quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ai, Enredo Rijo!

Invejando o sucesso de sites como o ThePirateBay.org, agora neste blog eu vou oferecer também filmes completos! Mas, como não diponho de muito espaço virtual nem quero ser processado, vou disponibilizá-los em formato texto. O lado positivo é que você não precisa se preocupar com legendas nem com pausar caso resolva ir ao banheiro. Por outro lado eu espero que você rebobine o blog. Pra começar, eu gostaria de usar um clássico, porque filmes são um pouco como como vinhos: se você tomar Merlot 1995 por duas horas seguidas - e sobreviver -, vai ficar bastante retardado, ter uma dor de cabeça tremenda e vomitar feito um tiranossauro no Playcenter. Eu digo tiranossauro porque imagino que ele vá sair aterrorizando e comendo as pessoas antes de ir aos brinquedos e todo mundo sabe que ficar girando de pança cheia potencializa as conseqüências. Mas, enfim, vamos ao filme. É com o Stallone, como eu imagino que todos vão ser, se de fato houver um segundo e minha prefrência pessoal falar muito alto.

No terceiro milênio (ei, já é o nosso), o mundo mudou. A Terra se transformou em um deserto sem vida, conhecido como "A Terra Amaldiçoada". Por todas as nações, as pessoas se aglomeravam em Mega Cidades onde bandos de selvagens saqueadores criavam violência além dos poderes do sistema judiciário. Então era basicamente o Rio de Janeiro, só que sem o mar. Mas aí criaram um novo tipo de força de elite para governar essa sociedade. Uma força com o poder de administrar a justiça e a punição. Eles tomavam para si os cargos de policiais, júri e executores. E eu suponho que muitos outros, também, caso contrário seria bastante panaca ter uns desses caras andando por aí acompanhados de promotores, advogados, meirinhos, datilógrafos etc. Melhor dizer que eles eram caras que chegavam lá e matavam a galera a rodo, sem essa palhaçada de julgamento. Igual a polícia do Rio de Janeiro. Eles eram os Juízes. Um nome meio babaca, se você pensar bem. Caso eu fosse um cozinheiro, administrador de empresas e técnico em eletrônica, eu não acho que seria legal me chamarem de Cozinheiro. Eu tenho três empregos e tudo que eu ganho é uma letra maiúscula em um escolhido assim, a esmo? Sei lá. Pelo menos talvez os salários sejam somados. Mas não era melhor ter criado outro nome, pra evitar confusão? Ah, deixa pra lá. Onde eu estava? Ah, sim. Eles eram os Juízes.

Um senhor Ferguson está saindo da prisão, onde ele foi colocado provavelmente por ter sido um gigolô, mesmo que por acidente. Um guarda de armadura ridiculamente restritiva, tipo um Stormtrooper com uma capinha ridicula, diz a ele aonde ele deve ir. Então ele vai de táxi, cê sabe, passando pela estátua da liberdade, por prédios muito altos e pelos créditos de abertura do filme, até ser deixado numa área na qual está havendo uma revolta populacional. Ele passa por um carrinho que pede às pessoas que, pelo bem do meio ambiente, comam comida reciclada - o ponto alto do filme. Ao entrar no apartamento, ele é surpreendido por uns simpáticos que dizem a ele que está rolando uma Guerra de Quarteirão. E dois Juízes em motocas chegam para ficarem num canto esperando por apoio. Estranho que eles usem motoquinhas, mesmo que voadoras. Quer dizer... o cenário é totalmente apocalíptico, tem gente atirando com armas enormes e lança-granadas nos prédios vizinhos. Eu esperava, no mínimo, um Caveirão, não algo que te deixa completamente desprotegido numa zona de guerra. Tem um motivo pelo qual os exércitos usam tanques em vez de scooters, mas os Juízes devem saber mais das coisas que eu. Talvez seja mais estranho que as motocas tenham rodas, porque elas voam. Quem diabos ia preferir trafegar pelo chão, onde qualquer irregularidade no esfalto pode te trazer os problemas típicos de um veículo de duas rodas, quando você pode voar a qualquer atitude? O Juiz Dredd! Porque chamam por apoio e ele vai lá, vagarosamente e fazendo muito esforço para controlar a geringonça que o transporta. Em defesa dele, a moto parece ter sido concebida para parecer legal, não para ir de um ponto A a um ponto B. É toda gorda, disforme e presumivelmente pesada.

Lugar seguro pra voar de moto.

Bom, o Dredd chega lá, pára no meio da rua e resolve gritar "Eu sou a lei! Larguem as armas! Estes quarteirões estão presos! Este é o último aviso!". Um dos primeiros Juízes a chegar na cena comenta com a Juíza (que o Dredd vai comer, caso contrário seria um cara) que Dredd está bem vulnerável. Panaca. Dredd é o principal, ele sempre sabe o que está fazendo. Que é exatamente o que a gostosinha diz. Enquanto isso, em mais um paralelo ao Rio de Janeiro, os bandidos dizem "porra, velho, é o BOPE, fodeu!", mas o líder argumenta que, se é para ter medo de alguém, é melhor ter medo dele. O que não faz muito sentido, em primeiro lugar porque eles estão do mesmo lado e em segundo porque medo não é algo exclusivo - nem sequer socialmente. Mas sei lá, né? Ele é o chefe-bandidão, deve saber mais que eu. O gigolô faz a segunda piada do filme. É fraca e, sinceramente, o bandidão devia tê-lo matado só por ela. Eu poupei vocês da primeira, feita durante os crédtios de abertura, e vou popuá-los de todas as próximas, também, caso sejam tão ruins, me referindo a elas apenas de passagem, como "piada #2", por exemplo. De qualquer forma, a galera põe as armas janela afora e atira na paródia de Robocop que está lá embaixo.

Rambocop.

O Juiz pentelho diz pro Dredd arrumar cobertura. Devia tomar um belo tiro por não acreditar na gostosinha. Dredd responde que eles estão usando munição de 20mm, cujo alcance letal é 200m, a 300m de distância. O que quer dizer que eles estão salvos e são babacas por estarem com medinho. Ele também sabe mais que eu. Aliás todo mundo sabe mais que eu, nesse filme, por isso eu gosto dele. É um filme que ensina coisas. Eu pensei que munição 20mm fosse munição largamente utilizada como antiaérea ou antitanque. E que o alcance dela fosse de uns 2km. E que o alcance efetivo de uma arma fosse medido no plano, não numa situação de disparo quase vertical para baixo, quando ele seria extremamente estendido. E que, mesmo que fora do alcance letal, chumbo ainda pudesse causar bastante estrago e devesse ser evitado. Porque um chute no saco também não é letal, mas nem por isso eu o receberia de braços ou pernas abertos. Mas o Dredd é um profissional e resolveu que é seguro, então tudo bem. Vai ver a munição deles é tão porca que até faz sentido eles usarem aquele velotrol pra locomoção.

Seguro a 300m. Exceto pela bola de golfe.

Enfim, Dredd diz "granada", a arma dele diz "granada", acende umas luzinhas e ele atira uma granada na porta. Dredd, eu precisava levar um lero com o cara que projeta seus equipamentos, sério. Eu vejo alguns problemas aí nessa arma. Hoje em dia a gente já tem essa capacidade de ativar as coisas por voz, mas você não vê isso em armas. Eu, pelo menos, não me lembro de nenhum policial gritando "tiro! tiro! tiro! tiro! recarrega! tiro! tiro!" pelas ruas, porque esse projeto tem umas desvantagens. Por exemplo, fica impossível configurar sua arma em silêncio, pra um ataque tático. E ativação manual é mais rápida que ativação verbal. Um seletor ou segundo gatilho bastariam. O exército usa rifles com lança-granadas e eles têm dois gatilhos. Até porque uma guerra ou confronto civil, que seja, é um evento bem barulhento. E considerando quão mal o reconhecimento por voz funciona mesmo sem interferências ruidosas, como nós podemos ver nos celulares, você pode acabar selecionando uma função indesejável por engano. O que é muito mais preocupante dada a crescente expansão de funcionalidade dos nossos aparelhos portáteis - de novo demonstrada em celulares/computadores/GPS/etc. Você vai me entender quando disser "Granada" e sua arma perguntar "ligar para 'Renata'?". "Não! Granada, porra! Granada! Eu preciso de uma granada! Eu vou morrer, cacete. Me dá uma granada!" "Hum... ligar para 'João'?" Sério, você vai ver. Mas, enfim, você entra pelo rombo que fez na porta.

Porra! Isso foram só dez minutos de filme? É tão emocionante que parece que eu estou vendo isso há horas. Melhor eu continuar depois.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Plow a Poop Maze




Vamos direto ao ponto, ignorando a bostescência generalizada que constitui o resto desse comercial: ao final do vídeo acima, o que eles dizem é, oficialmente, "dê um up com Close-Up". Mas, graças à dicção dos cantores não ser muito melhor que a de uma bunda, passei muito tempo ouvindo "melwap popozão". Olha aí o que vocês fizeram com um possível cliente, em vez de tê-lo forçado a passar esses meses de exposição seriamente cansiderando a compra do seu dentifrício de coloração estapafúrdia: como "melwap", pra mim, só pode ser algo como nome de feiticeiro, durante todo esse tempo fiquei a imaginar várias formas de magos bundundos (a saber: 1 - simplesmente um desses estereótipos de longas barbas, mas com uma bunda descomunal; 2 - um mago magrelo cujo topo do cajado tem a forma de uma bunda; 3 - um mago cuja longa barba branca característica da classe tem o formato de uma bunda; 4 - poderoso feiticeiro com magias temíveis como "Bundas de Fogo", "Conjurar Gretchen" e "Ventriloquismo" etc.). Todas as outras combinações possíveis de magias e bundas, eu diria). Não sei se era essa a idéia, mas, em caso afirmativo, é uma estratégia de vendas bastante curiosa. Mesmo agora, depois de entender as palavras cujo total fracasso em termos de clareza deram origem a Melwap Popozão, lorde suberano das próprias profundezas, continuo a imaginá-lo quando vejo esse anúncio horrível, e pretendo abrir um processo contra a empresa. Sério, isso tem tomado muito do meu tempo. Suponho que eu possa expurgar essa imagem da minha cabeça, mas vai ser difícil. Talvez um curto conto possa me livrar dessa verdadeira maldição, mas teria que ser um conto bem denso em feitiços e popozões. Talvez além das minhas habilidades.


Entende a túnica larga?


Era um dia normal para o assassino e assaltante do bairro, Bobby Bunda (o nome existe!). Tão normal quanto um dia pode ser quando é noite, pelo menos, e você está tentando invadir o cuvil de um poderoso feiticeiro para roubar suas riquezass. E o saque estava correndo muito bem quando, bastante bebum, Melwap Popozão escancara a porta de sua casa e desbunda-se com a presença de Bobby em seu lar. Disposto a se divertir, imediatamente começa a invocar uma magia para levar o alvo de suas abundantes destrutividades para um lugar onde os efeitos colaterais significassem menos. Algum lugar cuja importância fosse desprezível e, para efeitos deste episódio, contivesse muitas bundas: a TV.

"Ulhaaaa" foi a última coisa que Robert ouviu antes de cair de bunda e quase ser afogado na pequena e superpovoada banheira de bundas em que caía. Confuso, ele mal teve tempo de empurrar a Sheila Mello para sair antes de ser surpreendido pelas duas bandas de axé que entravam no palco, cruzando seu caminho. Em meio a todos aqueles chocalhos de carne com recheio inominável, Bobby começava a chamar a atenção da platéia e dos convidados. Van Damme tinha seus olhos pregados em Bunda já havia algum tempo. E aí... aí... hã... chegaram mais umas bundas... e aí choveu bundas... e o mundo virou uma bunda gigante com furúnculos em forma de bundas. É, eu acho que isso conclui satisfatoriamente a história.

terça-feira, 16 de março de 2010

Salame Malvado Livra Psique

Embora o título sugira uma tese em defesa do estupro, eu vou deixar para publicá-la mais adiante (provavelmente no dia internacional do sexo-surpresa). Hoje o plano é derrubar a idéia "Uma imagem vale mais do que mil palavras. Mas tente dizer isso com uma imagem." como sendo algo impossível de se realizar. Infelizmente eu descobri que habilidade de desenho - ou pelo menos qualquer semblante de senso estético - seria uma ferramenta essencial para essa empreitada. E na arte, como no sexo, existem crianças de quatro anos tecnicamente melhores e de gostos mais refinados que o meu.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Foco: Pontos

Por acaso eu percebi que meu blog era um dos primeiros resultados do Google para "Edilurdes" (precisamos de mais Edilurdes no mundo, viu?). E não pude resistir a apertar o botão "translate this page" que aparecia ao lado do link. Dizem que as traduções do Google estão cada vez melhores. Para comparar, eu passei meu texto para o Inglês pelo Google e de volta para português pelo Altavista. Embora o resultado final tenha sido - eu tenho que admitir - um texto bem melhor, ainda não acho que o produto da tradução desses sites esteja bom. O resultado, na íntegra:

“Oh, macarrão do no. furado outra vez?
- É. Que é errado?
- Eu não gosto. É distressing.
“Como assim? É apenas como a massa normal. A mesma massa, o mesmo gosto.
- Sim, mas é horrível comer. Você suga e suga e não está qualquer coisa em sua boca. Mesmos que Fernando.
- Olá!? Fernando?
- É. Um indivíduo em meu trabalho para quem eu faço para o sopro às vezes.
- Como é? Você está enganando-se em mim com este Fernando?
- Somente às vezes. Como eu disse, eu não gosto.
- Merda, Edilurdes. E vem agora este Fernando?
- Que erro?
- É abuso! Eu pensei que eram somente Claudio, Bruno, Fred, Gusmao, Juninho, o Kléber, Renato, o Trancoso, pique, Shaul, Joana, Maurícia, Venancio, o Theodore e vigésimo sétimo batalhão o PM. E agora que mais amigos?
E-Nei, o Dadinho e Tobias.
Tobias-o? Merda santamente, Edilurdes! O Tobias?
- É. Que você tem de encontro a Tobias?
Nada. Eu amo Tobias. Eu penso que é até porque eu sou mais virado.
Virar-porque? Você igualmente tem seus escapades.
a Um-pornografia por o mês no quarto quando você me olhar, o fizer o divertimento e o criticar meu desempenho masturbatório é longe de ser um “escape”.
- Você tem as mesmas possibilidades. Eu apenas tenho mais sucesso do que você.
- Dum raio, Edilurdes, o mais mau é que você não escala sobre mim. Se você escalou, talvez nao necessário para circundar fodendo a vizinhança inteira.
- Renato é Aclimação e as vidas de Fred em Taboão, consideram?
- Deixe-o ser!
- Bom… seja. Eu não sei. O Saul e o Gusmão são mais maus do que você, mesmo então mim pensa que poderiam ter conservado. Após a tentativa pelo menos.
- Veja?
- Olhe, mas para ser honesto eu penso sou que uniforme ande com nossa união, ver?
- “Muito” Edilurdes. “Muitos”.
- No. Uniforme, mesmo porque eu estou sendo usado durante todo o batalhão PM. Hahaha. Caiu para isso, huh?
- Hahaha. Realmente. Ai, ai. Eu caí como um pato. Eu gosto de como você ainda me faz o riso.
- Yeah. Assim… eu tenho que nadar para sair porque hoje eu encontrarei Nei. Não espere acima.
- Nei? Estava já na lista?
- I.
- Toda para a direita. Mas não irá adicionar os nomes novos, huh? Bastante meus chifres hoje.
- Eu prometo, amo. Eu sou goin. E veja se você fechar acima esse cão que se mantem descascar.
- Deve estar com fome. Silêncio, Tobias! Papar vem, vem.

sábado, 6 de março de 2010

Foco: Amarradura

-Ah, não. Macarrão furado de novo?
-É. Qual o problema?
-Eu não gosto. É aflitivo.
-Como assim? É igual ao macarrão normal. Mesma massa, mesmo gosto.
-É, mas é horrível de comer. Você chupa, chupa e não vem nada na sua boca. Igual ao Fernando.
-Oi? Fernando?
-É. Um cara lá do meu trabalho pra quem eu faço uma chupetinha às vezes.
-Como é que é? Você está me traindo com esse Fernando?
-Só às vezes. Como eu disse, eu não gosto muito.
-Caralho, Edilurdes. E agora vem esse Fernando?
-Que é que tem?
-Já é abuso! Eu pensei que fossem só o Cláudio, o Bruno, o Fred, o Gusmão, o Juninho, o Kléber, o Renato, o Trancoso, o Lúcio, o Saulo, a Joana, o Maurício, o Venâncio, o Teodoro e o vigésimo sétimo batalhão da PM. E agora mais esse Fernando?
-E o Nei, o Dadinho e o Tobias.
-O Tobias? Puta merda, Edilurdes! O Tobias?
-É. O que é que você tem contra o Tobias?
-Nada. Eu adoro o Tobias. Acho que é até por isso que eu fico mais chateado.
-Chateado por quê? Você também tem suas escapadas.
-Um filme pornô por mês na sala, enquanto você me olha, tira sarro e critica minha performance masturbatória está longe de ser uma "escapada".
-Você tem as mesmas chances. Eu só tenho mais sucesso que você.
-Porra, Edilurdes, o pior é que você não trepa mais comigo. Se trepasse, talvez nem precisasse sair por aí fodendo o bairro todo.
-Renato é da Aclimação e Fred mora no Taboão, viu?
-Que seja!
-Bom... pode ser. Sei lá. O Saulo e o Gusmão são piores que você, até, então essas eu acho que poderia ter poupado. Depois de experimentar, pelo menos.
-Viu?
-Olha, mas pra falar a verdade eu acho é que ando farda com o nosso casamento, viu?
-"Farta", Edilurdes. "Farta".
-Não. Farda, mesmo, porque tô sendo usada por todo o batalhão da PM. Hahaha. Caiu nessa, hein?
-Hahaha. É mesmo. Ai, ai. Caí feito um patinho. Gosto de como você ainda me faz rir.
-Pois é. Então... eu tenho que tomar banho pra sair porque hoje eu vou me encontrar com o Nei. Não me espere acordado.
-Nei? Ele já estava na lista?
-Já.
-Tudo bem. Mas não vai sair adicionando nomes novos, hein? Já chega meus chifres atuais.
-Prometo, amor. Tô indo. E vê se cala a boca desse cachorro que não pára de latir.
-Ele deve estar com fome. Quieto, Tobias! Vem papar, vem.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Foco Definido: Eu

-Sabe o que mais? Outro dia eu estava com os meus amigos e ela me puxou de lado e começou a gritar.
-Hum... estranho.
-Mas agora é sempre assim, viu, doutor? No começo, há uns anos atrás, era tudo tão bom...
-É, deteriora, né? É normal. Olha, eu acho melhor você vir aqui com ela pra eu dar uma olhada.
-Vou tentar, doutor, mas eu não sei se ela vai querer vir.
-Hum... é, aí é complicado. Não tem nada que eu possa fazer sem ela aqui contigo, eu acho.
-Pô, nem umas dicas, doutor? Eu estou desesperado. Acho que está acabando tudo.
-Calma. Não tem nada que não tenha conserto. Vamos ver... ela anda preguiçosa, às vezes te responde mal e às vezes nem te responde, fica especialmente ruim pela manhã... que mais?
-Me puxa de lado e grita nas horas mais inconvenientes.
-Olha... isso é muito estranho. Tem algum momento em que ela esteja dócil?
-Muito raramente, doutor. Talvez mais com os outros que comigo.
-Hum... tem outros envolvidos, é?
-Como assim?
-Tem outras pessoas que a... usam?
-Doutor, isso é pergunta que se faça? Eu fico ofendido... ah, olha... melhor ser sincero. Acho que sim.
-Acha? Não sabe?
-Tem razão. Eu sei que sim.
-Ei, não precisa chorar. Quer um lenço? Toma.
-Obrigado.
-Bom, aí complica mais. Porque a gente não sabe como ela interage com os outros nem como os outros a tratam, sabe?
-Outro, doutor. Calma lá. É só um. E o que é que eu posso fazer? Quer que eu traga ele aqui também?
-Seria bom. Mas você pode só perguntar como ela se comporta com ele.
-Hein?
-Seria bom eu saber. Pra te dizer o que fazer.
-E o que exatamente você quer que eu pergunte, porra?
-O normal. Se ela é xucra com ele também, o que ele dá pra ela beber etc.
-Quer que eu pergunte se eles vão pra cama e como ela se comporta lá, também?
-Claro que não. Isso seria uma pergunta bastante descabida.
-É... olha... desculpa se eu estou me excedendo.
-É normal. Essas coisas são assim. Quer que eu pegue um lenço pra você com menos graxa? Você está começando a parecer um índio.
-Não, deixa. Olha... eu só preciso saber o que fazer. Eu estou perdido.
-Tá. Deixa eu ver... que tipo de ferramentas você tem em casa?
-Ferramentas?
-É. Martelo? Serrinha de aço? Chave de roda?
-Meu deus! Você é maluco. Que tipo de conselheiro matrimonial de merda é você?
-Ah. Isso explica uma das minhas dúvidas. Eu não sou conselheiro matrimonial. Sou mecânico de motos.
-Mecânico? Ah... por isso o pano com graxa, as peças de motores penduradas e as motos estacionadas e desmontadas?
-É. Liga não, você não é o primeiro a fazer esse tipo de confusão.
-Poxa, foi mal. Mas também... por que um mecânico teria uma sala com um divã?
-Divã? Ah, tá. Isso responde minha outra dúvida. Isso não é um divã, é meu filho Jorge.
-Oi.
-Seu filho? Ah. É mesmo. Me desculpe, garoto. E por que diabos você está nu?
-Divãs não usam roupas.
-Jorge, fica quieto e vai se vestir até o moço ir embora.
-Bom... então, senhor, me perdoe por toda a confusão.
-Ei, tudo bem. Agora que estamos esclarecidos podemos continuar nossa conversa sem estranhamentos.
-Verdade. Então... eu posso matar minha mulher com um martelo, um cano de chuveiro, um castiçal ou uma corda. Qual seria melhor?
-Num... não sei. Deixa eu ver... como é que anda a saída de gases dela?