quinta-feira, 3 de abril de 2008

Sad Songs (Say So Much)

-Tempted by the fruit of another! Tempted but the truth is discovered!
-I live my life for you! I want to be by your side in everything that you do.
-Tell me: who? Who's fooling who?
-Why can't you see what you're doing to me when you don't believe a word I'm saying?
-Where've you been? Who've you seen? You didn't phone when you said you would!
-I don't want enybody else. When I think about you, I touch myself!
-You know I work too hard for this kinda play!
-I don't need to fight to prove I'm right. I don't need to be forgiven.
-It took me by surprise, I must say, when found out yesterday. Don't you know that I heard it through the grapevine?
-So it was wrong there in his arms. It seemed so right when another man loved me last night.
-When I'm alone all by myself, you're out with someone else. Lovin', touchin', squeezin' each other.
-Should have known better then to cheat a friend. And waste the chance that I've been given.
-Every time I fall in love - Crash! Boom! Bang!
-And though I know all about those men, still I don't remember. 'Cause it was us, baby, way before then, and we're still together.
-That's what makes the difference today. I hope you blow away.
-Don't lose the grip on the dreams of the past. You must fight just to keep them alive.
-Fuck you! Fuck you! Fuck you and all we've been through!
-You're as cold as ice! You're willing to sacrifice our love!
-...
-...
-Turn around.
-...
-Turn around, bright eyes.
-Go on now go, walk out the door. Just turn around now, you're not welcome anymore.
-Sometimes I just forget, say things I might regret. It breaks my heart to see you crying.
-Your love is gone 'cause it all comes down to you!
-Oh, you're a hard one. I know that you got your reasons.
-You are everything. And everything is you.
-I don't wanna lose you now! We're gonna get trough somehow!
-Now you don't talk so loud. Now you don't seem so proud.
-It was you who made my blue eyes blue.
-That's the way I like it.
-I'm never gonna make it without you. Do you really wanna see me crawl?
-What would you say if I took those words away? Then you couldn't make things new just by saying "I love you".
-Forget about it. I'm admitting I was wrong and I'll take what's mine and walk right out the door.
-Are you leaving? Are you going?
-If he ever hurts you, true love won't desert you. You know I'll still love you though we touched and went our separate ways.
-How can you just walk away from me when all I can do is watch you leave? 'Cause we've shared the laughter and the pain and even shared the tears. You're the only one who really knew me at all.
-I would rather hurt myself than to ever make you cry. There's nothing left to say but goodbye.
-I'm all out of love. What am I without you? I can't be too late to say that I was so wrong.
-If you take me back... back to your place, I'll try not to bother you, I promise.
-Please don't go. Don't go. Don't go away!
-Never gonna give you up, never gonna let you down, never gonna run around and desert you.
-Do you love me? Oh, do you love?
-Do you feel loved? Do you feel loved?
-And when I get that feeling I need sexual healing.
-Take on me! Take me on!

domingo, 2 de março de 2008

Wants Hedonism

Não é que ele estivesse triste - não estava. Estava só cansado. Muito. Tinha vivido já por trinta anos, vinte e quatro horas por dia, sem um segundo sequer de folga. Mesmo quando dormia, sonhava estar fazendo alguma coisa, então não era um período que contasse como descanso.

Tinha isso todo ano, especialmente pela época do natal. E não sabia se tinha a ver com as festividades. Mais especificamente passar pelas festividades sozinho. Então se lembrava do porquê de passá-las dessa forma: era o menor dos males. O Natal, o ano-novo e todas essas porcarias eram, para ele, como uma grande festa de escritório. Circular pelo salão cruzando com pessoas com as quais não tinha nem fazia questão de ter intimidade, cumprimentar e esperar até que o negócio todo virasse o final de um filme infantil ruim: um monte de clichês sem sentido nem nexo e todos sentindo a alegria de receber amor e afeto sinceros e inventando umas mentiras para não ficarem atrás nas palavras. Logicamente se convencendo de que estavam dizendo a verdade, embora a verdade desse dia não valesse nos outros 364 dias do ano (365 em anos bissextos, sejamos didáticos).

No ano passado tinha sáido e comprado uma arma. Após um período de indecisão entre um pacote de salgadinho ou uma arma. Mais especificamente, entre Cheetos Bolinha e uma Smith & Wesson 0.357. Pensou ter optado pela Smith & Wesson por ser mais letal. Depois reviu o raciocínio, considerando como o consumo exagerado de salgadinhos é nocivo à saúde, quão facilmente uma criança poderia se engasgar, como seria fácil asfixiar uma pessoa com a embalagem e como, se você se escondesse em um arbusto, esperasse um velhinho passar e sa´sse gritando, pulando e jogasse o saquinho de Cheetos nele, poderia causar um enfarto. Passou alguns dias pensando a respeito até perceber que comer, enfiar na garganta de uma criança ou jogar em um velho uma Smith & Wesson faria provavelmente mais estrago que o pacote de Cheetos. Tinha a questão da embalagem, mas resolveu embrulhar a arma em um saco de supermercado e deu-se por satisfeito com seu raciocínio original quatificador de letalidade. Era um homem muito preciso, perceba.

Tinha chegado a usar a arma, vez ou outra, em uma academia de tiro. Bastou pouco tempo para perceber que não achava aquilo legal. Ficou matutando sobre o porquê de ter resolvido comprar a arma, então, e achou a resposta justamente na letalidade. Volta e meia ficava a contemplar aquele pedaço de metal esquisito e matutava sobre a facilidade de matar. Segurando um aparelho não só feito para tirar uma vida, mas até dez ou doze por carga, a gosto do proprietário, pensava na fragilidade vital, na brevidade tão ridiculamente longeva do tempo de uma pessoa aqui na terra, especialmente o de um pirata. É pouco para o que se existe para fazer, mas é ao mesmo tempo muito mais longo do que as pessoas merecem. Você dá cinqüenta ou sessenta anos de vida para uma pessoa e ela passa um terço dormindo e o resto desperdiçando. É, a única coisa que se faz de certo nessa vida é dormir. É um mecanismo que a vida nos deu para evitar que a gente invista a totalidade do nosso tempo em coisas babacas, como aquele aglomerado de pedaço de metal retorcido, uma casa ou um casamento. Ainda assim muita gente dorme pouco. E mal. Ele, por exemplo.

Podia passar mais tempo filosofando, mas estava quase na hora do jornal, então ele guardou a arma e a filosofia de bueiro na gaveta e foi ligar a TV. Parou e pensou em usar a arma para redecorar o apartamento com os próprios miolos. Matutou por alguns segundos e decidiu comer Cheetos Bolinha. Depois procederia a expandir as ideías com chumbo, não tinha pressa. Até porque queria ver TV. Estava curioso para saber se as pouquíssimas ações que ele tinha haviam valorizado. Não que fosse ter graves conseqüências financeiras. Não faria nenhuma diferença, nem que as ações fossem da própria Smith & Wesson. Era só passatempo e ele estava bem ciente disso. Mas já tinha vivido tanto e, ultimamente, só encontrado algum prazer em ver o jornal, que podia esperar por mais cinte minutos divertidos. Torceu para não acabar com os Cheetos antes do jornal, porque aí iria pipocar a cachola sem ver o segmento de esportes.

Pôs a arma ao lado da cabeceira e abriu o pacote de salgadinhos. Pensou sobre a ordem que tinha adotado para as duas ações e considerou ter começado a comer depois de ter pego a arma. Imaginou se não teria feito isso para ganhar algum tempo a mais de vida, subconscientemente tentando se apegar a ela. Buscou uma razão para viver por alguns segundos, enquanto mastigava o isopor amarelo do mal, e não encontrou nada. Racionalizou então que tinha feito na ordem em que tinha feito para não encher a arma de pó e gordura, ficando bastante satisfeito com esse raciocínio. Amaldiçoou-se por ter gastado algumas bolinhas de vida pensando em vez de ver TV. Seguiu-se um breve pensamento sobre como ver TV era, em inúmeros níveis, mais produtivo que pensar, mas ele rapidamente se extinguiu até para não constituir uma certa hipocrisia.

A primeira notícia mostrava um acidente em um parque de diversões. Ao ouvir os depoimentos das pessoas, começou a colocar dois Cheetos por vez na boca. Idiotas essas pessoas que gostam de parques de diversão. Vão lá para ter adrenalina, para terem seus corpos chacoalhando além do controle. Para ter emoção. Porque dizem gostar. Depois ficam pendurados, chacoalhando além do controle e cheios de adrenalina e choram e se apavoram. Se parassem um pouco veriam que o brinquedo quebrado exerce exatamente a mesma função do brinquedo que funciona corretamente. A diferença é que às vezes te mata ou te aleija. Mas grande merda, ele estava para morrer ou ser aleijado e não ligava. Porque já tinha visto que a vida é tão babaca e um desperdício tão profundo de tempo que leva as pessoas a irem para parques de diversões serem chacoalhados. Você pergunta a um imbecil (e quem dera fosse só um) o que ele quer fazer no final de semana e ele quer ser sacudido até ficar zonzo. Bom, ele queria enfiar uma bala na cabeça. E, comparativamente, seria o taxado de louco. Por gente sacudida.

Deixou alguns salgadinhos derreterem na boca enquanto passava um comercial de cerveja porque aparecia uma mulher gostosa. Voltou a mastigar freneticamente quando acabou o intervalo.

Já tinha comido mais da metade do pacote. Suas ações não tinham subido. Achou engraçado. Passou uma notícia bonitinha sobre uma mulher, em algum lugar, que fazia um trabalho asissistencial em prol de algumas crinaças ou coisa assim. Em alguma região pobre. Jogava os salgadinhos pra cima e comia. Os que erravam o alvo ele considerava perdidos, porque o carpete era sujo. Ficava ainda mais quando ele pisava nas bolotas caídas. E ria, porque sabia que não ia ter que limpar. Viu notícias sobre um assalto. Ficou entediado. Decidiu virar o pacote de uma vez. Engasgou. Desesperado, começou a se contorcer porque tinha pago caro naquela arma e já tinha planejado estourar a cabeça, não ia tolerar nada com sabor falso de queijo estragando seus planos. Vermelho e quase sem ar, conseguiu cuspir o que estava na garganta. Era um vale-brinde. Valia outro pacote de Cheetos. As lanchonetes já estavam fechadas, então ele lavou as mãos, guardou a arma e deixou tudo para o dia seguinte.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

O General Meteu

Eu geralmente não colocaria aqui alguma porcaria ruim que não fosse escrita por mim. E nunca colocaria aqui algo legal, também, por dois motivos. a) Porque provavelmente não seria meu e b) algo que eu li por aí e achei divertido umas setecentas pessoas devem ter lido e achado divertido. Como nem todo mundo é tão consciente quanto eu, cada uma dessas pessoas vai enviar um e-mail para mais setecentas pessoas, o que dá um total de uns 480000 e-mails com o texto circulando por aí. Sendo mais ou menos metade assinada pelo Veríssimo e a outra dividida entre Washington Olivetto, Bill Gates, ministro francês sem nome e talvez até a Lassie. Os 10000 restantes são versões em Power Point com a foto de um velhinho ou um cachorro e musiquinha triste. Talvez tenha a foto do velhinho e a do cachorro. Talvez ambos numa mesma foto. E se foi algo que eu achei legal, provavelmente eles estejam fazendo sacanagem. Seria muito bacana se tivesse a foto do cachorro, do velhinho, depois deles brincando e então deles trepando. Juntos, eu quis dizer. Senão vira só pornografia barata. E um com o outro, aliás. Melhor especificar antes que a imaginação das pessoas fuja ao controle e cause estragos.

Coisas legais para se mandar na intranet do asilo à parte, eu mencionava um texto muito especial. Está comigo há muito tempo e já é hora de dividí-lo. Duvido que você consiga lê-lo do começo ao fim enquanto come o seu cachorro. Esquece o cachorro, duvido que você consiga lê-lo do começo ao fim. Ah, talvez eu nem precise dizer, mas isso foi escrito por um cara chamado Guilherme. Só não sei se foi antes ou depois de lançarem GTA3. Caso tenha sido antes, ele é na realidade um visionário e podia ser rico hoje se tivesse vendido a idéa. Caso tenha sido depois, é só um fedelho que devia jogar menos videogame e... hã... ver mais TV? Puxa, só tem essas duas opções. O governo devia investir mais em entretenimento.

"A melhor de todas as minhas histórias... melhor que até mesmo... TERROR MACABRO, MORTE SÚBITA OU PERSEGUIÇÃO...

Eu tinha acabado de jogar Driver 2, para PSX. Olhei para a janela e vi 2 caras chantageando um menino. Fiquei prestando atenção e estranhei muito.
Como eu morava no 4º andar, a vista de lá de baixo ainda era bem fácil de ser vista. Saí do meu quarto. Fui para a sala. Calcei um chinelo e saí de casa.
Desci as escadas rapidamente. Eu sabia que tinha coisa ali no que eu vi. Eu estava desarmado e eles eram 2. Mas resolvi arriscar.
Quando terminei de descer as escadas, saí do saguão dos elevadores e andei até os caras. Eu falei:
-Ae, bando de idiotas... pq não vem socar o cara aqui ao invés do menino? Briguem com alguém do seu tamanho!
Os caras tiveram um ataque de riso. Um deles, se contorcendo (o de boné, autor da chantagem com o menino), falou:
-Vc tomaria um cacete da gente se eu e meu “amiguinho” aqui te encarássemos... vai pra casa voltar pra mamãe, vai... dá mais risadas
Explodi em fúria quando ele disse isso. Dei um chute na cara dele e outro no amigo dele, e daí eles se enfezaram e o outro cara disse:
-Vamos quebrar ele.
-Vc mexeu com a gente, agora vai morrer...
O cara sacou um canivete. O outro estava desarmado. Eram 2 contra 1, e um armado. Que roubada fui me meter! Mas, mesmo assim...
Soquei o outro cara e dei um chute que desarmou o de boné. Meu chinelo balançou mas não saiu do meu pé.
O outro cara estava tonto. Aproveitei e o desacordei com um chute no pescoço dele.
O de boné, nisso, conseguiu me atingir, dando socos e chutes em mim.
Fiquei um pouco tonto, mas consegui me recuperar antes do próximo golpe e torci o braço dele. Resultado: Usei toda minha força e quebrei o braço dele.
-Vc vai ver, cara!!
Ele estava bem ferido. Seu companheiro estava caído no chão. Eu estava menos machucado que ele, mas mesmo assim, meio dolorido com os golpes que ele deu.
O cara de boné conseguiu recuperar o canivete e me deu um golpe com o mesmo, que pegou de raspão meu braço esquerdo. Gritei de dor, mas dei um soco com o outro braço no pescoço dele, que o fez desacordar.
Eu estava ferido. Mas andei até a quarita e o faxineiro viu que eu estava ferido.
-Vc precisa tratar isso. Tome. Dá uma caixa de band-aid
-Só isso não basta, será que eu poderia desinfetar?
-Claro os produtos tão aí aponta para alguns produtos para machucados
Desinfetei o ferimento e colei um band-aid.
Andei um pouco e sentei no banco. Eu precisava sair do prédio e rumar para bem longe. Então pensei e o menino chantageado chegou até mim e disse:
-Ei, obrigado.
-Sem problema. Eu falei. Vá para casa agora.
O menino foi sem dizer nada. Andei até o banheiro dos faxineiros, no saguão.
Encontrei chaves. Peguei uma que talvez fosse de carro. Eu vi um Santana vermelho parado e pensei que a chave tivesse no banheiro dos faxineiros. E eu tinha acertado.
Andei um pouco até o portão do prédio. Ninguém abriu. Claro, a quarita estava vazia. Então, resolvi entrar na quarita novamente.
Lá dentro, abri o portão. Saí da quarita.
Vi que os caras estavam quase acordando. Eu precisava fugir. Peguei o canivete que estava no chão e corri até o portão. Ele estava aberto e eu saí do prédio. Fechei o portão. Abri a porta do Santana vermelho, que estava parado. Entrei no carro.
O faxineiro e quem estava por perto gritaram:
-Ei vc!!! Saia daí!!
Correram para o portão, que foi aberto novamente.
Girei a chave e o carro pegou de primeira. Tinha ½ tanque de combustível.
Engatei a primeira marcha e arranquei. Ninguém conseguiu me deter.
Andei mais um pouco e engatei a segunda. O sinal estava vermelho, então parei.
Eu estava só com minha roupa no corpo, meus bolsos só tinham um canivete, eu estava de chinelos e estava dirijindo um carro! E eu tinha 14 anos.
Tinha meio tanque de gasolina. Dava pra rodar bastante. Eu iria o quanto pudesse. Estava decidido. Eu pegaria a estrada e sairia da cidade.
O sinal abriu e eu engatei a primeira de novo. Acelerei um bocado e engatei a segunda. Eu tinha velocidade no sangue, digamos assim.
Peguei a rua e eu já estava na terceira marcha e a uns 70 km/h.
O velocímetro do Santana marcava 220 km/h. Mas eu sei que não ia até tudo aquilo.
Deparei com outro semáforo. Eu sabia que não era aquele o caminho para estrada.
O sinal abriu e acelerei de novo. Era emocionante.
Dei a volta no retorno e retornei a avenida. Eu cheguei a engatar a quarta marcha e atingir uns 85 km/h, mas tive que brecar bruscamente e reduzi as marchas e o carro parou novamente. É, muitos sinais pela cidade.
O sinal abriu e consegui retornar a avenida com sucesso. Subi o viaduto. Eu estava em terceira. Dei uma acelerada e a sorte de pegar o sinal verde. Virei e acelerei.
Eu andava nesse momento por outra avenida. Cheguei a 90 km/h e quase a quinta marcha, mas me deparei com um sinal vermelho e tive que parar.
O sinal abriu e eu engatei as marchas de novo. Estava em quarta. Eu não podia correr muito, tinha um radar de 70 km/h.
Fui andando com o carro normalmente, de acordo com o fluxo.
Após isso, tinha uma subida e um sinal. Estava verde.
Continuei andando na velocidade do radar e já em quarta. Reduzi a 60 km/h para virar a curva e em seguida comecei a acelerar mais. Eu estava quase na estrada.
A essa altura, eu já estava a 95 km/h e ia engatar a quinta quando tinha outro radar.
Reduzi para 70, a velocidade do radar mas engatei a quinta marcha, mesmo assim.
Após o longo trecho, virei umas pequenas curvas e peguei o caminho da Anhanguera. Segui adiante.
Entrei na estrada. Acelerei bem mais.
O velocímetro foi subindo. Eu estava já em quinta há tempos.
100, 110, 120... andei a 130 km/h.
Reduzi para 110 km/h. Não acelerei muito, pois precisava ter gasolina para rodar o máximo possível.
Como eu saí de casa por volta das 16:00 hrs, não demorou a anoitecer, por conta da própria época do ano.
55 minutos depois, eu já estava nas entradas de Rio Claro, mas resolvi prosseguir. Eu não pararia enquanto o carro ainda tivesse gasolina.
Eu estava sem dinheiro algum. Estava só com a roupa do corpo, chinelos, um canivete e o carro.
Passei reto pelas entradas e não entrei na cidade. Eram quase 17:00 hrs.
Rodei por mais 1 hora com o carro a 110 km/h... o sol já estava se pondo e eu tinha ligado a lanterna do carro.
O carro tinha um tape com toca fitas, antigo. Mas eu nem mexi nele.
Eu estava agora em São Pedro. Eram 18:00 hrs e eu não entrei na cidade. Eu tinha menos de ¼ de gasolina, agora. Se eu não tivesse economizado gasolina, o carro teria parado...
-Acho que chego até Brotas com essa gasolina... depois disso, não sei o que fazer.
Faltava algum tempo para Brotas, mas a gasolina já beirava a reserva.
-Não sei quanto é a reserva desse carro, mas eu vou andar até parar.
Demorei mais 40 min para chegar na área de Brotas. Eu queria seguir adiante mas não conseguiria rodar por mais tempo. Eu já estava com a gasolina na reserva há muitos quilômetros. Era de noite agora e 18:40 hrs.
Então, resolvi entrar na cidade.
Andei pelos primeiros quarteirões da cidade e o carro de repente parou.
Girei a chave várias vezes mas não pegava mais. Sim, acabou a gasolina.
Tirei a chave e joguei no banco. Desliguei a lanterna (eu não tinha ido para o farol ainda) e abri a porta do Santana. Saí do carro, mas antes travei o pino.
-É, fim da linha com este carro. Mas espere!

É o fim do primeiro Capítulo. Rodei com o Santana Vermelho modelo antigo até aqui, em Brotas. Era uma noite linda... mas... Segundo Capítulo...

13 de Agosto de 2002 - Brasil - Estado de SP - Brotas - Perto do Salto - um bairro

Vi uma casa com uma grade e um Fusca, com a chave no contato!
-Vou pular essa grade e pegar o carro...
Pulei a grade. Saquei o canivete e arrebentei com o vidro. Um estrondo grande se ouviu. Abri o Fusca vermelho também, entrei no carro e girei a chave.
Pegou na terceira vez. Engatei a ré e arrebentei a grade.
Girei o carro com direção para a rua. O bairro era bem iluminado. Liguei os faróis do Fusca, engatei a primeira marcha (o câmbio do Fusca tem 4 marchas apenas, lembrando antes) e arranquei.
Os moradores da casa viram eu saindo e entraram para dentro. Provavelmente chamariam a polícia local. Arranjei mais encrenca.
Mas com o Fusca, cheguei a 30 km/h e dei meia volta, após isso, acelerei até 40 km/h e engatei a segunda marcha.
O tanque do Fusca estava cheio. Que sorte! Eu demoraria 100 km até Barretos, o problema é que eu era de menor e não entra quem tem menos de 16 anos lá... eu estava burlando totalmente a lei... mas eu continuaria assim, eu gostava!
Eu estava com fome e frio. Mas mesmo assim, eu daria um jeito de parar em algum lugar, não importa qual fosse.
O velocímetro do Fusca marcava apenas até 140 km/h. Andava menos que o Santana. Eu estava nesse momento a 70 km/h e engatando a terceira.
Agora estava a 100 km/h e engatei a quarta. Aumentei a velocidade para 120 km/h e fui andando pela estrada, já um pouco escura.
Andei 50 km com o Fusca e encontrei um posto meia boca. Entrei nele. Reduzi todas as marchas, parei o carro, travei antes de sair e fechei a porta, com a chave. Peguei a chave e coloquei no bolso. Faltava mais 50 km pra Barretos. Eu iria roubar o posto. Saquei o canivete e fui logo rendendo as pessoas do lugar, uns caras mal encarados e com olhar de mandões.
-Calma moleque que vamos te matar rapidinho... Disse um dos caras.
Eles eram cerca de 15 a 20 pessoas, contra mim! Mas eu não estava desarmado.
-Tentem me pegar, idiotas! Eu falei.
Girei e feri 5 de uma vez com o canivete. Desacordei outros 5 com um chute mortal, dei um soco em outros 5 e nos últimos eu dei canivetadas mortais.
Todos caíram no chão. Peguei todo o dinheiro deles, muita comida e saí do lugar.
Saí da parte de dentro do posto. Entrei no Fusca, coloquei toda a comida enlatada no porta luvas, todo o dinheiro estava embaixo do freio de mão, bem preso e assim liguei o Fusca novamente. Pegou na segunda virada. Eu ouvi barulhos de viaturas bem longe. Engatei a ré com tudo, girei o Fusca mesmo, engatei a primeira rapidamente e arranquei. No fim do posto e retornando para a estrada, cheguei a 40 km/h e engatei a segunda. E é claro, liguei os faróis novamente.
Eram cerca de 19:15 hrs.
Eu pretendia cruzar o estado. Aumentei a velocidade para 75 km/h e engatei a terceira. Quando atingi 100 km/h, engatei a quarta.
A partir daí, acelerei a 130 km/h e não acelerei mais porque senti medo que o motor do Fusca, que ficava atrás, não agüentasse...
Rodei mais 50 km e fui beliscando a comida. Eu passei por Barretos, mas não entrei lá. Faltava pouco pra começar a festa do peão. Daqui a 2 dias.
Mas eu segui adiante. Faltava uma média de 150 km pra mim cruzar o estado de SP.
Eu tinha rodado 100 km com o Fusca, portanto tinha gasto 1/5 da gasolina. É, ainda dava pra muita coisa.
Agora era por volta de 19:25 hrs.
Rodei mais 150 km. Com o Fusca em ritmo praticamente total, vi a placa “Bem Vindo a Minas Gerais”.

Mas aqui encerra-se o segundo capítulo. Terceiro Capítulo agora...

13 de Agosto de 2002 - Brasil - Estado de MG

Eu já estava em Minas Gerais e isso era um bom sinal. Continuei como um furacão com o Fusca. Eu já tinha rodado cerca de 250 km/h com o carro, portanto agora tinha apenas ½ tanque no Fusca.
E era bem mais tarde. Era cerca de 20:35 hrs.
-Lorena mora em BH... Quero que ela me acompanhe na minha viagem... mas ainda faltam mais 250 km para BH... ah não, eu tenho só 250 km de gasolina... mas beleza. Eu dou um jeito quando chegar lá. Hmmm, vou comer mais.
Belisquei mais comida e depois guardei.
Continuei que nem doido pelo estado, a 130 km/h e em quarta no Fusca, claro.
Demorei cerca de 1 hora de 50 minutos para chegar até BH ou cerca de 250 km rodados. Demorou muito e agora eram cerca de 22:25 hrs. Estava hiper tarde. Eu teria de dormir na casa da Lorena.
De repente, numa avenida, vi uma garota familiar saindo do supermercado, em frente a um prédio. Como eu tenho a foto da Lorena, eu a reconheci na hora. Era ela.
Nesse mesmo momento, o Fusca perdeu muita velocidade e parou bem em frente ao prédio onde ela morava. A gasolina tinha acabado. Mantive os faróis ligados para chamar a atenção, saí do carro e andei até Lorena. Eu falei:
-Oi Lo!!!
-Quem é vc?
-Sou eu Lo, o Gui! Lembra da minha foto?
-Gui!!!
Eu e Lorena nos abraçamos e nos beijamos (no rosto, por enquanto...)
-Mas Gui como vc chegou até mim?
-É uma longa história Lo...
Contei tudo a Lorena do que eu fiz.
-Gui vc endoidou da cabeça é? Agora vc está em perigo!
-É... mas deixa eu desligar o farol do Fusca.
Após fazer isso, continuei a conversar.
-Preciso dormir na sua casa hoje, Lorena... Será que posso?
-Bom, esse carro aí a gente guarda na outra garagem da minha família e tudo o que tem nele vc leva pra casa e daí conversaremos pra ver se vc dormirá aqui.
-Certo Lo obrigado...
Abracei Lorena nesse momento.
-Ah Gui não há de quê...
Lorena me abraçou também e me beijou naquele momento.
Assim, Lorena e eu guardamos o carro empurrando ele, todas as coisas levamos para o apartamento onde ela morava. Mas aqui encerra-se o terceiro capítulo.
Quarto capítulo...

13 de Agosto de 2002 - Estado de MG - Belo Horizonte - um bairro - apto da Lo

Eram 22:40 hrs.
No apartamento de Lorena...
-Filha quem é esse garoto? Disse o pai da Lorena.
Lorena explicou tudo aos seus familiares.
-Mas esse garoto não dará problemas? Disse a mãe da Lorena.
-Não senhora, dormirei aqui apenas por esta noite. Eu falei.
-Então tudo bem. Mas só por hoje!! Disse o pai da Lorena, meio irritado.
-Calma amor... Disse a mãe de Lorena.
O pai de Lorena era como eu, estourado. Fiquei meio inseguro.
-Ah Gui relaxa meu pai é legal Lorena ri
Eu dormi no quarto de hóspedes. O apartamento era grande, tinha 4 quartos...
Assim, eu passei a noite na casa da Lorena.
Amanheceu. Como eu tinha ido dormir relativamente cedo, acordei cedo também, por volta das 7:00 hrs.
Enquanto tomávamos café da manhã eu falei:
-Vou precisar do carro de vcs ou o Fusca precisa ser reabastecido.
-Garoto vc é menor de idade, mas se quer continuar com essa loucura, tudo bem, abasteço seu carro e forneço tudo. Mas o carro meu e da minha família não! Explicou o pai da Lorena naquele momento.
Por volta das 9:00 hrs da manhã, tudo estava pronto.
O fusca tinha um saco de dormir no banco de trás, um cano enorme (para necessidades), muita comida no porta luvas e nos lugares que dá pra guardar coisas do carro, o tanque estava totalmente cheio de novo, tinha uma mala com roupas no porta malas, que ficava na frente e muito dinheiro embaixo do freio de mão. O tape foi tirado, mas dinheiro foi colocado no lugar.
-Queria que a Lorena fosse comigo. Eu falei.
-Não!! Vc vai sozinho!! Gritou o pai da Lorena.
-Gui é melhor que seja assim... Disse Lorena naquela hora.
Me despedi da Lorena com beijos no rosto e um aperto de mão pro resto da família, peguei o Fusca, que pegou de primeira, o tirei da garagem andando entre 10 e 20 km/h e depois disso, acelerei em direção para fora.
Acelerei até 40 km/h e engatei a segunda. Fiquei andando a 60 km/h pela cidade e saí dela uns 15 minutos depois, portanto agora eram 9:15 hrs.
Na estrada, cheguei a 80 km/h, engatei a terceira e cheguei a 100 km/h e engatei a quarta. Fiquei nisso mesmo, pois assim eu saberia o quanto andaria.
Fiquei rodando pela estrada umas 3 horas, e encontrei um posto.
-Vou parar lá para almoçar.
Quarto Capítulo encerrado... quinto iniciando...

14 de Agosto de 2002 - Brasil - Estado de MG - Posto Mineiro

Parei o Fusca lá no posto, peguei muito dinheiro, saí do carro, entrei no posto, sentei-me numa mesa e pedi o cardápio. Eram 12:15 hrs.
Decidi que comeria algo leve.
Quando a comida chegou, comi silenciosamente, sem incomodar ninguém e na minha. Quando terminei, pedi uma sobremesa leve e após saboreá-la, eu falei:
-A conta, por favor.
-São RS 100, garoto. Disse o garçom.
Paguei a conta numa boa e saí do restaurante.
Voltei ao Fusca. Entrei no carro, virei a chave, o carro pegou de primeira...
-Agora tem apenas 2/5 de gasolina... também, rodei 300 km...
Eu tinha rodado, pelo estado, 550 km... faltavam 200 km para mim cruzar o estado de MG e ir para o Mato Grosso... e assim, eu o fiz.
Rodei com o Fusca mais 200 km e cruzei o estado de MG. Agora eu estava no estado do Mato Grosso, que era maior que o de MG e tinha 1000 km de extensão.
Assim que entrei no estado, fiquei sem gasolina, mas parei em um posto, por sorte.
Abasteci o Fusca sozinho e paguei os 72 reais que são o tanque todo. (a gasolina é meio cara, sabe como é)
Arranquei com o Fusca para a estrada.
Mas agora acabou o quinto capítulo. Sexto iniciando...

14 de Agosto de 2002 - Estado de MT - estrada
Eram 14:15 hrs.
Eu andei com o Fusca a 100 km/h e em quarta marcha obviamente... rodei 500 km com o Fusca sem grandes novidades...
A gasolina do Fusca acabou de novo e eu tinha rodado por 5 horas seguidas.
Abasteci da mesma forma que antes e voltei para a estrada.
Agora eram 19:15 hrs e já estava escuro novamente.
Eu estava com os faróis do Fusca ligados (pois escureceu) e muito cansado, já que viajei o dia inteiro. Decidi que iria parar em algum posto seguro e dormir.
Parei em um posto que avistei e fui dormir.
Assim... amanheceu.
Eram 5 da manhã. Ainda estava escuro, mas eu estava renovado para continuar.
Eu estava morto de fome, então peguei um pouco de comida do Fusca mesmo e comi bastante, satisfazendo minha fome.
Após isso usei o buraco para as necessidades e depois disso liguei o Fusca e arranquei para a estrada novamente.
-É... vamos cruzar este estado... Eu falei do nada e entediado.
Acelerei como sempre e cruzei o estado do MT. Agora eu estava na região norte. Seria uma longa jornada até eu sair do Brasil.
Fui em direção ao Acre, que seriam apenas 400 km, para depois pegar a Transamazônica. Depois eu não sabia.
Fui mais rápido dessa vez, a 130 km/h. Passaram-se 3 horas e pouco e eu finalmente cheguei a Rio Branco, capital do Acre. Fim do capítulo. Próximo, rodando...

15 de Agosto - Brasil - Estado do Acre - Rio Branco

Eu tinha mais 100 km de gasolina ainda. Reduzi a velocidade e a marcha - eu andava agora a 60 km/h e engatei a terceira. Eram 8:30 hrs.
Resolvi ir até o posto, pois sabia que eu precisaria de mais gasolina.
Coloquei o dinheiro em cima da bomba e enchi o tanque.
Após isso, acelerei com direção a Transamazônica. Demorou apenas 50 km para chegar até lá, já que eu estava no atalho mais rápido.
Durante o trajeto eu fui a 100 km/h e em quarta marcha.

15 de Agosto - Brasil - Estado do Amazonas - Transamazônica

Eu havia gastado apenas 50 km dos 500 km que dava pra rodar com o tanque todo. A Transamazônica era grande, cerca de 250 km. No fim dela, eu encontraria a cidade de Manaus. Agora eram 9:00 hrs.
Mesmo assim, pisei fundo com meu Fusca! Fui a 130 km/h.
Andei os 250 km sem problemas... Assim, no fim da estrada, eram 12:30 hrs.
Eu estava achando aquilo um tédio.
Mas porque eu fui dizer aquilo. Ao entrar em Manaus, parei o Fusca e comi o almoço, já que eu tinha comida no carro. De repente, passa uma viatura da polícia, que pára bem na frente do Fusca. Saquei o canivete. O guarda chegou e eu o matei.
A viatura estava com a chave no contato! Eu me despediria do Fusca agora... por pura vontade. Ele estava com 200 km de gasolina ainda...
A viatura era um Corsa antigo.
Peguei o revólver do guarda também. Peguei todas as coisas do Fusca e passei para o Corsa. Travei o Corsa com o alarme e entrei no Fusca.
Girei a chave e ele ligou. Parecia ter se acostumado comigo.
-É, agora eu te abandonarei... mas não se preocupe. É só para não te pegarem, eu vou ter deixar em um lugar seguro...
Engatei a primeira e acelerei. Encontrei rapidamente um pequeno estacionamento e deixei o Fusca lá. Mas tirei a chave do contato e guardei ela no meu bolso.
-Não... ninguém vai te dirijir além de mim.
Travei o Fusca e o deixei lá. (um dos vidros estava quebrado e eu deixei em ponto morto o câmbio). Andei sem olhar para trás.
Após 5 min, cheguei até o Corsa. Destravei ele e entrei na então viatura da polícia.
-Acho que dirijindo um desses ninguém desconfiará de mim, já que os vidros são escuros... fecha os vidros
Girei a chave do Corsa. Pegou de primeira. O velocímetro marcava 200 km/h e o câmbio era 5 marchas.
A essa altura já eram 12:55 hrs.
-Aqui só tem ¼ de gasolina... que ótimo... vou abastecer.
Engatei a primeira e acelerei com o Corsa até 40 km/h. Engatei a segunda, andei a 50 km/h até chegar ao posto de gasolina.
Só de ver o Corsa, o frentista já abasteceu o carro.
Desci um pouco o vidro e coloquei o dinheiro em cima da bomba. Era a hora de eu partir e sair do país de uma vez por todas.
Engatei a primeira de novo, depois de um tempo a segunda e enfim saí de Manaus. Meu destino era sair do País, mas tive que voltar pela Transamazônica de novo, pois depois de Manaus era só mato... eu teria que pegar o Amapá, descobri isso através do mapa que tinha no Corsa.
Pela Transamazônica, engatei a terceira aos 60 km/h e em seguida a quarta aos 80 km/h, após isso acelerei mais e engatei a quinta aos 100 km/h.
Acelerei mais com o Corsa, que andava mais que o Fusca e talvez o mesmo que o Santana e cheguei a 140 km/h. Só não acelerei mais porque a terra da Transamazônica faria meu carro rodar acima disso.
Passei toda esta estrada de terra em 1 hora e meia, portanto agora eram 14:25 hrs.
O tanque do Corsa era maior e dava para rodar 550 km. Ainda sobraram 300 km de gasolina quando terminei de atravessar.
Agora meu destino era o Amapá. Não estava muito longe... apenas 200 km... quer dizer, estava bem longe ainda...
Eu não quis nem saber. Acelerei pela estrada. Mantive o ritmo e... fim do capítulo.

15 de Agosto de 2002 - Brasil - Entre os estados do AM e A - estrada

...acelerei ainda mais com o Corsa. Eu estava a 150 km/h agora.
-Vamos ver o quanto o Corsa pode andar... quero chegar logo ao Amapá.
Acelerei mais, feito um louco! Cheguei a 160, 165, 170 km/h... eu estava voando na estrada, simplesmente...
Quando atingi 170 km/h, vi o conta-giros no máximo. Se eu acelerasse mais, o motor explodiria.
-Este carro anda bastante... mas talvez o Santana andasse mais... sei lá...
Fui “voando” até o Amapá e rodei tudo em apenas 1 hora!!! Incrível!
Eu tinha apenas 1/5 de gasolina no tanque e agora eram 15:25 hrs.
-É, valeu a pena... estou no Amapá... preciso chegar a Macapá agora...
Macapá não ficava muito longe. Apenas a 50 km adiante.
É claro. Reduzi aquele velocidade para 130 km/h. Sendo assim...
Bom, demorei apenas 25 minutos para chegar a Macapá. E eram 15:50 hrs.
Eu tinha 50 km de gasolina agora, ou menos de 1/5... eu já estava na reserva.
-Bom, cheguei a Macapá. Onde será a fronteira? Mas antes eu vou abastecer.
Reduzi a velocidade bruscamente para 60 km/h e a marcha para a terceira.
Parei no posto mais próximo e foi como na última vez.
Agora que já tinha o tanque cheio novamente, resolvi ir para a fronteira. Mas eu falei, já andando com o carro novamente a 60 km/h e em terceira:
-O Duan mora aqui, mas eu jamais o encontraria... é melhor eu sair do Brasil logo, pois eu já tracei meu destino e ele será Nova York. E sem a Lorena... mas não posso fazer nada, preciso correr atrás dos meus ideais.
Acelerei mais o Corsa. Cheguei a bruscos 90 km/h e em quarta, quando avistei a fronteira e 3 carros na minha frente.
Reduzi a velocidade bruscamente e parei o carro. Agora era só esperar.
Após uns 5 min (agora eram 15:55 hrs), chegou minha vez de sair do Brasil.
-Desculpe, mas policiais não podem sair do país onde patrulham.
Abaixei o vidro, saquei o revólver 38 que eu tinha agora e dei um tiro no cara.
Ergui o vidro novamente, liguei a sirene para disfarçar e arranquei.

Aqui encerram - se os capítulos no Brasil... as viagens fora do país? Em breve, aguarde!!!"

Bom... eu preciso corrigir uma injustiça. Eu disse que um idoso fazendo amor com um canino seria bem legal de se enviar pela intranet do asilo. Verdade, até seria. Mas seria muito mais legal mandar uma daquelas tradicionais, que mostram o velho como um lixo babão (não que lixo babe - bom, até baba, mas velhos não babam chorume, embora o hálito deles possa ser... quer saber? Deixa assim, acabou ficando uma boa comparação) e depois ele sendo acolhido no seio da família, pelos filhos. Com um poeminha dizendo aquelas coisas que todo mundo já viu, tipo "não deixe seu melhor amigo às traças bla bla bla". Depois dos velhinhos acessarem, você podia fazer uma graninha vendendo Prozac. Ou amor. Mas se for vender amor vai ter que contabilizar os custos do Viagra.

P.S.: Percebem como ignorei completamente o texto, não fazendo nenhum comentário? É que me pareceu justo, dada a qualidade do romance, só passar batido por ele, mais ou menos a 65km/h e na terceira marcha.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Eu Ainda Sob Cu

Eu ainda busco um jeito de tratar os idiotas com eficiência. Quando era menor, tendia a ser pouco tolerante com eles e punha-me a tentar curá-los. Depois que notei serem muitos e muito teimosos, passei a tratá-los como crianças - bastava deixá-los brincando na caixinha de areia e ignorá-los em tudo que fizessem (não era exatamente assim que eu tratava crianças, mas não podia sair por aí surrando idiotas porque, diferindo dos fedelhinhos, eles vêm em todos os tamanhos e sempre em grandes números). Quando pensava estar livre da intervenção dos babacas, porém, um dos pestinhas dava um jeito de jogar areia em meus olhos e eu virava algo como o Van Damme no final de O Grande Dragão Branco.

Importante explicar que eu tenho perfeita noção de que sou um idiota. Acabei de mencionar um filme do Van Damme. Strike 1. Tenho um blog. 2. E a primeira sentença deste texto era "estou com o saco cheio de idiotas", o que me fez lembrar do filme Idiocracia e contemplar rituais auto-gratificantes como solução do problema. 3, certo? Alem disso, parece logico pque, se eu olho para o mundo e vejo uns cinco bilhoes de idiotas, os cinco bilhoes do mundo olham para mim e vêem um idiota. Simples reciprocidade. E eu ficaria muito infeliz se fosse diferente, porque quando idiotas admiram alguém, geralmente trata-se de um integrante da categoria.

Acho que a única diferença é que eu não sou um idiota sindicalizado. Não gosto nada do sindicato. Talvez porque um sindicato geralmente seja feito para dar representatividade a uma patota, sendo uma entidade que busca a força grupal para lidar com indivíduos (ou bandos) contra os quais um só dos integrantes não teria chances. E o grande problema é que, como so existem idiotas, nosso sindicato é feito para fazer frente a nada. E como é regido por idiotas, acaba fazendo frente a eles mesmos. E compreensível, ja que nao há mais nada a se peitar além de nós mesmos.

Um exemplo da funcionalidade do nosso sindicato ocorreu quando um idiota comeu um saquinho de amendoins e passou mal. Foi socorrido (sacanagem) e obrigaram um outro idiota, o produtor de amedoins, a deixar recomendado por escrito o não-consumo da embalagem que os continha. Se alguém chegou a considerar que gente que lê geralmente não come papel, não se manifestou. Mais um exemplo, já citado por outro idiota aparentemente não-sindicalizado, é o do menino que tomou umas drogas e pensou poder voar. Pulou da janela e morreu. O sindicato agiu em prol da proibição da substância, ignorando o fato de vários outros menos idiotas não terem pulado pela janela. Para não dizerem que eu sou um hippie drogado, o mesmo exemplo cabe a Duke Nukem e o atirador do cinema. (Rápida dúvida: nerd é pior ou melhor que hippie drogado, em termos de status?) Pode-se ver exemplos da atuação do sindicato em todos os lugares, desde faixas amarelas nas estações de metrô (trem vindo pelo trilho! dã!) à procedência de processos pessoais bizarros.

Vai ver eu sou só um romântico incurável por acreditar que a idiotice deva ser manifestada até a exaustão. Vai ver eu sou um delinqüente por achar que o mundo é um viveiro de idiotas num círculo vicioso, com os idiotas de primeira geração, os que a gente costuma ver por aí e já connhece bem, criando a necessidade da existência de idiotas de segunda geração, os que são igualmente idiotas e ainda metem o bedelho na idiotice dos outros. Isso vai desde o tio intrometido que fica te dizendo o que fazer com os seus vinte peixes ao governante que pega oito dos seus peixes, come três, te diz o que fazer com sete e enfia sua vara de pescar no seu rabo. Na realidade acho que sou um desses idiotas reclamões.

Bom, tanto faz. Vou sair pra pescar e rezar para pegar lambaris em vez de carpas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Ama-se Etiqueta

Etiqueta à mesa - um certo problema para mim. Na verdade, tirando uns raros dias de humor esquisito, eu considero etiqueta, na sua essência, um pé no saco. Mas à mesa fica tudo um pouco mais exacerbado, por algum motivo. Se você não segue algumas regrinhas malucas, as pessoas podem te olhar torto.

Um bom exemplo, a meu ver, é o guardanapo no colo. Não importa quantas vezes eu pense nisso, me parece algo bem imbecil. Se você precisa do guardanapo, é porque está babando comida, o que, se não é rude, pelo menos é um espetáculo meio nojento. E desperdiçando alimento, a menos que você queira pegar o que caiu e comer de novo, babando menos da segunda vez. O que por sua vez seria outro espetáculo nojento. Mas não tem problema, a etiqueta diz "babe à vontade, é para isso que colocamos um guardanapo no seu colo". Então tá bom. Eu babo.

Outra coisa curiosíssima é o fio da faca voltado para o prato. É uma das coisas que mais me dá aflição. Tendo a achar revoltante aquele calombo serrado no que seria uma reta tangente a um círculo. Fica feio. Mas o fio da faca tem que ficar pra dentro pra você não matar a pessoa que está ao seu lado. Pelo menos nos tempos antigos, eu imagino que assassinatos à mesa fossem comuns, então assim como um samurai deveria colocar a espada do lado direito, tornando o saque mais difícil, você deveria virar a faca para dentro, para não cortar a jugular do seu acompanhante com tanta facilidade. Ainda pode-se ter essa cautela hoje, mas se você está preocupado com isso, podia também se preocupar mais com as pessoas com quem come. E, se estiver pensando em segurança tanto assim, melhor usar um capacete contra as bandejas dos garçons.

Ah, não, você não pode. Porque sentar-se à mesa com alguma coisa na cabeça é indelicado. Isso já é um motivo religioso, o que logicamente deveria ser menos lógico, mas eu até penso ser mais. Particularmente, não costumo usar chapéus, bonés e coisas do tipo porque estragam o penteado e, durante as refeições, fazem uma sombra pentelha que conflita com meu gosto de comer em locais bem iluminados. Contudo, se o cara quiser tomar sopa pelo buraco de ventilação da máscara de Darth Vader dele, eu não tenho nada com isso nem vou achar ruim. Correção: não vou achar mais desagradável que o fato de eu estar tomando sopa com um cara usando máscara de Darth Vader. O que por sua vez não vai ser mais desagradável que o fato de não ser eu usando a máscara.

Tem o negócio de usar os garfos certos, também. E facas certas. E colheres certas. É tipo um caça-níqueis, conseguiu os três combinando, ganhou. Particularmente eu acho muito fácil distinguir os talheres e usá-los corretamente, difícil é aceitá-los. Você já tem a faca perfeitamente boa para todas as coisas, por que criar uma faca toda torta e sem fio nenhum? Para cortar algo mole, claro. E aí surge a faca de peixes. Que consegue um resultado levemente pior que a faca de carnes e dá problemas para canhotos. Por que diabos usamos essa faca, então? Por que ela foi criada? É um grande mistério. Acho que foi só pra sujar mais talheres. Puro lobby do Limpol e da Scotch-Brite. Eu pego o maior garfo sempre porque é nele que cabe mais comida e quanto mais comida estiver indo goela abaixo, melhor. Se alguém chamar minha atenção para o fato de eu estar espetando meu garfo em um alvo pouco propício, meu senso de justiça me manda levantar, gritar "AH, É?" e enfiar no olho do enxerido. Infelizmente as pessoas não dizem nada, só ficam pensando com os botões delas o quanto você é grosso, de modo que eu passei, preemptivamente, a espetar todo mundo. Não curto muito a idéia de talheres de sobremesa, também. Já tem um garfo sujo. Lamba-o bem e passe à torta, sem baitolagens.

Aliás, pensando bem, ter que usar talheres já é um porre. Eu uso, até porque não gosto de ficar sujando minha roupa, mas se o cara quiser enfiar a cabeça no prato de feijoada enquanto estraçalha um frango com os dedos inquietos, eu não ligo. Não se ele estiver usando o guardanapo no colo. Comer sem talheres, bem Medieval Times, mesmo, é algo que eu quero fazer se um dia for ao Terraço Itália.

Palitar os dentes também não pode. Chique é ter um baita fiapo de bacalhau nos dentes. Pra mostrar que comeu coisa cara.

Mas mais preocupante é o negócio de não se esticar pela mesa para pegar alguma coisa. Em vez de se debruçar, você tem que incomodar três ou quatro pessoas para te passarem uma bandeja pesada. Depois incomodar todo mundo de novo para passá-la de volta. E parar de comer porque alguém já quer que você passe a bacia de arroz. Muito mais fácil se esticar, se o seu braço alcança. Só não é muito legal se você estiver de gravata, salvo se for da mesma cor do caldo do feijão, que é onde ela vai parar.

Fora isso tem as palhaçadas de levantar para cumprimentar gente e um monte de outros aborrecimentos. Os defensores da etiqueta vão vir com "mas não é assim, é mostrar que você se importa - o gesto é que conta". Eu espero que não! Caso contrário o que significaria a cortesia de abrir a porta do carro para uma mulher? "Olha, sua estúpida, eu tenho que vir até aqui porque duvido que você consiga operar esse mecanismo chamado maçaneta"? Ah, se fosse seria mais nobre. É mais um "Hahaha! Vou papar você!"*. Isso era coisa verdadeiramente útil quando as mulheres precisavam de ajuda para subir naqueles carros altos enquanto usavam saias enormes e de vinte camadas de pano. Num calor de quarenta graus, no Rio de Janeiro. Nesse caso é algo besta e fora de contexto derivado de algo já besta e fora de contexto, a utilização de roupas européias aqui no Brasil.

Bom, é tudo um punhado de coisas que a gente faz pra se sentir bacana. Mas tudo é, por mais que você tente apresentar outros motivos.

*dizer em voz alta essa frase enquanto abre a porta para uma garota pode ser bem legal

sábado, 5 de janeiro de 2008

Gato Burro Abrasado

O guarda Borrabotas estava sendo baleado outra vez enquanto, a vinte quilômetros dali, José Pereira Silva dos Santos preparava uma mamadeira para seu filho, Saulo Silveira Silva dos Santos. E a vinte quilômetros de José Pereira Silva dos Santos o capitão dizia "Puta merda, o Borrabotas caiu de novo! Alguém traz um pano e limpa a farda dele antes que o sangue seque. Eu quero outro homem nela ainda hoje!".

Era uma refinaria de petróleo sendo assaltada. Os assaltantes entraram, renderam os trabalhadores, trancaram as portas e selaram com piche. E não conseguiram reabrir. Passaram uma semana sem maiores problemas, fazendo castelinhos de asfato e apostando corridas de betoneiras contra os reféns. Tinham parafina estocada para saraus à luz de velas e vaselina para o que acontecesse depois. Estava muito muito bom, tudo muito bem, mas logo eles encontraram um problema: petróleo não é exatamente recomendado para consumo humano direto. Então começaram a pedir pizza. Calcularam que teriam dinheiro suficiente para ficar um mês nessa situação mantendo todo mundo vivo à base de redondas. Calcularam errado, porque as pizzas tinham que ser arremessadas por cima do muro e nenhum deles era especialmente experiente em frisbee. Isso se traduziu em um aproveitamento alimetício baixo e, em seis dias, resolveram avisar a polícia do roubo para que pudessem negociar e fazer demandas. Estavam exigindo, majoritariamente, napolitana e peperoni.

Como ninguém podia entrar ou sair por causa do piche, o capitão não sabia o que fazer. E estaria perdido para sempre, não fosse o cavaleiro galopante que chegava à cena e se dirigia a ele:

-Céus, general, seu exército deveria trazer catapultas para invadir castelos.

-Homem-Táfora, graças a deus! Estávamos ficando desesperados. Já sabe da situação?

-Vejo formigas cobiçando um torrão de açúcar cercado por fogo.

-Hã... mais ou menos. O açúcar quer pizzas e não vai entregar os reféns, até por impossibilidade.

-Ora, general-formigão, o açúcar logo virará caramelo caso o senhor não desligue o fogão.

-Sim, mas ele não tem água, Homem-Táfora. E se nós usarmos a nossa, eles executam os reféns. E não queremos que os reféns virem caramelo.

-O caramelo irá começar se espalhar, apagando o fogo ao redor, fique tranqüilo.

-Quer dizer que eles vão sair quando ficarem desesperados? Tudo bem, mas sabe-se lá o que eles vão fazer com os reféns.

-Hum... é verdade que, quando o caramelo secasse, deixaria uma mancha bastante desagradável no fogão.

-Mancha? Os reféns mortos? Eu me perdi, Homem-Táfora.

-É claro que vocês seriam as formigas, então não ligariam para uma mancha no fogão. Vocês teriam que ser donas-de-casa.

-Hein?

-O que elas cobiçam que poderia estar cercado por fogo? Espera aí. Elas não temem fogo tanto assim. Poderiam usar extintores.

-Homem-Táfora?

-Vejo donas-de-casa cobiçando um pênis cercado pelo resto do homem, general. Não, espera... não está bem certo ainda.

-Porra, Homem-Táfora, você vai entrar ou não?

-Eu não entro, general dona Maria. Por isso minha montaria me deu esse nome ridículo.

-Sua montaria?

-O Potro Cadilho. Desnecessário dizer que ele mesmo se nomeou.

-Seu cavalo fala?

-Espera aí... Dá pra fazer funcionar...

-Seu cavalo fala e você perdeu pra ele uma discussão sobre o seu próprio nome? Quão idiota é você?

-Vejo formigas mesmo, general. E se não conseguem pegar o açúcar, tragam as abelhas, o mel delas lhes trará grande satisfação.

-Abelhas? Um helicóptero? Você acha que eu já não pensei nisso? O helicóptero está ocupado. E você não está sendo de muita ajuda, cacete.

Mas o Homem-Táfora já tinha pego o alto-falante e estava bradando a plenos pulmões:

-Açúcares, rendam-se ou serão picados por abelhas tão logo estiverem virando caramelo!

-Homem-Táfora, eles não entendem o que você diz. E sabe o porquê? Porque eles não são loucos! - insistia o capitão, já um tanto quanto revoltado.

-Certo. Não molhe o fogo, molhe o açúcar.

-Eu nem vou fingir que tenho idéia do que você está falando agora, já deu no saco.

-Jogue água no açúcar, capitão, e ele não virará caramelo. Mas ficará pegajoso o suficiente para grudar nos seus dedos.

-Dedos? Eu sou a porra de uma formiga, seu corno do caralho! Eu não tenho dedos!

-Não, general. Eles são as formigas. E lá dentro já conseguiram o açúcar. Você precisa de um tamanduá! Um tamanduá que cuspa muito!

-Alguém tire esse cara daqui!

E começaram a carregar Homem-Táfora para longe.

-Mas general, você já tem o tamanduá! Cuspindo pelo seu bico longo e fino! Está logo ali!

-Cala a boca ou eu mando te meterem uns pipocos.

Nunca souberam que ele se referia a um caminhão dos bombeiros. Nem que realmente daria certo distraí-los com pizzas e derrubá-los com jatos d'água. O que aconteceu foi que todos os reféns, assaltantes e policiais morreram, porque a refinaria foi invadida à base de bombas e acabou explodindo quando saiu um tiroteio perto dos tanques de gás. Dos relatados no incidente somente Homem-Táfora, Potro Cadilho e Borrabotas viveram para contar a história. Mas não contam.