segunda-feira, 30 de junho de 2008

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Se sua vida for um saco, encha-o de dinheiro.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Pus Bis no Homem

Eu resolvi fazer a minha parte pela destruição do mundo via proliferação exagerada da raça humana. Sabendo que a todos vocês, neófitos, não falta a vontade de trepar loucamente, apenas competência e know-how, vai aqui um curto guia de sedução num clima bem Quem Mexeu no Meu Quiejo?, com métodos mnemômicos, pra você botar esses fluidos corporais pra fora.

Para homens:

-tente aprender algum instrumento musical. Se não tiver capacidade, use sua voz. Mesmo que você cante "Meu Pintinho Amarelinho” ou "Pimpolho", as mulheres vão achar o máximo. Lembre-se: quem canta, cata.

-alternativamente, você pode iniciar uma conversa e dizer a ela o que ela quer ouvir, mesmo que não corresponda à verdade. O truque é saber o que ela quer ouvir: geralmente as mulheres não querem ouvir o que elas dizem querer ouvir, elas querem ouvir algo que as faça pensar que deverão trabalhar um pouco para ouvirem o que dizem querer ouvir. Pegou? Então lembre-se: quem mente, mete.

-e não vá se enveredando por papos-cabeça. Mantenha algo simples e, mesmo que sinta vontade de falar algo interessante, seja reticente e deixe a conversa morrer. Quem quer saber de papo legal é o povo do Disk Amizade e mulheres gordas que, como não conseguem trepar (tanto quanto gostariam), acabam se interessando por outros assuntos. Lembre-se: quem pensa, pesa.

Para mulheres:

-se o mundo for um videogame, ser mulher é o nível “I'm Too Young to Die”, “Sandbox” ou “Picolé”. Mulheres, usem decote. E dêem mole. Sem chance pro alvo. Lembrem-se: a teta tenta.

-pro caso de vocês acharem um cara (se fingindo de) desinteressado por um decote, rebolem. Uma boa execução de qualquer axé baiano garante o interesse até do maior iluminado livre de desejos carnais. Lembre-se: a buda, a bunda.

Prontinho. Agora vão, meus pombinhos. Vão fazer bebês não planejados e embolsar o bolsa-família. Caso fiquem de saco cheio de repetir o mesmo processo de novo e de novo, lembrem-se: quem cansa, casa. E vice-versa.

sábado, 7 de junho de 2008

Tremedor na Calamidade

Eu sou um desempregado. Ou, em outra palavra, “vagabundo”. De um modo mais otimista e ainda na mesma linha, “filósofo”. Na realidade filósofo é o vagabundo que fica dando pitaco nas coisas, então essa definição se encaixa um pouco melhor. Nomenclaturas à parte, quer dizer que, já que eu não trabalho, tenho tempo para ficar matutando sobre trabalho, o que é um tanto quanto trabalhoso e, diferindo de trabalho de verdade, não me paga um tostão. E já que eu pensei sobre trabalho e percebi isso, é óbvio que eu vou começar a discursar contra a remuneração pelo trabalho. Alternativamente eu poderia discursar sobre a necessidade de me remunerarem pelo meu trabalho, mas isso é o que a maioria das pessoas faz por aí entregando currículos e a) eu não sou bom nisso, b) dá uma certa imparcialidade muito evidente e desconfortável ao discurso e c) não tem funcionado.

Não que eu vá dizer que todo mundo deva trabalhar de graça. Longe de mim a intenção de regredir o povo à época pré-monetária, embora eu ache muito bacana. Se não dá pra regredir às raízes indígenas, então vamos avançar com a cibercultura, até porque essa palavra está na moda e pode me render algumas visitas. Mas pra não colocar o carro à frente dos bois – opa: software à frente do hardware -, vou tentar seguir uma certa lógica coerente, o que costuma não dar muito certo.

Nas minhas mais elementares aulas de Ciências Sociais me disseram que o valor das coisas estava ligado à oferta e à demanda. Fez sentido, na época. Depois um gente boa da época de Geografia me disse que tinha mais alguma coisa no meio – o custo de produção. Fez sentido, também. Aí um garotão, já em Economia, me falou uma porrada de coisas que eu resolvi ignorar, até porque já estava ficando difícil, tipo Créu velocidade 3. Então na minha cabeça ficou fixo que faz sentido pagar muito por coisas que parecem meio babacas – elas devem ter custos altos de produção. Uma privada de ouro, por exemplo.

E aí eu pensei com meus botões que algumas coisas têm custos muito baixos de produção de são vendidos a preços muito altos. Ok, a oferta então deve ser pequena, então a mão invisível do mercado vai aumentar a oferta, fazendo mais gente produzir seja lá o que for (não funciona tão bem com privadas de ouro a menos que role alguma alquimia no meio) e tudo vai ficar legal e reguladinho, igual ao intestino da menina que faz propaganda de iogurte. Curioso que tanto no caso como da menina quanto do mercado, a gente nunca vê o resultado final da teoria apresentada. A menina nunca liberta o Mandela na nossa frente e, em contrapartida, estamos cansados de ver que o mercado está uma bosta..

(Quando eu fui à Fenasoft 99? 2000?, além de descobrir ser nerd, eu comprei um CD com um jogo e vi discriminado: CD jogo Half-Life 1,29; Direito de uso jogo Half-Life – 31,71. Primeiro eu fiquei confuso, e depois quando fui ver que diabos era aquilo, me senti como quando percebi que cada carro na rua era dirigido por uma pessoa que fazia com ele o que quisesse. Como se cada parte do meu corpo gritasse “São todos loucos! Nunca vai dar certo!” Anos depois, lembrando desses momentos, eu pensei ser burro. Ainda mais tarde, vendo o número de acidentes de trânsito e o crescimento do software livre, eu percebi que era um molequinho muito esperto.)

Um carro envolve um monte de materiais que envolve trocentas pessoas para coleta, mais trocentas para tratamento, mais trocentas para montagem e mais trocentas para transporte. Ou envolvia. Agora envolve máqunas. Que por sua vez, ou envolvem máquinas (caso em que você deve recomeçar a ler esta frase – cuidado para não cair em um looping infinito) ou envolvem uma penca de gente que as produz. Então tem uma caralhada de gente que você precisa sustentar pelo menos enquanto trabalham no seu carro. Uma idéia, em contrapartida, não tem um custo alto. Muitas vezes você precisa sustentar uma pessoa por algumas horas apenas e voila – uma música. E essa música pode virar um megahit estrondoso e te fazer comprar um CD por quarenta pilas. CD que custa algo menos que dois reais, sobrando bastante lucro para o artista e para a gravadora dividirem não tão igualmente assim.

Só nesse exemplo já entra uma caralhada de problemas. A gravadora repassa menos dinheiro para o músico, ficando com o grosso por um trabalho bem mixuruca – gravar CDs -, só porque é a dona dos meios de produção. O músico ainda recebe uma baita grana por ter feito uma música que levou no máximo uns dois dias – bem mais que o agricultor que planta feijão vinte horas por dia (favor notar que aparentemente feijão não necessita de tanto cuidado assim, mas se você não ficou feliz com meu exemplo, pense você em outro, palhaço) ganha por ano. E se o artista e a gravadora estão enchendo o rabo de dinheiro por quase nenhum trabalho, esse dinheiro está saindo de algum outro lugar. Do plantador de feijão (ou exemplo à sua escolha), de um pobre desempregado como eu ou de um pai de cinco filhos órfãos que batalha para dar o que pode a seus pequenos ceguinhos que freqüentam escola pública e têm AIDS. Malditos músico e gravadora, torturadores de ceguinhos aidéticos. Para a fogueira com eles!

Ok, discutivelmente música não é exatamente algo vital. Mas o coquetel para AIDS, em muitos casos, é, e não pode ser baixado pelo eMule. Custo de produção baixo, paga-se muito por uma idéia que um caboclo teve. E a despeito de todas as leis de antitruste o o cuidado que se toma com monopólios, essa idéia foi patenteada. E a patente é nada mais que uma garantia de monopólio. O Serra andou quebrando essa palhaçada por aqui, o que foi legal. Eu o elogiaria por isso, mas pela aparência do meninão, deduzo ter sido um interesse pessoal direto.

Então é isso que eu acho que deve acontecer, pra começo de conversa. Copyright deve acabar, ir à terra. Vão me chamar de comuna, mas chupinhando um negócio que eu li recentemente (não vou dar crédito a ninguém porque seria meio hipócrita, dado o texto), comunismo era a busca por poder centralizado e controle, que é exatamente o que a lei de patente garante ao inventor. Eu sou mais anarquista; nada de poder e controle. Joga a idéia no ventilador e usa quem quiser. É mais produtivo pra todo mundo.

O avião, por exemplo, é largamente atribuído a Santos Dumont, reza a lenda, porque os irmãos Wright, tendo tido sucesso antes, fizeram tudo em segredo e não voaram em público. Bom, fodam-se eles. Atrasaram o progresso da aviação em sabe-se lá quanto tempo porque quiseram ficar guardando segredinho pra vender. Pau no rabo desses escrotos! Pau no rabo deles! Pau no rabo! No Rabo!

Aí vem um babaca e diz “porra, mas se ninguém ganhar grana, ninguém vai inventar porra nenhuma”. Eu tenho pena dessas pessoas por dois motivos. Espiritualmente porque são gente atrelada a bens materiais, a dinheiro apenas. Muito triste. E de modo mais mundano e pé-no-chão porque são uns burros. As pessoas inventam coisas desde o tempo das cavernas sem royalties e direitos autorais. Ou acham que primeiro fizeram o sistema legal e depois começaram a trabalhar na roda e no fogo? E, se foi feito assim, o cara que inventou o sistema legal recebeu grana dos outros inventores para que pudessem utilizar suas leis? Tanto faz. O negócio é que as pessoas inventam as coisas e vão continuar inventando, até por prazer.

Até aí tudo bem, papo padrão de comuna. Especialmente de comuna que trabalha num banco ou num McDonald's da vida. Minha opinião pessoal (desculpe se alguém já a tiver expressado – se estiver devidamente registrada em seu nome, avise-me e eu a removerei do site) é a de que ninguém deveria misturar dinheiro e idéias. Dá só problema. Dinheiro deve ser misturado com bois, madeira, terra. Com refrigerante de cola, não com Coca-Cola.

Tem gente pra cacete estressada com emprego hoje porque não têm o que chamam de segurança financeira ou estabilidade empregatícia. Isso ocorre por vários motivos. Um deles é porque a empresa para que trabalham vende idéias, soluções, planos, como você quiser chamar. Vamos dar o exemplo de publicidade, que é o ápice da atribuição de dinheiro a idéias (eu mencionei que sou desempregado especialmente nessa área?). Quem contrata uma agência quer uma idéia, basicamente. E já é um babaca, porque quem contrata outra pessoa para falar sobre o seu próprio produto ou não sabe o que está produzindo, sendo irresponsável, salafrário e hipócrita ou não tem o conhecimento básico sobre as pessoas, sendo burro.

Pois bem. Publicitários, grandes feitores de porra nenhuma (embora tentem convencer do contrário), são estressadíssimos. Em parte porque são todos frescos, umas bichonas. Em parte porque cobram caro para vender idéias que, se você tem visto TV e lido jornais ultimamente, são umas merdas. Qualquer zé faz propagandas melhores que as da Colgate. Eu me enganei redondamente ao utilizar publicitários como exemplo. Vou parar aqui e depois explicar o porquê.

Segunda tentativa: arquitetos. Arquitetos têm uma parcela de trabalho verdadeiro no projeto de uma casa, mas o grosso do que é pago a eles pelo trabalho que têm lhes é pago pelo conhecimento que possuem, não pelo tempinho que eles passam mxendo no CAD. Isso é o que eu acho bastante nocivo: gente ganhando grana por conhecimento restrito.

E aí eu volto aos publicitários: eles constituem um exemplo ruim porque não têm conhecimento nenhum a mais que os clientes, só fingem ter. Vai ver é por isso que são mais estressadinhos: sabem que estão vendendo algo que não possuem e que a qualquer hora a casa vai cair. Infelizmente eu não tive uma epifania do tipo “nunca vai dar certo!” porque esse conhecimento chegou a mim diluído em alguns anos de faculdade, não chegou chegando, de sopetão, com os dois pés no peito.

Ok, voltando. Quem vende idéias, soluções, como um arquiteto (chamemos de “soluções em design de prédios”, pra ficar bonito), vende a utilização do conhecimento que ele tem. Caso ele repasse esse conehcimento, vai provavelmente perder um cliente. Se alguém ganha grana por deter informações, então parece meio óbvio que vai ter muita gente interessada nessa prática, o que é meio ruim de um ponto de vista progressista. Felizmente eu acredito que logo logo a Wikipedia vai ter, por exemplo, instruções para você montar seu próprio prédio.

Se arquitetos não convencem, pense em técnicos de informática, mecânicos, montadores de móveis (ou você acha que aquelas instruções cheias de “junte a fenda A à entrada F de modo que as seções J e S se encontrem no ponto O paralelo à dobradiça 8” são feitas para serem simples?). Eles existem e são até úteis, mas estão longe de serem necessários. Se uma empresa detalhasse o funcionamento do carro, por exemplo, con instruções para acesso às peças, você não precisaria levá-lo a um mecânico por qualquer coisinha. Ou à concessionária, que é no que eles apostam, acho.

O negócio é que muito do trabalho que as pessoas fazem (publicitários aí no topo da lista) é supérfluo. Se liberássemos essas pessoas para trabalharem em tarefas genuinamente úteis (hã... agricultura? Mutirões da Erundina?), duas coisas aconteceriam: crise enorme de desemprego e diminuição considerável da devastação da Terra (comecei comuna e acabei longe, ativista do Greenpeace – juro que depois rola uma brincadeira de “ligue os pontos” e sai a figura de um soldadinho). A crise do desemprego já foi muito bem resolvida por Russel – uma carga horária bem menor de trabalho, deixando mais tempo livre para as pessoas serem produtivas de graça.

Sintetizando, nossa economia deveria girar muito menos em torno de idéias. Gera problemas na difusão do conhecimento, para começar. Faz com que um seu humano tenha que se dedicar a uma especialidade por anos, prende ele a um cargo, função ou campo, impedindo-o de borboletar, porque se conhecimento é o que é remunerado, então ele terá que se aprofundar cada vez mais a fim de não ser só alguém tão sabedor quanto o cara ao lado. O mesmo princípio de partilhar cada vez menos faz com que você queira saber cada vez mais. Trabalho burro sem cooperatividade. Pode-se argumentar “mas empresas trabalham em conjunto”. O escambau. O ambiente empresarial é um ninho de cobras e todo mundo está bastante preocupado com o próprio rabo acima do rabo da empresa (lógico que a quebra da empresa volta e meia significa a quebra dos rabos dos funcionários, então até certo grau, o rabo das pessoas balança o rabo da corporação, saca, brother?).

Ok, não sintetizei. Dinheiro misturado com idéias tem outro problema grande: dá pau na bolsa. A bolsa é pura especulação, óbvio. Tanto faz quantos bens uma empresa tem, quanto ela vale de verdade. Quanto ela vai lucrar é que importa. Então se todo mundo acha que seu valor vai subir em X, seu valor sobe em uns 10X. É uma simplificação, mas que dana um monte de gente. Por causa desse tipo de especulação (olha! contra especulação! vermelho nojento!) as empresas têm que se preocupar com imagem, aparências e um monte de outras porcarias que as tornam menos produtivas. E mantêm acionistas que não fazem porra nenhuma de útil para o mundo, ficam jogando roleta com logotipos e ganham rios de dinheiro – que vão sair dos aidéticos cegos pais de famílias aidéticas, cegas, famintas e espancadas pela PM. Como o aidético cego conseguiu dar umas pra ter uma família não vem ao caso – os darwinistas que refutem.

Então eu proponho algo moderadamente radical – trabalho braçal para todos, cerca de três horas por dia. Esse remunerado. Trabalho intelectual – música, filosofia, pintura, programação de softwares, economia etc. - só gratuito. Dá também a vantagem de não ter jornalistas com rabo preso com o jornal, políticos corruptos que entram pelo salário e verbas de gabinete (não ganha porra nenhuma, faz tudo de graça e vai cortar eucaliptos depois) e coisas do tipo. Eu suponho que médicos tenham que ser divididos. Cirurgia é braçal? Enfermagem? Bom, sei lá. Quem ficar doente que acesse a Wikipedia e procure pelos sintomas.

De certa forma já está acontecendo isso, acho. Lógico que de modo muito mais lerdo e baitola. Jornal já é algo meio obsoleto, pelo menos para quem tem internet. Muito melhor ver uns vinte pontos de vista espalhados por blogs diversos que uma notícia que é ou ridiculamente parcial, como a Veja, ou sem sal, como o Jornal Nacional (“hoje o primeiro-ministro declarou que bombas não serão feitas de bebês no Brasil” – corta para cena do ministro: “...não serão feitas de bebês! Não no Brasil!” - “E na Europa...”). Sem contar que algo como o que eu estou escrevendo aqui jamais sairia numa revista. Não entremos no mérito de isso ser bom, ruim ou simplesmente lógico, mas nos concentremos no fato de eu estar escrevendo de graça. Outra coisa legal é o público: dificilmente alguém leria uma matéria/tese/bosta deste calibre numa revista se estivesse procurando por “porque isopor dert com gasolina”.

Bom... eu francamente espero que você tenha aprendido uma lição disso tudo: nunca leia textos grandinhos em um layout de blog tão estreito. E espero também que você não seja esperto o suficiente para tirar uma segunda lição válida: nunca mais leia esta merda de blog.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Feio de Quente - Ui!

Eu fiquei doente, recentemente. E não foi uma daquelas doenças legais que você pega para ficar em casa, relaxando debaixo das cobertas em vez de ir para a escola. Nem uma doença venérea sobre a qual você pensa "ok, peguei alguma doença, mas pelo menos de modo divertido". Não que obrigatoriamente você possa pensar positivamente assim, mas... bom, azar o seu e não é disso que eu quero falar.

O negócio é que eu tive dor de garganta, dores no corpo, dor de cabeça, náusea, enjôos, tontura e febre que não chegou a me levar ao delírio. O que é um saco, porque ficar gemendo deitado, encarando o teto, não é nada legal - pergunte à sua mulher (haha! sacaneei!). Seria muito mais legal se, digamos, satã entrasse no meu quarto e tentasse me capturar, sendo rechaçado a facadas. Baita história pra contar! Seria menos legal quando, depois que eu estivesse melhor, me contassem que "satã" era mamãe, a "captura" era um abraço e a "faca" era uma faca, mesmo. Talvez um pouco menos afiada que originalmente imaginada, mas causando o mesmo efeito.

Antevendo algo assim, eu criei um sistema bom que consiste em um pote de chantilly com um rótulo a dizer "faca", o que enganaria meu subconsciente confuso. É conhecido já que chantilly não é muito eficaz para perfurar pele a velocidades subsônicas, então não tem como falhar. O problema seria se o demo realmente entrasse no meu quarto para me capturar, porque aí o máximo que eu poderia fazer seria seduzí-lo com o chantilly. Péssimo plano, já que uma febre alta acaba com o que eu creio ser meu atributo físico mais atraente - a ausência de feridas pustulentas.

De qualquer forma a pior coisa era não poder comer por causa da garganta. Felizmente isso foi solucionado com uma overdose de pastilhas anestésicas. Não que a dor tenha passado - nem de longe, mas minha língua ficou dormente a ponto de eu não sentir mais o gosto das coisas e, logo, vontade de comê-las. Ah, e meu índice de babadas cresceu cerca de 600%.

Mas, em todo caso, é legal ficar doente. Você fica com uma perspectiva mais elucidada da vida: de que ela é ruim, mesmo.

P.S.: Eu preciso fazer uma correção: tem muita gente procurando por "gretchen fodendo", sim. Peço desculpas a esses pesquisadores por não tê-los levado em consideração.

domingo, 20 de abril de 2008

Apache Menos Peitudo

Um velho executava sua caminhada matinal quando foi detido pela visão de algum feno que reluzia de modo pouco comum à luz das primeiras horas de sol. Parecia ter sido colocado ali havia pouco tempo, pois não havia nele orvalho acumulado. Estava bem seco e pegaria fogo tão logo o homem com a tocha, que reluzia de modo bastante comum à luz das primeiras horas de sol, o acendesse a fim de queimar um menino cujas feridas não reluziam.

Ao redor dessa cena, havia uma multitude de pessoas se comportando de modo exatamente igual a uma multitude de pessoas raivosas de um filme dublado - volta e meia se ouve um "É!", seguido de um "queima ele", vindo da mesma ou de outra pessoa. O velho aproveitou e perguntou a respeito do porquê daquele acontecimento.

-Esse sem vergonha matou um pato a pauladas! Agora vai morrer na fumaça pra expiar os pecados frente a Satã em nome de Jesus!

-Era um pato grande?

-Não sei. Ô Wilma, o pato era grande?

-Ah... médio.

Indignado e não disposto a ver um menino morrer por causa de um pato de tamanho mediano, o velho resolveu meter o bedelho na parada:

-Senhoras e senhores, um momento da sua atenção, por favor.

-Quem é você e o que é que você quer, velho? - perguntou o homem da tocha.

-Meu nome é Tang Uwa e veio a meu conhecimento que vocês vão matar este menino porque ele matou um pato.

-É. Um pato. Um pato cheio de penas.

-E não são todos os patos cheios de penas?

-São. E todo pato cheio de penas tem direito à vida.

-Correto. Igualmente o menino não teria direito à vida?

-Não, ele matou um pato. Presta atenção.

Julgando sagazmente esse pequeno diálogo, o velho compreendeu que não seria fácil iluminar o coração dessas pessoas com argumentos lógicos e consistentes. Felizmente argumentos inconsistentes poderiam funcionar, e foi o que ele tentou.

-Certo. Mas o menino matou um pato. Isso não dá a ninguém o direito de matá-lo. A morte faz parte da natureza e não é possível removê-la de nossas vidas. O menino matou, e com todo o direito, porque ele pôde sobrepujar o pato em combate. Essa é a lei natural, a lei de deus. Se patos não morressem, o mundo seria apenas de patos, todo cagado e nojento. Então deveríamos dar graças aos céus por haver, como este menino, gente que mata indiscriminadamente, só por diversão e nos salva de um mundo cheio de patos, esquilos, ursos ou até Amílcares e Rogérios. Não, senhoras e senhores. vocês não têm o direito de matar esse menino, porque qualquer um tem o direito de matar quem quiser quando bem entender, grantindo assim um lugar para cada um no grande círculo da vida.

As pessoas tentaram refutar o argumento do velho. Mas cada vez que um deles falava e tentava fitar Tang Uwa, filho de Tang Li-Mao, era forçado a desviar o olhar. Alguma coisa tinha força ali, naquele lugar, compelindo as pessoas a aceitarem as palavras do velho. Era algo indizível, mas que eu ouso nomear. Era a força da Verdade, pura e imaculada, em seu estado bruto e inconveniente como num documentário sobre aquecimento global.

-Perdoe-nos, - começou a balbuciar o homem da tocha - vemos agora que estávamos errados e cegos por vingança. Matando o pato de estimação da minha filha e sendo responsável pelo suicídio dela, eu vejo que esse menino é uma dádiva. Diga mais algo sábio, mestre, por favor. Vamos aproveitar sua presença. Ilumine-nos.

Feliz por ter resgatado uma vida, o velho prosseguiu:

-Nesta estrada, não nos cabe conhecer ou ver o que virá. O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.

Por algum tempo assim foi. Alguém pede por sabedoria, Tang Uwa passa. Repetir esse padrão foi deixando o povo feliz, e cada vez mais gente vinha ouvir o velho. Logo as máximas viraram prosa e um clima de sermão da montanha foi instaurado, todos sentindo a sabedoria e a iluminação, aprendendo sobre o Yin e o Yang, o equilíbrio do universo e os processos evolutivos que levaram as pessoas a terem cabelo nas axilas. Quando o sol começou a se pôr, o velho levantou-se e disse que iria embora. Passou a mão na cabeça do menino, sorriu e foi andando para sua cabana, além das montanhas.

-Sábio, como poderemos encontrá-lo? Não podemos ficar sem sua sabedoria!

-Eu moro logo ali, seguindo a estrada. E vocês todos são bem-vindos em minha casa.

-Nunca o esqueceremos, mestre. De hoje em diante sempre procuraremos a sabedoria do Sábio Chinês Tang em nome da harmonia e da prosperidade.

-Ah, mas eu não sou chinês. Sou da Mooca.

Então queimaram o moleque assassino e aquele velho farsante de merda.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Baianas Na Linha

Algumas coisas me perturbam. Uma delas é gente perturbada. Veja só: meu blog agora é visitado por gente de Portugal, da Inglaterra e dos Estados Unidos. Chique, hein? E todos esses visitantes ilustres estavam buscando putaria. Já falei que não tenho nada contra a busca de putaria na internet e na vida. Pelo contrário - acho bem bacana. A parte que me perturba é que ninguém mais procura por coisas como "sexo vídeo", "gay dildo", "gretchen fodendo gostoso" ou "buttsechs". Pelo menos a minha clientela não. Eu tenho que me deparar com coisas como "peixes com final de cu". Primeiro eu fiquei por muito tempo pensando que diabos de putaria seria essa. Zoofilia eu até aceito, mas por que com peixes? É esquisito, pouco prático e gosmento. Se bem que "gosmento" pode ser bônus, certo? Bom... eu achei que fosse alguma gíria de futebol. Só depois é que eu entendi que seja lá quem for estava querendo nomes de peixes terminados em "cu". Excelente pesquisa. Eu fico pensando se existe uma lista dessas pela internet. Eu sei que deve haver, aliás, mas eu duvido que esteja por aí com o título "peixes com a terminação 'cu'". Aprendam a procurar na internet, pessoal. Procurem por alguns exemplos e é provável que vocês encontrem a lista toda. De qualquer forma, para não decepcionar meu novo fã, temos o baiacu, em vários modelos, pacu e tambacu. Não são tantos assim, na verdade, e eu espero que você não tenha ficado decepcionado. Eu faço questão de ajudar porque, nessa busca, eu não consegui achar meu blog nas primeiras vinte páginas de resultados. O que quer dizer que o cara fuçou MUITO, entrando em cada página que encontrava. Pode ser um caso de vida ou morte, sei lá. Vai ver o avô dele está morrendo e a fada dos dentes disse que só salva o velho moribundo se ele recitar uns nomes de peixes com final de cu. Aliás é uma boa idéia eu ajudar todos os meus fãs, não? Ser um bom samaritano. 'Xo ver aqui...

Ao pessoal que tem procurado "fusca velocímetro parado", "velocímetro fusca pergunta", "velocímetro de fusca 140km" e afins, eu tenho umas dicas. Parem de tentar fuçar seus carros velhos e podres. O velocímetro do seu fusca parou porque ele é velho e podre. Leve a um mecânico inescrupuloso que vai te cobrar os olhos da cara e não gaste banda do Google à toa. O que você vai fazer se souber o porquê de ele ter parado de funcionar, de qualquer forma? Vai desmontar a porra do painel? Te manca, maluco, você só vai fazer cagada. Quanto à pergunta do velocímetro de fusca eu fiquei bastante interessado. Eu não entendi se o velocímetro tem uma pergunta ou se o autor tem uma pergunta a respeito do velocímetro. Se tem, por que não procurou pela resposta de cara? Provavelmente o cara esteja procurando por perguntas sobre velocímetros de fusca, o que é curiosíssimo. Será um connoisseur de velocímetros paladino, querendo eliminar as dúvidas dos curiosos? Não vejo nenhuma outra opção plausível. Eu fiquei querendo juntar os caras que fizeram essas pesquisas numa salinha. O paladino poderia investigar o velocímetro do amigo do fusca podre e talvez substituí-lo pelo velocímetro gigante da terceira busca. Mas fiquei realmente impressionado. Se meu blog fosse sobre velocímetros de fusca eu poderia estar ganhando uma puta grana com Google Ads.

Vamos ao(à) rapaz(rapariga) que pergunta "o que é algo adverso?". Eu respondo pra você o seguinte: você é um estúpido. Tem modos ridiculamente mais fáceis de achar essa definição. Dicionários físicos ou virtuais, por exemplo. Esse lixo de busca retorna um monde de blogs sem porra nenhuma a ver com o que você quer. Como este aqui.

Ao sr. buscador de "equação valenzetti - lost", deixa de ser nerd. Essa equação é coisa de um spin-off de Lost e não é tão interessante assim. Tente Wikipedia, Lostpedia ou adquira conhecimento mais útil, tipo memorizando um número enorme de casas decimais de Pi e tentando achar um padrão. Vamos lá:

3.1415926535897932384626433832795028841971693993751058209749445923078164062862089986280348253421170679
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Ô povo do "mais sexo duro", sejam mais específicos. Seriam os seus ou dos outros? Em quantidade ou tempo? Bom... se for tempo ou intensidade, eu recebo quinhentos spams que podem ajudar. Favor deixarem aqui seus endereços de e-mail para que eu possa repassá-los. Se for em quantidade, eu também recebo quinhentos spams que podem ajudar e ainda vejo bastante coisa no jornal do metrô e em portas de banheiros públicos. Deixem também seus e-mails e eu vejo o que posso fazer.

"Qual o significado de Cheetos?" Bom, eu posso ajudar: Cheetos é um salgadinho de queijo, certo? Queijo em inglês é "cheese", certo? Chamar o salgadinho de "Cheese" seria confuso porque as pessoas iam pensar ser queijo de verdade, não salgadinhos. Chamar de "Abobritos" também não ia ajudar as pessoas a associar o sabor de queijo. Está acompanhando até aqui? Ok. Então eles colocaram "Cheetos", que era nada e virou aquela porcaria de isopor sabor em três sabores distintos de pé. Enquanto eu estou nesse assunto, um pensamento aqui para abrir concorrência: queijo no organismo.

"Baianinhas anla", "sexo . as maiores bundas do mundo", "sexo sexo sexo" e cambada, eu não tenho nada a dizer para vocês. Vocês são claramente seres iluminados e com força e perseverança vão alcançar tudo aquilo que almejam. Especialmente porque vocês estão buscando pornografia na internet - não têm como fracassar. Eu só recomendaria um curso de datilografia ao primeiro buscador e uma certa moderação ao terceiro garoto, o de quinze anos. Procura um de cada vez, rapaz. Cresce cabelo na mão.