ler o vidro traseiro, resolvi me costurar em casa, mesmo. Ficou quase bom e eu ainda econimizei uns trocados usando carne de segunda.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Xona, Bixinho

Eu sei que já passou a moda e tudo mais, mas eu ainda sinto que preciso me expressar a respeito da onda do xixi no banho. Eu adotei uma posição de silêncio respeitoso. Sabe aquele silêncio digno, cheio de pompa, a quietude dos cautelosos? Pois é, grande merda. Xingar as coisas é muito mais gostoso. E eu me sinto bastante inclinado a xingar, basicamente, dois lados dessa história de xixi no banho: quem é pró e quem é contra. E todo e qualquer misto de opiniões a respeito, também, por que não?

Em primeiro lugar, vamos deixar bem claro que xixi no banho é uma idéia panaca. É, legal, economiza uma descarga. E uma descarga de oito litros por dia a cada cento e noventa milhões de idiotas, pra falar só no Brasil, é água pra cacete pra limpar água de cacete. Só que tem o chuveiro lá, jogando água pra baixo, de boa. E ele movimenta mais água que a descarga nesses trinta segundos em que você está se perguntando o porquê de o lançamento balístico de líquidos não ter distância máxima aos quarenta e cinco graus de inclinação. Você pode muito bem desligar o chuveiro durante a mijadinha, mas aí não é xixi no banho, é meramente xixi no ralo. A propósito, pela linha sobre lançamento balístico, você deve ter adivinhado que eu vou cobrir aqui mais as procupações masculinas com o problema. Eu - graças a deus - não tenho muita experiência prática com o urinar feminino. Mas já dá pra ver, pela teoria, que seria algo bem menos prático e altamente objecionável por parte das pernas.

Outra idéia seria você continuar se ensaboando/enxaguando durante o golden shower do seu piso. Isso traz dois probleminhas: a) você tem um esfincter. Ele é um negócio mais ou menos voluntário, mas perceba que você quase necessariamente precisa acioná-lo ao mudar o peso de uma perna pra outra. E ao fazer diversos outros movimentos. Isso é altamente desconfortável e vai afetar tremendamente sua performance, acredite em mim. É ae possível que você aprenda a controlar o esfincter separadamente, aperfeiçoando suas capacidades de mijar enquanto realiza diversas outras atividades. Eu suponho que esse tempo possa ser melhor investido no aprendizado do duplo twist carpado, mas cada um tem uma opinião diferente a respeito de como aproveitar o próprio tempo para aprender inutilidades. b) O outro problema de não parar de se mexer para o pipi é o mesmo problema que demanda que bombeiros não tentem dançar à polka enquanto tentam apagar incêndios. Nada contra paredes de box mijadas, mas eu suponho que você vá querer limpá-las com água que cai do chuveiro, usando as mãos como conchinhas e, de novo, aí está o desperdício de água. Caso você não queira limpar, não ligand para o cheiro de urina, não faz nenhum sentido eu estar aqui digitando para você. Mije por aí à vontade. Nas calças, no sofá, no cachorro, só de sacanagem. Mije ao trabalhar, mije ao cozinhar, mije durante o duplo twist carpado. Porra, tá aí uma manobra difícil. Com isso eu ficaria muito, muito impressionado.

Então xixi no banho é uma idéia panaca. Mas quem é contra geralmente diz que é porque é anti-higiênico ou alguma frescura semelhante. Puta que pariu sêxtuplos! Dá vontade de mijar do olho de um infeliz desses. É sempre um argumento escroto que se coloca por parte dos contrários à iniciativa. E isso é até mais ou menos previsível: tirando o argumento de baixa eficiência do plano, vagamente delineado no parágrafo anterior, não há mais coerentes. Eu, particularmente, teria lançado uma campanha melhor: xixi na pia. Seria mais revoltante, eu imagino, mas muito mais eficiente. A pia não representa desperdício nenhum. A água que vai limpar a porcelana é a mesma que você usaria, de qualquer forma, para lavar as mãos. Bom, que 12% da população masculina usaria, de qualquer forma, para lavar as mãos. O argumento do contra pode até vir, mas provavelmente só daquelas pessoas que costumam esfregar o rosto no fundo da pia e que não sabem que urina é hidrossolúvel.

Se vocês quiserem realmente fazer alguma coisa para ajudar o povo pra lá de imbecil do S.O.S. Mata Atlântica, que começou essa campanha, você pode tomar uma iniciativa: cocô no banho. Sério, já imaginou quantos bilhões de quilos de papel higiênico são utilizados só pra limparmos (mal!) nossas bundinhas? E tudo porque temos preguicinha de lavar nossos rabos direito? Então coma mamão todos os dias ou tome uma boa golada de óleo de rícino e borre-de de amores pela vegetação tropical.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Anencéfalo Repentinoso

Agora, se eu puder contradizer ou, ao menos, floccinaucinihilipilificar o conteúdo da mensagem anterior, permitam-me. É bem verdade que existem poucas pessoas bradando - diabos, existem poucas pessoas sussurrando - coisas úteis, significantes ou interessantes pelos blogs da vida. Não entrando no mérito de que sem dúvida alguma o fato de o Juninho ter dado uns pegas na Carlinha deva ser importante para a Cocotinha (aliás, sem dúvida, não - Cocotinha, sua escrota, não devia estar se importando com esse homem que não presta), a verdade é que muito do que se publica não é de interesse social. E muito menos intelectual.

Mas vamos pensar nisso direito: o que diabos se deve publicar? Como disseram certa vez que diria eu, se eu gosto de cagar na janela, ninguém tem nada a ver com isso. Perfeito. Então pode-se tudo. Mas o que é que faz alguma diferença? Tá, é outro debate infinito acerca do que é fazer diferença, mas vamos atochar a masturbação filosófica cu acima e simplificar ao máximo: o que deve ser expressado é simplesmente o que não costuma ser.

Isso é bastante óbvio. Num meio em que todo mundo diz "eu odeio mintira e injustissa :xxxx s/ scrap naum me add", eu quero ver sendo publicado "adoro estrupar criansinhas :xxxx me add aih frmz". Não que eu necessariamente ache um barato estuprar criancinhas (e não que eu não ache - deixe um comentário com seu endereço, aqui, se você tiver menos de doze anos, só por via das dúvidas), mas eu quero ver sendo exposto algo que geralmente não é. Porque o resto não precisa mais ser, macacada. O que não é contrário ao normal ou, no mínimo, inusitado, é demagogia. E pra isso eu tenho o Datena, o governo e mais setecentos outros nichos específicos de idéias gastas diferenciadas. Porcaria, pra isso tem gente na rua. Pra isso tem o velho que diz "que bissurdo" todo dia quando passa notícia de criancinha estrangulada e depois dá risada de Zorra Total*.

É mais ou menos como o doidão já disse: "não se preocupe com roubarem suas idéias - se elas forem boas, você terá que socá-las goela abaixo das pessoas". E é bem por aí. Se você decidir se esforçar, então que esteja contra alguma coisa. Porque caso contrário, por mim e pelas leis da cinemática, você pode ir embora. Então, sim, essa é a parte repugnante desses blogs de "oioioioioioi comprei meu iPooood XD" - fodam-se você e seu iPod. Uma caralhada de gente compra iPods e você está desperdiçando bits e bytes à toa. Está contribuindo para o encarecimento do tráfego e da hospedagem de informações valiosas na internet por causa das suas porcarias desinteressantes. Igualmente eu não me importo se você tiver terminado seu namoro, se estiver gostando da sua festinha, se estiver animado com o prospecto de dar uma bimbada esta noite. E isso porque eu não te conheço. É pra isso que se publica as coisas: para que elas cheguem a pessoas que não conhecemos. Caso contrário eu posso estabelecer uma linha de contato muito mais direta e pessoal, certo? Especialmente em se tratando de internet, o que se faz é jogar idéias ao vento e ver se elas chegam a algum lugar. E esses detalhes tão pequenos de vocês estão atrapalhando a anemocoria dos meus importantíssimos trocadilhos!

Então nada de ficar publicando detalhes da sua vida e nada de ficar repetindo idéias e sentimentos que todo mundo já conhece, ok? A menos que tenha algo original para colocar neles ou ao menos uma luz nova sob a qual pô-los. O que é que resta? Coisas que sejam contra coisas em número maior e coisas que não se sabe que são coisas. Mais ou menos isso? Ok. Isso seria teoricamente ideal, não? Tirando o fato de todos terem que ficar quase mudos quando as idéias de equilibrassem socialmente em volume, mas isso é algo que não poderia acontecer. Pelo menos não globalmente.

Opa. Que é o que traz problemas. Como eu mesmo já sabotei ali acima, existem nichos e nichos de discursos demagogos. Então, enquanto a idéia de estuprar criancinhas pode ser até já cansativa no meu nicho (toda terça à noite ali na loja da Harley na Cerro Corá, hein, pessoal? Pode aparecer e leva as que for consumir), é possível que não seja para outras pessoas. Como Zezinho dizendo "ai que flor linda dá vontade de apertar e depois cantar e aí socar o Janjão bunda adentro" em seu fotolog pode ser relevante de ele for um fazendeiro texano (pré-Brokeback). É lógico que é mais provável que ele seja só um emo de Perdizes, mas vá saber. A rede não faz distinções.

Em segundo lugar, essa noção de que ir contra o zeitgeist é de alguma valia é um negócio complicado. Lógico que você pode ter um porquê para gritar, espernear e se descabelar, mas ir contra o padrão não deve ser, de modo algum, um tipo de filtro. Nem devia fazer nenhuma diferença. Na verdade o título de contracultura e nossa simpatia para com ela é o que sempre a mata. Qualquer movimento legítimo que se torne expressivo vai acabar atraindo uma manada de idiotas de modo a perder o sentido. Aconteceu com os hippies, com os beats e com Star Wars.

O porquê está largamente aberto a especulação, mas eu diria, como de costume, que é porque as pessoas são umas idiotas. É natural, está no sangue. Nós estragamos as coisas. O movimento hippie foi uma beleza, quando surgiu. Gente desiludida com a sociedade, buscando uma alternativa. Olha que coisa boa. Ah, e drogas pra cacete. Olha que coisa boa. E Beatles. O que já fica meio não tão bom assim, mas a galera gosta, vá. O que foi que aconteceu com os hippies?

Eles foram pro saco. Como e quando exatamente é difícil precisar, mas é mais ou menos seguro dizer que pelo Woodstock as coisas já não iam tão bem e que pelo Altamont Free Concert tudo já estava podre. E hoje os ex-hippies são executivos, trabalham em escritórios e mandam seus filhos tirarem boas notas e obedecerem os professores. Mas tudo bem, porque sempre existem novas gerações de hippies, certo? Certo?

Eu acho que não. Peraí, vamos recapitular pra quem tem ADD: estávamos (e podemos retomar, no final) discutindo o que valeria a pena ser publicado. Eu disse que o que fosse contra o estabelecido deveria ser de alguma valia, mas sabiamente comecei a argumentar contra essa tese. E cheguei aos hippies como exemplo.

É verdade que não tem novas gerações de hippies hoje. Não se identifica uma geração idealista. O máximo que persiste são os mundrungos da faculdade que compram camisa de grife com a cara do Che, mas esses não se pode nem mencionar. Esse povo só é comuna pra comer menininhas (e devem perder feio pros capitalistas, porque esses têm carros além de papo-furado). Nosso grupo de subculturas (e não só aqui, mas globalmente) é de góticos, punks, emos etc. Nenhum desses grupos têm crenças ou bandeiras. Talvez originalmente tivessem, mas foram estragados ainda no começo. Talvez pelo próprio design, é verdade, mas ainda assim deveriam ter resistido um pouco mais.

Por que o que representa um emo? O que ele quer? Poder expressar suas emoções? Bicho, não tem ninguém te impedindo - faz isso à vontade, não precisa usar essas roupas babacas, o cabelinho nojento e se aglomerar com uma ganguezinha se vocês não têm, na verdade, nada em comum entre si a mais que com o resto das outras pessoas. Os punks, pelo menos, tinham alguma ideologia no meio daquelas desfigurações arbitrárias. Que a esta altura do campeonato já foi perdida. Aliás os punks não deixavam de ser hippies hardcore. E a ausência deles me faz perguntar de novo: cadê os hippies desta era?

Cadê o povo que é realmente subversivo? Não necessariamente destrutivo, mas um Larry Darrell da vida. Não tem? Ou finalmente aprederam que contracultura tem que ser algo individual? Lógico que não - as pessoas não aprendem coletivamente, assim, a pensarem de forma mais individual. O que acontece é que hoje a galera que seria hippie se interessa é por iPods, Macs, festinhas e não por uma linha filosófica. Deve estar ligado ao que ocasionou toda essa vontade das pessoas de serem "indies" - como não existe mais uma contracultura para se clamar um rompimento ideológico com o que está estabelecido, a galera usa música para alegar uma certa independência, mas essa música, em si, não exprime nada de único ou diferente. Se destacam por serem desconhecidas. Ou se destacavam, porque hoje até os que se chamavam de indies morreram e todos os seus artistas foram lançados no iTunes e são ouvidos em seus iPods, mp4s e tocadas por seus DJs de fundo de quintal. São um bando de neopaninari tecnófilos. Sabe o que, agora, mais passa perto da contracultura de antigamente? Sabe o que é que ainda é contra as autoridades, faz sucesso na música e é celebrado por aí em festas altamente subversivas? O Comando Vermelho cantando funk. É uma beleza: "meto tiro pela perna, pelas costas", "pra subir aqui no morro até o BOPE treme". Isso aí, moçada, beleza. Essa é a nossa "geração do amor". Flower Power neles, turma do Proibidão. Manda ver, Lil' Wayne. Mp3 na orelha e mp5 na mão.

Bom, não dá pra negar que aí esteja nossa contracultura. Francamente, eu preferia os hippies. Então eu acho que é isso que valeria a pena publicar hoje em dia, segundo eu mesmo há alguns parágrafos. Letras de funk. Os que eu mencionei acima cuidam da parte de serem contra a cultura vigente, mas ainda tem os "originais", as coisas novas, nas quais ninguém pensou ainda. Tipo Dança do Quadrado. Não faz quase nenhum sentido, que é o que quase garante sua originalidade. Crédito pro cara que inventou isso.

Então vamos voltar à estaca zero, deixar regras de publicação pra lá e aceitar os "adhoro meu mozin nhoooom :****", sabendo que a alternativa é a Dança da Motinha 2. Eu poderia e deveria discursar sobre o porquê de a contracultura estar sempre fadada a se degenerar e desaparecer, mas vai que algum representante da atual lê a respeito e acaba tendo uma boa idéia pra perpetuar o funk carioca. Não vou correr esse risco, não.

Não que tenha algo de errado com nada isso. É o curso natural das coisas e, a longo prazo, sabe-se lá se é bom ou ruim. Não dá pra dizer nem a curto. Mas, só pra encerrar, que a gente sente falta de uma geração idealista, sente. Devia ter grupos enormes de gente como o André Dahmer, não como o Dado Dolabela.

*Problema detectado P.S.: se ele ri todo dia de Zorra Total, então esse cara deve estar alucinando, dado que tal "programa" só passa aos sábados. A menos que ele tenha gravados alguns episódios, mas isso é ainda mentalmente mais preocupante que alucinações e - graças a deus - foge à normalidade. Considere o exemplo mesmo assim.

sábado, 8 de agosto de 2009

Sai! Mim Gênio!

Eu mencionei há pouco tempo aqui as love dolls japonesas. Eu vou pular completamente a parte em que eu discorreria sobre o quão complexa deve ser a mente do indivíduo que pensa "sabe de uma coisa? É mais fácil eu fazer minha própria mulher que ir à boate catar umas biscates", pular os cálculos demonstrativos de como seria mais barato se manter à base de prostíbulos (o que eu ainda não comprovei matematicamente, mas que deve seguir a linha do cálculo de gastos anuais com carro próprio versus táxi), e ir diretamente à nossa dose diária de misoginia.

Eu fiquei aqui matutando se existiria algum desses para as mulheres (não por interesse pessoal, eu espero). Eu duvido. Em primeiro lugar porque o Japão é dono de uma das culturas mais estranhamente misóginas, machistas e.. bom, simplesmente bizarras do mundo. Para que isso não seja marcado com o clássico [citation needed] da Wikipedia, eu vou referenciar estupro de menininhas ginasiais por tentáculos gigantes. O Japão é ridiculamente doente. Isso é pra lá de cientificamente comprovado. O que é um empecilho para a produção da versão feminina a menos que ela seja em formato de polvo, venha com uma câmera que automaticamente faça upload para o youtube e só seja vendida em tamanhos insalubres.

Outra dificuldade é que se o sr. Mitsubishi, lá, for à reunião de desenvolvimento de produtos e pedir algo que enlouqueça as mulheres, que as vicie, que as seduza, que as faça gemer, gritar, que seja uma fonte inesgotável de prazer, que até as machuque, que as deixe com as pernas bambas e que seja irresistível, ele poderia sair com um produto bem diferente de um homem artificial. Na verdade, pela descrição, seria algo assim.

Ou talvez fosse alguma coisa mais sofisticada. Algo em que a Skynet deveria ter pensado. Por que fazer vários robôs com a cara do Schwarzenegger? Sério? Não funciona. Você mata um monte de gente, mas os mamíferos cretinos restantes se põem a trepar loucamente e todo seu trabalho tem que ser refeito ad infinitum. O negócio é atacar justamente aí, na habilidade de reproduzir. Se a Skynet desenhasse uma máquina de satisfazer mulheres que funcionasse tão bem quanto ou melhor que os homens, a humanidade seria extinta em poucos anos e sem desperdiçar tantos recursos. E, francamente, não é tão complicado assim, vá. É só pegar um caixa eletrônico e adaptar um vibrador. Pronto, tá desfeita a humanidade. E não só por parte das mulheres. Porque até para aquela fração dos homens para a qual a parte do vibrador pode até ser meio chata, rola uma graninha depois, então tudo bem.

As mulheres não deveriam ficar muito ofendidas com o que eu escrevi. Até porque o que eu estou dizendo é, de um certo ponto de vista, que é muito fácil superar um homem como companheiro. E eu sei que isso pode variar um bocado de espécime para espécime, mas no geral a verdade é que nós somos uns merdas. E eu poderia argumentar isso de várias maneiras, mas, quando possível, prefiro usar somente o Homem-Aranha. E aí? Aquela idéia do caixa eletrônico com vibrador está parecendo cada vez mais interessante, não?

(A propósito, alguns dos links contidos aqui são bastante perturbadores. Eu espero que você comece lendo textos de baixo para cima para que este aviso tenha efeito.)

sábado, 18 de julho de 2009

Esfregando Genitais

Talvez não seja segredo para ninguém que o objetivo do jogo da vida é esfregar os genitais. O modo clássico seria esfregar esses genitais nos genitais de um ser humano do sexo oposto, mas há inúmeras variantes desse ato. Aqui vai um rápido excerto do que parece ser um anúncio pessoal publicado neste endereço:

“Tenho 42 anos, 1.71 de altura e 68 kg, cabelo castanho e olhos azuis.
Eu procuro mulheres gordinhas o gordas, maduras (50 a 65). Eu adoro muleres gordas, maduras.
Eu quero que você se desvista lentamente e fique posando assim commo Deus te fez. Eu vou te beijar os pés – eu quero lamber teus pés, quero pasar a minha língua carinhosamente entre os teus dedos do PE – quero esfregar e meu penis na tua planta do pe. Despues eu delizo lentamente com a minha língua por todo o teu corpo lambendo cada milímetro do teu corpo delicioso. Vou lamber intensivamente as tuas barrigas de perna, as tuas coxas que me enlouquecem – quero acariciar, beijar e lamber as tuas nadegas, quero esfregar a minha cara na tua bunda – e quero lamber a tua bunda profundamente si tu gostas – quero beijar os teus seios, acariciar com as mãos e o meu penis – quero esfregar o meu penis entre os teus peitos – quero beijar todo e tudo outro vez”

Ok, isso deve gerar mais daquele tráfego de sempre para o blog. Vamos notar que em lugar nenhum do anúncio esse simpático gerolipófilo (que palavra linda para algo tão... não tão lindo assim mas que naturalmente não deve ser encarado com nenhum tipo de preconceito neste blog neoliberal) ele mencionou querer fazer o bom e velho sexo. Nada de genitália vs. genitália. É mais ou menos como um soldado da idade média ficar dando espadadas no muro do castelo em vez de invadir, mas tudo bem. Afinal cada soldadinho faz como quiser e às vezes a intenção não é tomar o castelo, é só quebrar a espada - ponto em que eu já me perdi na metáfora.

De qualquer forma, há variantes mais ou menos curiosas desse fenômeno, como a vagina artificial. É um conceito já bastante conhecido, eu imgaino, basicamente para o homem que quer ter um orgasmo mas não quer sujar as próprias mãos. É mais acessível que o aluguel de um capô de fusca e pode até ser feito em casa, de acordo com http://bobagento.com/tutorial-como-fazer-uma-vagina-artificial-caseira/. Eu transcreveria em detalhes o processo de montagem, mas sinto que as fotos ilustram melhor. Caso você esteja usando um navegador em modo texto, tipo DOS, então eu vou passar uma idéia do conceito - até porque você é um forte candidato a usuário do produto. Pense em uma embalagem de Toddy, duas esponjas Scotch Brite envoltas em sacos plásticos e voilá. Um design simples e dubitavelmente funcional que garante esse fingido uso do produto real*.

Pois bem. Eu não estou aqui a ser puritano - eu acho que as pessoas podem esfregar seus genitais onde quiserem. Aliás, se eu tivesse um brinquedo desses aqui, provavelente esta postagem não estivesse sendo digitada, mas eu estou me desviando do assunto. O raciocínio esquisito é que todo mundo quer esfregar seus genitais. Por que é mais fácil esfregar seus genitais em objetos (e é, por mais Don Juan ou Rita Furacão que você seja - pode testar agora mesmo no seu monitor pra ver como é fácil) que esfregá-los em outros genitais que querem ser esfregados? O objeto não tem vontades, então mesmo partindo do princípio de que esfregar os genitais em qualquer coisa é igual, você teria vontade x1. Ao passo que dois genitais teriam vontade x2, o que quer dizer que estatisticamente seria mais provável que genitais fossem esfregados uns nos outros, especialmente em áreas densamente povoadas.

É meio perverso que exista uma indústria de vaginas e pênis artificiais quando existem tantos pênis e vaginas buscando pênis e vaginas. Pênis e vaginas. Pênis e vaginas. Bilhões deles. Será que é culpa da nossa habilidade social tão ruim? Ou uma conspiração cuidadosamente criada pelos fabricantes de bolsas, sapatos, carros esportivos etc? Eu adoraria expandir esse raciocínio sobre o assunto, mas estava revisando o texto e agora preciso limpar o monitor, então fica para uma próxima. Se você gostou dos produtos, procure também pelas Real Dolls, a versão extrema, do (surpresa!) Japão.

*“Real” como em “de verdade”, não como em “da realeza”. Se bem que você pode simular a vagina da Elizabeth II com esponjas gastas e meio picotadas com uma tesoura. Esqueça os sacos plásticos e use o lado verde para mais realismo.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sim, Dedada Porque Um Senhorio Devasso Gozô Cem

Outro dia eu li um longo comentário choroso a respeito do vôo 447 da Air France no site de um comediante (B, diga-se de passagem). Tem algo errado nisso. Aliás tem algo duplamente errado. Em primeiro lugar, foda-se o vôo da Air France.

De um ponto de vista marxista, é bom que essa porcaria tenha caído. Só tinha ricaços a bordo daquele ônibus dos abonados, o que faz desse vôo uma vitória para a classe menos abonada.

De um ponto de vista progressista, nos demos bem. Tinha gente da família real naquele vôo, pelo amor de Deus. Quer coisa mais ultrapassada?

De um ponto de vista ambiental, é ótimo um avião a menos no mundo. Aviões são não só o meio de transporte menos eficiente em termos de consumo de combustível, mas também o mais eficaz em se tratando de poluição atmosférica, porque já jogam suas porcarias já nas mais altas camadas gasosas. É tipo o Sedex da Exxon Mobil entregando direto na casa do capeta. Eu não me lembro se o Capitão Planeta alguma vez salvou um avião no desenho, mas se salvou, eu vou parar de acreditar na integridade do azulão.

De um ponto de vista relativista, muito mais gente morre todos os dias em outras circunstâncias diversas e não têm essa atenção toda. Se você quiser mesmo desperdiçar sua empatia na morte de um monte de gente que você não conhece, então pra não ser hipócrita tem mais uns milhõezinhos igualmente importantes pra você. Mas você não se sente mal por eles, se sente? Seu merda.

De um ponto de vista malthusiano, é ótimo ter menos gente na Terra. Já estamos sofrendo com superpopulação e consumindo mais recursos do que seria sustentável. Vamos lá, vamos matar mais um bilhãozinho e aí o negócio começa a ficar bom.

De um ponto de vista humanitário, embora seja trágico ter perdido 228 vidas, é preciso se lembrar que, dessas, 61 eram francesas, então acaba compensando.

De um ponto de vista teocrático, Deus fez o homem pra ficar com os pés plantados no chão, e as aves pra voar. O homem tenta voar, Deus joga um raio nesses filhos da puta que não entendem as regras. Um raio, um efeito estufa, um buraquinho na camada de ozônio... aparentemente Deus é ambientalista.

De um ponto de vista waterworldiano, quando os oceanos engolirem a Terra, nós vamos ter mais um pedaços de metal boiando por aí para construir plataformas e barquinhos.

De um ponto de vista schopenháurico (é!), livramos uma porrada de pessoas de um ciclo infindável de sofrimento e ansiedade. Eu acho que isso engloba também Sartre, Pearce e mais uma porrada de pentelhos.

De um ponto de vista gravitacional, deu tudo certo, então taí um ponto pras leis de Newton. Imagina a merda que seria se o avião falhasse mas não caísse, ficasse parado no ar. O mundo ia virar de pernas pro ar, a lua se soltaria da Terra, a Terra do Sol, a vida como a conhecemos deixaria de existir!

Eu tenho outras trocentas razões, mas daqui em diante elas vão perdendo um pouco do poder argumentativo percebido, então eu vou deixar só essas aí, a título de amostra. Bom, então está bem estabelecido que o vôo da Air France que se foda, certo? Vamos passar à segunda parte do erro: um comediante (mesmo que muito, muito ruim) não deveria descer ao nível de escrever algo triste. Isso não serve só pra Air France, mas também pra qualquer escritor que troque a comédia pelo drama, qualquer ator que troque, digamos, Ace Ventura por 23 (ou ainda tente mesclar os gêneros, criando Cable Guy). Humor é moralmente superior ao drama.

Humor tem um efeito agradável no receptor. Isso já é um bom começo. Você se sente mal, geralmente, ao experimentar tristeza. E se sente bem quando experimenta humor. Sabendo disso, quem é o monstro que gostaria de espalhar tristeza mundo afora? Um filho da puta tipo o Walt Disney, que fez coisas como Bambi; milhares de autores, atores de diretores. É pura maldade. Tudo bem, a gente tem um mecanismo esquisito que nos faz achar bonitas as coisas tristes, mas é esse mesmo mecanismo que nos faz perseguir essa tristeza a fim de podermos ser “bonitos”, então acaba por ser perverso ao quadrado.

Então abaixo a seriedade e o drama. Se você quiser escrever algo indutor de transtorno psicológico, como Ensaio Sobre a Cegueira, Um Copo de Cólera, Angústia e similares, mande uma jurinha de morte. Algo do tipo “tá fodido, de amanhã não passa – vai morrer, filha da puta” parece bom. Ganha pontos extras se escrito em sangue ou com picotes de jornal. Mais rápido, simples e eficaz que um livro enorme e cheio de figuras estilísticas e de linguagem. Poupa tempo de todo mundo, poupa árvores e gera empregos na polícia.

Podem argumentar que é difícil transformar tudo em comédia. Mas não é. É muito fácil. Veja, por exemplo, como poderia ficar uma notícia simples de jornal. Ela originalmente seria “Mãe de Seis Crianças Mata Três de Seus Filhos para Alimentar Cachorro”. Triste. Depressivo. Vamos mudar. Que tal “Mãe de Seis Crianças Mata Três de Seus Filhos para Alimentar Cachorro! Hahahahaha!”? Muito melhor, não? Se quiser apimentar ainda mais, tente “...e Aí O Português Disse 'Mãe de Cinco Crianças Mata Três de Seus Filhos para Alimentar Cachorro!' Hahahahaha!”. Entendeu a piada? O português é uma besta, errou tudo. A mulher era mãe de seis, não de cinco. Hahaha. Foda... Enfim...

Pros que dizem que humor pode ser inadequado às vezes, como, digamos, num livro didático, técnico ou filosófico, eu declamo que não. Não tem nada que nenhum filósofo tenha dito, em lugar nenhum, que não possa ser encontrado numa piada. Piadas didáticas podem ser criadas, também, embora não pareçam ter muito potencial cômico.

Vamos lá, pessoal. Não custa nada recompensar alguém por perder tempo com suas asneiras idéias com uma piadinha aqui e outra acolá. O mundo seria um lugar muito diferente se O Capital fosse um livro engraçado - pensem nisso.

Ah, o comediante ao qual eu me referi algumas vezes é o Rafinha Bastos. O mundo não seria muito diferente se ele fosse engraçado, mas podem pensar nisso também se sobrar um tempinho.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Reter Vôo: Paraquedismo

Outro dia nas minhas andanças eu vi uma cena muito curiosa. Um rapaz fez contato visual com uma fêmea da mesma espécie e pôs-se a dançar perto dela. Puxou um papinho babaca sobre amenidades e os dois foram dizendo algumas asneiras em uma comunicação desconfortavelmente esparsa até que o sujeito observado se inclinou para um beijo e foi recusado. Alguém menos atento poderia atribuir o fracasso do jovem ao seu bigode, à sua calvície, à sua braguilha aberta ou às horríveis marcas de queimadura que cobriam o lado de sua face oposto ao terrivelmente afetado pelo derrame. Mas eu, amigos, sei que o problema principal dele foi não ter o molejo conversacional necessário para garantir um intercurso sexual. E, na minha missão de bom samaritano, irei doar aqui algumas de minhas cantadas infalíveis para o domínio público. Com comentários para fácil entendimento do processo. Povoem a Terra, queridos.

Número 1: Arquétipo Perfeito:
Vamos começar com a cantada do arquétipo perfeito. É grande verdade que as mulheres não sabem o que querem, mas elas pensam que querem um rapaz bem-apessoado, inteligente, educado, surpreendente, atencioso, honesto, direto e humilde. Use isso contra elas. Apresente-se como tal e, confusas, elas vão dar para você antes de perceberem que esse modelo idealizado não é o que elas querem. Trocando em miúdos, a conversação vai ser exatamente assim:
Você vai chegar de smoking, não importando a ocasião. [bem-apessoado, ok?]
-Oi. Posso fazer sexo com você? [lembre-se: direto]
-Quê? [indica surpresa ou surdez, ambos pontos estratégicos valiosos para você]
-Eu queria saber se a gente pode fazer sexo, por favor. [entra a educação]
-Sai fora, seu louco. Vai pra longe de mim. [não obedeça, caso contrário você terá que gritar muito alto para completar o diálogo e isso pode fazer mal à sua garganta - pratique cantadas seguras]
-Por favor, vai? Pode ser ali num cantinho mesmo. É rapidinho. Coisa de vinte segundos. [mostre que você valoriza o tempo dela e seja humilde]
-[aqui ela ainda deve estar boquiaberta, olhando para sua cara, confusa, e você vai engatilhar uma explicação]
-Veja bem: eu sou educado e gostaria da sua permissão antes de fazermos sexo. Tenho certeza que você valoriza sua própria opinião no que diz respeito à sua sexualidade e prefere alguém como eu, um podófilo, ou seja, que gosta de ouvir a mulher dizer que pode, sim, ser comida, a um estuprófilo [palavras grandes mostram sua inteligência].
-Tem razão. Vamos.

Atalho:
Quando ela estiver boquiaberta, introduza seu pênis neste ponto vulnerável.

Número 2: Desarmando a Retórica
Para mulheres que mexam com artes e outras porcarias semelhantes, pose de intelectual criativo. Para isso basta um monólogo. Se a mulher resolver interrompê-lo, faça como de costume e ignore completamente:
"Veja bem: eu penso que hoje em dia as pessoas andam muito limitadas, bitoladas. Presas ao status quo e acostumadas ao zeitgeist. Nós devíamos estar sendo inovadores, sacudindo os fundamentos das idéias, baby. Mas isso está além do alcance de muitas pessoas, o que é esperado em uma sociedade na qual somos doutrinados desde a mais terna infância para pensarmos como todos os outros. Até nosso idioma é revoltantemente despido de originalidade. As palavras significam o mesmo para todas as pessoas. Que coisa ridícula! Deveríamos abolir dicionários. Faça algo comigo: vou pensar em uma palavra e atribuir a ela um novo significado, o primeiro que vier à minha cabeça. Por exemplo, à palavra 'sexo'. [Olhe para ela agora com afinco]. Tá, com essa não deu certo porque ela ficou igual. Vamos passar à palavra 'telégrafo'. Pronto. Agora a palavra 'telégrafo' significa, para nós, um sinônimo de 'sexo'. Para a próxima palavra, 'talco'. Vamos mudá-la para algo selvagem, animal. Que tal 'sexo'? Pronto, agora "talco" é o mesmo que 'sexo'."
Prossiga mudando as palavras até que qualquer conversação que vocês tentem depois seja sobre sexo e você está garantido.

Atalho:
Mude apenas as palavras "não", "jamais", "nunca" e similares para "sexo" ou "agora" e proponha um intercurso sexual. Ela não vai ter como negar.

Número 3: Gaantindo a Sobremesa No Jantar
Uma das minhas favoritas até por ser simples e curta. Dê um jeito de arrumar um jantar com o objeto de suas afeições e peça licença para "ir bater um mijão". Ao retornar à mesa, deixe seu pênis exposto, saindo pelo zíper da calça, e pare próximo à face de sua acompanhante. Caso ela o avise sobre a braguilha, você tem duas opções: a) finja sincero engano, peça desculpas e sente-se. Só então pergunte "mas e então... viu algo de que tenha gostado?"; b) pergunte "ah, quer que embrulhe pra você levar pra casa?". De qualquer jeito, é tiro e queda.

Atalho:
Tente, ao voltar o banheiro, aproximar bastante seu pênis, de forma a tocá-la. Isso já marca o início do ato sexual.

Número 4: O Aroma de um Sedutor
Outro método rápido, seguro e eficiente. Você vai tirar um paninho do seu bolso e perguntar à moça "ei, você acha que isto aqui está com cheiro de clorofórmio?". Sim, vai ter cheiro de clorofórmio. E você vai ter sexo. Algumas pessoas desgostam desse método, julgando-o equivalente a "por favor, senhor, eu gostaria de alguns minutos a só com o corpo, para me despedir" ou ainda a "Zé, põe esta peruca aqui", mas eu vejo distinções. De qualquer forma, use à vontade se você achar que é um método para você.

Atalho:
Aqui fica difícil porque já é um método rápido. Você pode chegar já com as calças arriadas e se acariciando, mas por algum motivo isso pode diminuir as chances da mulher concordar em cheirar o paninho que você oferece.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Encher Só De Cu

Eu não achei que estivesse deprimido. Mas agora eu acho que mudei de idéia. Tudo estava legal até eu receber o seguinte anúncio do Google no meu Gmail: “Sente-se deprimido? - www.conhecerdeus.com/depressao - Deus quer ajudar-te Basta pedir-lhe”. Naturalmente eu imaginei que o filtro de palavras-chave do Adsense fosse uma porcaria e tivesse encaminhado um anúncio a alguém que não fazia parte do públio-alvo, até porque ultimamente não tem tido nenhuma conversa com o CVV na minha caixa de entrada. Mas, depois, olhando mais de perto, eu vi que tenho muito com que me preocupar e que o Google é muito mais sábio do que parece.

Minha caixa de entrada tem muito indícios de depressão. Nem sei por onde começar a relatá-los. Vamos lá, vejam se não é um mais triste que o outro:

*Um e-mail sobre “Magaiver” [sic] contendo a foto de um clipe;
*Um contendo uma tabela de conversão métrica de parafusos;
*Notificação de novo seguidor do Twitter (acho que só estar no Twitter já te qualifica para o anúncio relatado);
*Notificação de novo seguidor do Twitter (duplo!);
*Notificação de novo seguidor do Twitter (e ainda é tudo bot!);
*Longa discussão sobre Billy Bob Thornton (C-C-C-C-C-COMBO BREAKER);
*FW: Dioxina (não sei se mais grave é o assunto ou o “FW”);
*Diagrama elétrico de uma CB400 1983;
*Algo sobre um hipopótamo entrepreneur que maltrata seus funcionários;
*Resposta da BS Colway sobre a linha de pneus ecológicos (por quê, deus? Por quê?);
*FIA – Fundação Instituto de Administração: Pós-Graduação em Mercado Imobiliário (a cereja do bolo).

Eu naturalmente omiti todos os “Enlarge Your Penis NOW” e “Viagra: stop shooting pool with a rope!” respondidos por mim com “sim por favor preciso muito ajuda!!!” e outros de nível equivalente, mas mesmo após a censura, estou convencido de que tenho motivos para me enforcar. Então adeus, mundo cruel. Vejo vocês no inferno, que deve ser muito parecido com onde estamos agora, mas onde o correio eletrônico não tem nenhum filtro de spam.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Auto Dum Niilismo Dadá

Dia Internacional do Autismo é algo tão fantasticamente engraçado que me deixa sem palavras. Em primeiro lugar porque ele se baseia naquele conceito bacana de que é legal se importar por um dia com alguma coisa que não afete sua vida diretamente. Talvez você doe um dinheirinho pra se sentir socialmente responsável e uma boa pessoa. E depois passe a esquecer completamente o assunto, esperando sem ansiedade pelo próximo dia de alguma disfunção. Em si e só, isso já é bastante curioso.

Alguns argumentos podem ser feitos e não sem boas doses de verdade: o dinheirinho que você doa realmente ajuda, mesmo que você seja um babaca hipócrita. E conscientizar a população sobre um problema tem o potencial de melhorar a vida dos portadores, mesmo que marginalmente. Não ter que ficar incessantemente explicando os detalhes do tipo de câncer, por exemplo. Afinal todo mundo já vai saber alguma coisa a respeito e não vai precisar ficar perguntando o que é para fingir interesse.

Neste caso em específico, no entanto, o legal é que o dia é originalmente o “World Autism Awareness Day”. Então eles não querem dinheiro. Eles querem só que vocês percebam que existem autistas. E é onde a coisa fica legal. Em primeiro lugar, existe a escolha de mau gosto da palavra “awareness”. Sério, qualé? É algo como fazer um triatlo em prol dos aleijados (e depois jogar maçãs neles). É quase cruel. “Ei, seus estúpidos, vejam como é que se percebe as coisas! Olha só! Olha aqui como eu percebo vocês! Hahaha! Tomem essas, seus autistas imundos!”. Como deveria ser de conhecimento público, no entanto, “quase” é uma negativa. E essa crueldade do cruelando não chega ao cruelado porque autistas simplesmente não se importam com o que diabos você pensa. Eles são provavelmente as únicas pessoas do mundo que estão cagando pro que você pensa.

Veja bem: foda-se você se estiver zombando de um autista ou se não entender a condição dele. Ele está ocupado demais desenhando círculos com giz de cera na própria perna para sequer notar sua existência. Os únicos jeitos que eu conheço de incomodar um autista são roubar seus pertences ou enchê-lo de tabefes, mas eu conduzi experimentos que parecem mostrar que isso também incomoda não-autistas, então eu acabo não vendo vantagem nenhuma.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

I Want Mark

-Sabe que Mark Twain dizia que, se nós pudéssemos cruzar um homem com um gato, melhoraríamos o homem, mas estragaríamos o gato?
-Bom, duvido quanto a melhorar o homem, mas me parece bem óbvio que isso estragaria o gato.
-Não, seu animal. Ética e moralmente.
-Sério? Esse cara era de alguma tribo maluca? Eu posso imaginar como um rito de passagem: "meu filho, você não é um homem de verdade até currar um bichano". Deve ser muito difícil.
-Em termos da carga genética de um descendente hipotético, seu estúpido.
-Ah. Bom, faz sentido. Os genes do cara que se voluntariar pra um negócio desses não devem ser os melhores que a raça humana pode oferecer, mesmo.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Teu Aroma Gaseado

Os dois homens pararam por um segundo. Cada um deles olhou bem profundamente nos olhos do outro.

-Ah, é?

-É.

-Pois sua mãe é tão gorda, mas tão gorda...

-Por favor, sr. presidente... - tentou interromper o ministro da fazenda.

-...que quando mostrou a bunda pro seu pai, ele virou um lobisomem!

-Ok, senhor, minha mãe é gorda - prosseguiu o assessor de imprensa, mais desapontado que bravo - mas anunciar isso não refresca em nada a nossa situação.

-Tá, tá, eu preciso pensar.

-Infelizmente, como eu expliquei, não temos esse luxo. Precisamos soltar uma nota agora ou estaremos em maus lençóis não só com o eleitorado mas também internacionalmente.

-Ora, consiga-me mais tempo!

-Já enrolei o quanto podia, senhor. Precisamos de uma nota oficial agora.

-Ah, é? Pois sua mãe é tão gorda, mas tão gorda, que a NASA usou a pança dela pra forjar o pouso na lua!

-Senhor, por favor, eu lhe peço - se intrometeu o ministro de relações internacionais - que encontre outra forma de lidar com a frustração, diferente de ressaltar o índice adiposo de progenitoras alheias comparando-as à lua.

-Tá, tá, eu preciso pensar.

Deu-se uma breve pausa em que todos da sala tomaram um pesaroso gole de café.

-Podemos dizer que foi um acidente e que nós não temos nada a ver com isso.

-Com todo o respeito, senhor, se isso fosse remotamente viável, não estaríamos nessa reunião. Na verdade, é a solução que eu esperaria de uma criança de quatro anos de idade que quebrou o abajur da sala.

-Tem razão. Então prepare um jipe para mim.

-Um jipe, senhor? Por quê?

-Porque sua mãe é tão gorda, mas tão gorda, que eu quero usar as celulites dela como dunas.

Em um canto discreto, o secretário geral de afazeres do gabinete central cochichava para o encanador:

-Acredita que esse cara teve mais de setenta milhões de votos?

-Infelizmente, doutor. Tendo em mente a decadência inteleco-moral que se apresenta reversamente proporcional ao número de indivíduos que compõem a amostragem, a democracia é um conceito, digamos, de eficácia duvidosa. Sua implementação na forma de presidencialismo é também muito interessante por ser altamente contraditória. Partindo do pressuposto acertado de que o povo é demasiado incompetente para o governo, dá-se a essa massa estúpida confessa a incumbência de selecionar aquele que irá administrá-los. Supõe-se que seja alguém mais capaz e inteligente que o coletivo e que, portanto, vá tomar decisões diferentes das que seriam as abraçadas pela população. Então o que se faz, trocando em miúdos, é captar um representante que tem o dever de não representar, e deixá-lo entre a cruz e a espada: se fizer o que o povo deseja, terá como resultado um trabalho porco e será crucificado; se fizer um bom trabalho, irá de encontro a seus sustentáculos políticos e perderá o emprego. Então só resta a opção de comprometer o trabalho agindo como uma prostituta popular e mentir para os que o elegeram sobre a maioria das boas manobras que conseguir bolar. Como se o técnico de um time de futebol fosse compelido a manter os jogadores alheios às táticas necessárias ou, até, à intenção de marcar o gol.

-Ah, você viu o jogo do Mengão ontem? Baita gol do Ricerinho, hein?

-Golaço.

Voltando ao debate principal, as coisas estavam esquentadas por causa de uma idéia ousada do chefe do programa espacial. Idéia essa tão ousada que mereceria duas ressalvas do tipo mãe/lua seguidas por parte do presidente, não fosse ele o maior defensor da proposta.

-Inadmissível! Milhares de carcaças?

-A gente explica numa coletiva: "Fodam-se os golfinhos! Estamos no meio de uma crise e devemos fazer o que for necessário." Ou será que eu preciso falar da mãe de mais alguém daqui?

-O problema é que golfinhos são extremamente populares. Despejar dois mil corpos de golfinhos certamente resolveria o problema, mas acabaria sendo um desastre de relações públicas ainda maior! E, em uma nota adicional, eu também não recomendaria o uso da frase "fodam-se os golfinhos" em entrevistas.

-Droga. E se usarmos algum outro animal, como cachorros?

-As pessoas gostam de animais em geral, senhor, e o povo é muito sensível. Quaisquer milhares de carcacinhas e já vamos ter uma porrada de ativistas e ecochatos a reclamar.

-E se...

-Pessoas também são animais, senhor, e pessoas gostam de pessoas, ou pelo menos tentam se convencer disso, se essa seria a próxima sugestão do senhor. -acrescentou o assessor de relações públicas.

-Sua mãe é tão gorda... - começou a retrucar o presidente.

-Meu dentista me disse que existem doze problemas bucais... - falhou em fazer-se audível a TV.

A balbúrdia só se resolveu quando o bobo se fez valer e sultilmente retirou da conversa os elementos menos colaborativos, maravilhando-os com um hábil truque que causava a impressão de ele separar e depois unir novamente duas metades de seu polegar. Batalha vencida, guerra perdida, pois o resultado foi, surpreendentemente, uma revolução popular que depôs o governo e dizimou os golfinhos. E, dando ainda mais créditos visionários ao então ex-presidente, "fodam-se os golfinhos" virou o slogan do seu sucessor eleito, proponente de um claro e óbvio plano reprodutivo para a espécie.