terça-feira, 5 de maio de 2009

Só

M: Atenção! Aqui é a polícia! Vocês estão cercados! Saiam com as mãos para cima!
L1: Ih, fedeu, maluco. Os hômi.
L3: A cana? Filhos dumas putas! Como é que me descobriram aqui?
L2: Provavelmente alguém tenha acionado o alarme. Ou talvez eles tenham um policial médium. Difícil dizer.
M: Atenção! Aqui é a polícia! Vocês estão cercados! Saiam com as mãos para cima!
L1: Vamo encher eles de chumbo, maluco! São só dois polícia.
L2: Ah, não. Você está sugerindo que nós atiremos em oficiais da lei?
L1: Não, porra, tô falando pra encher os polícia de bala, caralho.
L2: Peraí, peraí. A gente não tem que se precipitar e recorrer à violência, certo? Ninguém precisa se machucar aqui. A gente só veio pro banco pra roubar uma graninha pra gastar com drogas, pornografia e genocídio, nada de mais.
M: Atenção! Aqui é a polícia! Vocês estão cercados! Saiam com as mãos para cima! Sério, eu não vou falar de novo!
L2: Graças a deus! Seu imbecil, você acha que a gente vai sair com esse argumento? E vindo de vocês? Pensa comigo: se a gente é ladrão e vocês são a polícia, nosso objetivo é justamente fugir de vocês, certo?
M: ...
L2: Isso vai deixar eles confusos e pensativos por um tempo. Eu sugiro que a gente use esse tempo num experimento interpretativo. Faz assim: você vai ser a polícia e eu vou ser nós três.
L1: Maluco, pára de falar merda ou eu vou te meter pipoco, filha da puta.
L2: É uma interpretação meio rude e ofensiva, mas eu suponho que possa ser considerada realista. Muito bom. Deixa eu ver... então eu diria...
M: Atenção! Aqui é o Zeca Pagodinho! Deixa isso pra lá, vem pra cá, o que é que tem? Eu não tô fazendo nada, você também. É bom bater um papo assim gostoso com alguém.
L1: Aê, truta! Zeca Pagodinho tá aí. Bora encher ele de bala!
L2: Tentador. Mas eu infelizmente suspeito que seja mais um truque das forças mantenedoras do status quo.
L1: Cê tá falando cada hora mais difícil de poprósito, né?
L2: Possivelmente. Eu não quero entrar na questão do que seria ou não proposital ou até que ponto poderia algo qualquer sê-lo, já que isso envolveria uma longa discussão a respeito de livre arbítrio, envolvendo os preceitos mecanicistas do determinismo científico aplicado às condições biofísiológicas do cérebro humano...
P2: Tá, Zeca, valeu pela ajuda, mas eles não saíram nem por ti. Toma a grana da cervejinha que a gente tinha combinado. E agora, capitão?
M: Tem uma entrada no topo do prédio. Um de nós vai por lá e surpreende eles por trás.
P2: Não acho que vá funcionar.
M: Por quê?
P2: Porque você aparentemente esqueceu que está falando em um megafone, de modo que eles devem estar já vigiando as próprias cabeças, a menos que sejam surdos. Como eu acho que acabei de ficar.
L2: ...tabula rasa, então o contínuo esponjar intelectual de cada forma de vida é tão voluntário quanto o acendimento de uma maçã, se a maçã estiver ligada à rede elétrica e tiver filamentos incadescentes numa mistura gasosa em vez de sua tradicional polpa. Então...
L1: Precisa de bala de prata pra matar gente que fala difícil ou se eu atirar agora tu morre?
L2: Eu suponho que a resposta me deixaria em alguma desvantagem, julgando pelo seu olhar sanguinolento. Isso me lembra de uma passagem da Ilíada...
M: Aí, galera, de boa, oq ue é que está acontecendo aí? Sai logo, vai, porque daqui a seis minutos começa meu horário de almoço e eu vou ter que ir embora.
L2: Então vamos tentar resolver rápido com uma discussão objetiva, sim?
M: Tá. Qual é o seu nome?
L2: Antes disso, por favor perceba que o senhor está só do outro lado de uma porta de vidro e eu posso ouví-lo perfeitamente sem o auxílio do seu amplificador que, pra ser sincero, está machucando meus tímpanos.
P2: Eu falei.
P1: Tá, tá. Qual teu nome, cidadão?
L2: L2. E esses são meus irmãos L1 e L3.
P1: L1, L2 e L3? Qu e porra de nomes são esses?
L2: Excelente pergunta. Minha família toda tem nomes assim. Minha mãe se chama Hipotenusa.
P1: Ok. Pra simplificar mais, eu preciso saber que você representa verbalmente seu grupo como eu represento o meu.
P2: Infelizmente.
P1: Não tem nada de infeliz em saber qual deles representa melhor o grupo. Isso é um princípio democrático.
L2: Na realidade eu fico tentado a passar a palavra para meu irmão L1, que costumeiramente se sai vitorioso em discussões mais consistentemente que eu por sua total falta de domínio ou entendimento de retórica, o que o leva a usar a força e, dessa forma, ganhar por súbito W.O. Mas para o propósito de termos uma discussão mais divertida e produtiva em termos de vocábulos utilizados, eu mesmo posso prosseguir.
P1: Bicho, faz assim: eu te ouvi por uns segundos e já vi que vai ser um porre. O outro ali é esquentadinho. E teu outro irmão?
L2: O L3? Ele não fala muito e, quando fala, vá por mim, não é de muita serventia.
L3: Isso é um assalto, seu filha da puta! Vira a bundinha pra mim, vira, Batman.
P1: Peraí. Vocês estão roubando o banco?
L2: Sim. Não foi por isso que vocês vieram?
P1: Não, não. Meu deus. Peço desculpas a vocês. Nós viemos prender os bancários.
L2: Oi? Por que motivo?
P1: Bom, a gente não tem exatamente os detalhes legais ainda, isso a gente está bolando, mas é basicamente porque eles são todos uns vermes.
L2: Faz perfeito sentido para mim.
P1: É que agora passou uma reforma lógica social e a gente viu que os banqueiros são os maiores ladrões e verdadeiros cânceres sociais, então a gente vai remover todos. Os bancários entram nessa como cúmplices e por me fazerem esperar muito na fila com serviço mole.
L1: Dá tiro nesse comuna, L2. Dá tiro nele!
L2: Ah, bom. E como é que a gente faz quanto ao nosso roubo?
P1: Ah, tranqüilo, rapazes. Acabem o que vieram fazer e podem ir embora. Não quero atrapalhar o tabalho de vocês.
L2: Perfeito, então. Obrigado, seu guarda.
P1: Opa. A gente é que agradece e pede desculpas por qualquer coisa.

Infelizmente L1 perdeu a paciência com aquele falatório e tudo acabou em um enorme banho de sangue.

sábado, 4 de abril de 2009

E Abordo do Caos

-Ah! Quem foi o filho da puta que ligou esse holofote na minha cara?
-Peraí, deixa eu calibrar meu tradutor de idiomas a fim de me comunicar com você.
-Anda logo.
-Terráqueo, eu venho de uma civilização longínqua e avançadíssima que você jamais compreenderia.
-Ah, um japonês. Eu bem que desconfiei por causa do seu carro de formato esquisito, cheio de neon e voador. Sai dessa merda pra falar comigo.
-Eu não sou... ah, peraí.
-Melhor. Mas eu não lembrava que japoneses eram verdes. Pode me dizer seu nome?
-Não.
-Seu nome é Não?
-Não.
-Eu não sei se você está confirmando a negativa ou corrigindo minha pronúncia.
-Ótimo. Você não parece ser um terráqueo particularmente esperto. Segundo meu computador, isso aumenta em 823,5% as chances de você ter uma posição de prestígio na sociedade. Então venha comigo.
-Aonde nós vamos, não-san?
-Comprar doces.
-Oba! Adoro doces.
-Não. Espere um pouco. Eu só deveria dizer isso se você tivesse menos de sete junfs de altura. Para o seu perfil... deixa eu ver... ah, nós vamos fazer sexo.
-Tá maluco, japonês? Eu arrebento a tua cara.
-Curioso. Meu relatório diz que sexo é o que os adultos terrestres masculinos mais gostam de fazer.
-Não com outros adultos terrestres masculinos, seu escroto. Quer dizer... em alguns casos, sim, mas não no meu. Sou macho pra caralho!
-Ah, mas eu não sou terrestre. Eu sou um alienígena.
-Hum... tá bom, então. Mas só se você não contar pra ninguém e me der uns doces.
-Sem problema, sem problema. Agora me acompanhe até o disco.
-Eu nunca conheci um japonês alienígena.
-Eu não sou japonês. E meu nome também não é Não.
-E qual é o seu nome?
-Eu não posso dizer.
-Uh. É uma daquelas coisas que é ridiculamente impronunciável para o meu corpo terreno?
-Não. É que me daria diarréia.
-Hein?
-Meu nome, quando pronunciado, causa diarréia na minha espécie. Meu pai tinha um senso de humor curioso, veja bem.
-Parece constrangedor.
-Mais ou menos. Era pior quando eu trabalhava no setor de atendimento ao cliente e era obrigado a usar crachá. Pare aqui. Cuidado com a cabeça durante o teletransporte.
-Uau. Os banheiros deviam ficar lo... ai!
-Eu avisei. Pois é, a loja chegou a começar a instalação de setenta banheiros, mas percebeu que seria mais econômico me demitir. E foi assim que eu passei a trabalhar com coleta e escravização de alienígenas.
-Ufa. Que bom pra mim que é só de alienígenas. Imagina se fosse de gente.
-Hã? Ah... lógico, lógico. Sente-se aqui enquanto eu copio seu código genético para tomar seu lugar no planeta.
-Cadê meus doces? E cadê o sexo que a gente ia fazer?
-Em um minuto. Agora se você puder ir para a câmara de congelamento de prisioneiros... hã... onde vou te dar os seus doces...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Auto Dum Niilismo Dadá

Dia Internacional do Autismo é algo tão fantasticamente engraçado que me deixa sem palavras. Em primeiro lugar porque ele se baseia naquele conceito bacana de que é legal se importar por um dia com alguma coisa que não afete sua vida diretamente. Talvez você doe um dinheirinho pra se sentir socialmente responsável e uma boa pessoa. E depois passe a esquecer completamente o assunto, esperando sem ansiedade pelo próximo dia de alguma disfunção. Em si e só, isso já é bastante curioso.

Alguns argumentos podem ser feitos e não sem boas doses de verdade: o dinheirinho que você doa realmente ajuda, mesmo que você seja um babaca hipócrita. E conscientizar a população sobre um problema tem o potencial de melhorar a vida dos portadores, mesmo que marginalmente. Não ter que ficar incessantemente explicando os detalhes do tipo de câncer, por exemplo. Afinal todo mundo já vai saber alguma coisa a respeito e não vai precisar ficar perguntando o que é para fingir interesse.

Neste caso em específico, no entanto, o legal é que o dia é originalmente o “World Autism Awareness Day”. Então eles não querem dinheiro. Eles querem só que vocês percebam que existem autistas. E é onde a coisa fica legal. Em primeiro lugar, existe a escolha de mau gosto da palavra “awareness”. Sério, qualé? É algo como fazer um triatlo em prol dos aleijados (e depois jogar maçãs neles). É quase cruel. “Ei, seus estúpidos, vejam como é que se percebe as coisas! Olha só! Olha aqui como eu percebo vocês! Hahaha! Tomem essas, seus autistas imundos!”. Como deveria ser de conhecimento público, no entanto, “quase” é uma negativa. E essa crueldade do cruelando não chega ao cruelado porque autistas simplesmente não se importam com o que diabos você pensa. Eles são provavelmente as únicas pessoas do mundo que estão cagando pro que você pensa.

Veja bem: foda-se você se estiver zombando de um autista ou se não entender a condição dele. Ele está ocupado demais desenhando círculos com giz de cera na própria perna para sequer notar sua existência. Os únicos jeitos que eu conheço de incomodar um autista são roubar seus pertences ou enchê-lo de tabefes, mas eu conduzi experimentos que parecem mostrar que isso também incomoda não-autistas, então eu acabo não vendo vantagem nenhuma.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Cadelinha Dum Corno

-Benhê.
-Quié?
-Sabe no que eu estava pensando?
-Em dormir?
-Não. Em colocar um nome no meu pinto.
-Hein?
-Um nome. Ele não tem nome.
-Um nome? Chamar de “ele” já é demais pra mim.
-Sério, benhê. Pra dar um clima de intimidade.
-Tá, põe um nome e depois me diz. Boa noite.
-Você vai usar?
-Que?
-Você vai chamar pelo nome?
-Tá, eu chamo. Como você quiser. Dorme.
-Ok.
-Benhê.
-Que que é?
-Me ajuda a escolher o nome.
-Fido. Dorme.
-Não, benhê. Sério.
-Chama de Dorminhoco.
-Ah, benhê, isso evoca broxadas e minhocas.
-Tá, eu não quero associar com minhocas. Minhocas são ligeiramente mais nojentas.
-Nem com broxadas, né, benhê?
-Olha, às vezes seria ótimo. Eu dormiria mais. Que é o que eu mais quero agora. Tchau.
-Ah, benhê. Ajuda, vai. Que tal Elevador?
-Ridículo.
-Mas ele faz subir um monte de homenzinhos.
-Obrigada pela imagem perturbadora. Agora dorme.
-Pensa bem, ó, benhê: ainda passa uma certa confiança de que vai subir. As mulheres gostam de confiança.
-E a gente não gosta de caras que dão nomes escrotos pro pinto. Ficou pau a pau. Hehe. “Pau a pau”.
-Mas é um nome tão bom. Pressupõe confiança de ir trabalhar, mas não a arrogância de um serviço espetacular.
-Então tá mais ou menos certo. Dorme.
-Imagina se eu chamasse de Cogumelo Atômico. Ia ser muito arrogante, né?
-DORME.
-Tá bom, tá bom. Eu vou escolher umas opções e depois te aviso.
-...
-Benhê?
-Puta que pariu! Fala, porra.
-Estou entre dois.
-Desembucha.
-O primeiro é Gungnir.
-O que?
-Gungnir. Era a lança de Odin.
-Lança de Odin?
-É. Mitologia e tal.
-Lança de Odin?
-É. Eu pensei em Mjolnir, também, porque ia ficar engraçado com a parte do “mjo”, mas não parece muito com um martelo.
-Não. Parece com um amendoim. Dorme.
-Ah, benhê, fala sério, vai. Não gostou?
-Não. Anda logo, diz o outro.
-Tá. O outro é Corcunda Meladinho.
-Hahaha!
-Viu? É legal. É bem-humorado, né? E é humilde. Mulher gosta de humildade.
-Sabe o que mais vai ser engraçado? Você viver de punheta pro resto da vida. Porque eu não vou mexer num “Corcunda Meladinho”. Aliás ninguém vai.
-Ah, não, benhê. Tem que ser um dos dois. Escolhe, vai.
-Sem chance.
-Por favor, vai.
-Tá, tá. Não enche. Saco. Vai “Gungnir” e cala a boca.
-Gostou da lança de Odin, no final, hein?
-Não, só que é a única coisa que eu vou conseguir pronunciar em alguns momentos de uso, de qualquer jeito. Então serve. Agora dorme antes que eu arranque o Gungnir e enfie ele na sua garaganta.
-Tá, tá. Credo.
-...
-Benhê.
-Jesus Cristo! O que foi, Carlos? O que foi? Pelo amor de deus, Carlos, qual é o problema agora?
-Vamos dar um nome pra sua xaninha? Eu estava pensando em A Usurpadora ou Caverna do Dragão, mas queria umas sugestões...

Divórcio.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Vc Mi Xeretar

O hotsite do Vectra Remix é detestável. Aliás, enquanto a gente está tocando no assunto, "hotsite" também é. Eu fui atraído a esse monte pútrido de excremento pela graciosa música do A-ha "Take on Me". Foi o início dos meus tormentos.

Em primeiro lugar, o site é feito em flash e não economiza nos recursos, usando para eles até a verba do bom senso, aparentemente. Onde é possível encaixar um efeito desnecessário que dificulte a navegação e seja de qualidade estética duvidosa (estou sendo simpático – é indubitável o gosto vil), é feito. Uma composição progressiva estúpida de fotos desnecessárias num esquema de cores hediondo? Belezura. A propósito, mesmo que seja uma referência aos anos 80, o esquema de cores e hediondo, sim. De qualquer forma, resultado final: demora pra carregar. Pra caralho.

Tá, então depois de algum tempo, você pode selecionar entre três remixes de A-ha. Não, não tem o original. Respire fundo e absorva o sacrilégio. Não tem. Tem três remixes escrotos. Ok, aparentemente fazem parte de um joguinho. Melhor colocar aspas. "Joguinho". Melhor. Baseando-me pela foto do DJ, eu escolhi aquele cujo nome evocava o menor índice de retardo mental: The Twelves. Quando eu revelo que na realidade são só dois rapazes, e não doze, você faz a conexão trocadilhesca twelves – dois elfos e percebe o quão zoado é o plantel. Enfim... diz "pilote a música". Escroto. Vamos à frente.

Aí é que vem o filé mignon do site: uns seis minutos de espera. Seis minutos. A 65kb/s, então não é um problema da minha conexão porca. Seis minutos para eu ver a propaganda - o que, aliás, é de interesse deles, o que me faz pensar que eles deveriam ter mais cuidado com a minha paciência. Se eu não estivesse no site única e exclusivamente por uma soma crítica de gosto por A-ha e falta absoluta do que fazer, teria me empirulitado sem pestanejar. Como não foi o que aconteceu, eu não me empiruletei, e a demora me fez pestanejar bastante.

Chegando ao "joguinho". Pense em Guitar Hero. Some a Enduro. Retire os obstáculos dos dois jogos – carros adversários e necessidade de ritmo. Voilà. Parece pouco excitante conduzir um carrinho ouvindo música, certo? E parece fácil, certo? Ou deveria ser, já que, caso o carro seja uma merda para se controlar, existe a possibilidade de eu pensar que o carro de verdade se comporta de forma semelhantemente maxianal*. Eu nunca vou saber. O que eu sei é que no meu Athlon XP 3000+ 64bit cheio de frufrus, o jogo é ridiculamente inoperável. A uma taxa de menos de um frame por segundo, eu não tenho nem chance de perceber o trajeto. A única coisa que eu posso fazer é tentar guiar pelo que eu vejo, o que me retorna um resultado pior do que não mexer nos controles e deixar a apresentação de slides se divertir sozinha. Ah, eu também posso ouvir, entre as batidas no guard-rail, o remix horrível de Take on Me, algo infernal que não melhora quando intermitentemente tocado.

Depois que eu comprei um outro monitor para substituir o que foi obliterado durante o meu ataque de fúria, eu fiquei tão puto por ter gastado meu tempo com essa violação publicitária da convenção de Genebra que resolvi fazer o que aparentemente o site não gostaria que eu fizesse: dei uma olhada nas especificações técnicas do veículo em questão. Porque eu fiquei pensando cá comigo: "ok, o que é que esse site, mesmo que não fosse uma ofensa cruel à humanidade, deveria me passar sobre o carro? Que ele é... hã... rápido? Não. Seguro? Não. Confortável? Não. Que ele toca remixes de A-ha se eu puser um CD pré-gravado com remixes de A-ha ou caso tais remixes estejam tocando no rádio? É, deve ser isso."

Aí eu comecei a pensar mais: mas não querem vender esse rádio envolto por merda mecânica para prebóis? Deve ser, porque um carro de 60 mil não é pra quem não tem grana e não iam apostar em A-ha pra alguém que nasceu antes dos anos 70. Então a faixa etária e ficanceira nos restringe a prebóis. E o que é que os prebói quer? Potência! Motor que faça barulho! Querem tirar racha! E aparentemente querem um carro com rádio, o que é importante, mas não o suficiente pra basear sua campanha publicitária ao redor disso. A menos que seja a única coisa que o seu carro tenha de marginalmente bom. Ops.

Em meio a um monte de números não tão legais assim, eu li que o Vectra vai de 0-100km/h em 12,8 segundos. Ou 10,8s para a versão com câmbio manual. Uau. Zero a cem em onze segundos. Não parece ruim. Quer dizer... eu não me lembro, de cabeça, de um carro que vá de zero a cem em onze segundos. A não ser, por exemplo, o Gol. A PORRA DE UM GOLZINHO! Que custa menos da metade do preço! Aliás, os 12,8s da versão automática perdem pro GOL 1.0! GOOOL! UMPONTOZERO! CAPSLOOOOOCK!

Como? É um motor 2.0 que faz 7,5km/l! Como é possível perder em aceleração pra um golzinho? Boa pergunta, que eu respondo com outra pergunta: ele perde também em velocidade final. Ok, isso não foi uma pergunta, então eu vou reformular em formato de questão: por que a GM não pega esse carro, enrola no site, e enfia tudo no cu? Eu suponho que, pela adição de uma liga de aço e estrume, o carro acabe pesando 300kg a mais que o já gordo Gol. Poxa. Esse peso deve atrapalhar bastante. Os pneus exageradamente grandes parecem criar uma dose de arrasto desnecessária, também. E o coeficiente aerodinâmico não deve ser dos melhores, o que é especulativo porque nem consta da ficha. Vai ver deu vergonha de publicar.

Se eu tivesse lido isso antes, veria que o site pesado e de performance risível é perfeitamente sintonizado com o carro. E agora mesmo eu raciocinei e vi que esles estão certos. Quem fica impressionado com um joguinho porco em flash e esperou coisa de dez minutos para, basicamente, ver uma propaganda, e ainda achou legal, é tapado a ponto de ser considerado público-alvo. Genial.

sábado, 7 de março de 2009

U.S.S. Ovo Cósmico

-E aí, pronto pra começar?
-Pronto.
-Bacana. Quer fazer a incisão ou quer que eu faça?
-Pode fazer. Mas pequena, hein? Só o suficiente para eu poder trabalhar.
-Relaxa. Eu já fiz isso antes, você sabe, certo?
-Engraçadinho. Anda logo.
-Peraí... feito.
-Legal. Vou entrar.
-Ok.
-Pronto.
-E aí, como é que está?
-Ué. Viscoso. Mucoso. Igual a sempre. Eu pensei que você já tivesse feito isso antes.
-Tá bom, engraçadinho 2. Vamos fazer o serviço rapidinho, vai.
-Eu sou sempre rápido.
-Ih, tá saindo um pouco de fluido ali. Quer que eu sugue?
-Não deixa comigo. ... Pronto.
-Sabe que, no começo, eu achava isso nojento?
-Muita gente acha. Eu sempre fui sossegado. Sempre achei natural. Joga um pouquinho de luz aqui?
-Taí.
-Valeu.
-E aí, como é que vai o Carlinhos?
-Ah, tá indo, né? Coloquei na escolinha especial.
-Tá botando fé?
-Sei lá. Não sei o porquê de colocar ele lá. É idéia da Fátima.
-Pô, é legal pro moleque.
-Legal pra quê? Pra ele aprender a grunhir em tons diferentes?
-Fala assim do seu filho não, ô.
-Claro que falo. É meu. Pô, ele é retardado, o que é que eu vou fazer? Fingir que não é? Chamar de "especial"? Eu encaro.
-Tsc. É... foda. Olha, fluido ali.
-Opa. ... Suguei.
-Então... algum progresso aí?
-Cara, não me apressa. Você sabe como é. Já é ruim pensar que a família está em algum lugar, agitada e nervosa.
-A família é foda. Você pensa neles às vezes também?
-Pra dizer a verdade, geralmente, não. Prefiro nem saber quem são. Atrapalha.
-Eu prefiro saber. Pra me importar mais. Sei lá, me deixa mais empenhado.
-Bom, cada um com as suas manias. Eu era assim, também até o dia em que um membro da família me surpreendeu.
-Surpreendeu como?
-O cara chegou em mim e começou a me puxar, a gritar comigo.
-Antes ou depois?
-Durante!
-Hahaha! Sério? Caramba...
-Sério. Tem gente... opa. Hã... ah.
-Ih. Pela sua cara, você achou o que estava procurando.
-É... Vou extrair. Joga luz aqui.
-E aí?
-Cara... serviço terminado.
-Tá contente?
-A gente sempre fica, não fica?
-Opa. Fluido.
-Quer sugar?
-Beleza. ... Foi.
-Prontinho. Saiu.
-Ótimo. Vai se limpar, pode deixar que eu vou fechando aqui.
-Valeu.
-Ó, amanhã é minha vez, hein?
-Amanhã tem pôquer na casa do Cláudio, cabeção.
-Ah, é. Então depois de amanhã é minha vez. Que seja.
-Tranqüilo. Vamos recolocar o vestido?
-Não, só fechar o caixão. E sobe suas calças logo pra me ajudar a enterrar.